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[FF] Unmistakable; *terminada!*
Topic Started: Jun 12 2006, 12:14 AM (275 Views)
Tatiana
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[ *  *  * ]
CENA 15

O Il Divo se preparava para mais uma tarde de gravações na BMG, e as fãs gritavam histéricas do lado de fora do estúdio, ansiando pelo contato com um dos ídolos. No meio delas estava Gail, camisa do fã clube, boné onde se lia “divomaniac” e caderno de anotações nas mãos. Ela não queria um autógrafo do Il Divo. Não queria um contato simples com eles, já conseguira isso na Malásia. Quis voltar ao seu papel de fã, aquela noite a fez sentir-se estranha. Inverteu os papéis com Urs, coisa que ela não assimilou muito bem.
Uma amiga de fã clube aproximou-se de Gail, entusiasmada.
“Gail, você leu as notícias?”
“Hoje ainda não.”
“Parece que o noivado de Valerie e Urs não vai bem...”
Gail engoliu seco.
“Como?”
“Isso mesmo... parece que eles estão meio brigados. Pelo que li, acho até que Urs foi visto com outra mulher!”
Gail ficou estática alguns instantes, pensando no que a amiga dissera. Urs e Valerie estariam mesmo brigados? Por causa dela, ou porque não se gostavam mais?

“...But you can say baby, baby can I hold you tonight
baby if I told you the right words.
Ooh, at the right time
You'd be mine...”


Pensou se havia feito a coisa certa naquela noite. Se recusar Urs fora uma coisa coerente. Eles haviam jantado, a conversa foi maravilhosa. O vinho, o ambiente, tudo estava perfeito. Ele a levou ao hotel, subiu com ela até seu quarto, mas não ficou. Talvez sem nenhuma delicadeza, ela o recusou. Disse não ao implícito convite do homem de seus sonhos para uma noite... Gail sentiu-se mal naquele instante, um arrepio lhe percorreu o corpo. Ela não quis fazer amor com Urs porque não seria amor. Eles não se amavam e ela tinha certeza que ele a queria por causa de atributos físicos, somente. Mas... se ele estava mal com Valerie, poderia então apaixonar-se por ela. Sim, era um pensamento. Um tolo e ignorante pensamento de fã, mas... ele poderia.
“Brigitte... se te contar uma coisa, você promete segredo?”
Gail sentou-se na porta do estúdio. Já haviam se passado 3 horas do início do ensaio, e muitas fãs desistiram de esperar pela aparição do grupo. Ela levou aquele tempo todo para tomar coragem e contar à amiga o que se passara.
“Claro... sabe que pode confiar em mim.”
“Mas é que vou contar uma coisa muito séria, que não pode vazar.”
“Fale.”
“É que... a mulher com quem viram Urs... pode ter sido eu.”
Brigitte levou alguns segundos para assimilar o que Gail falava.
“Como?”
“Eu e Urs jantamos juntos há duas noites atrás. Não sabia de nada entre ele e Valerie.”
“Sei... e o que você queria me contar?”
“Você não está acreditando em mim?” Disse Gail, sem acreditar que a amiga duvidava de sua palavra.
“Ora, Gail... você é fanática pelo Il Divo, mais do que qualquer pessoa que conheço. E ama o Urs... quer que eu acredite que vocês saíram?”
“Sim, saímos. Mas só jantamos.”
“Há! Pior ainda! Quer que eu acredite que vocês só jantaram? Que você não pulou no pescoço dele e tascou um beijo na boca?”
“Não fiz nada disso. Foi esquisito, Brigitte! Ele... ele é um doce, mas virou uma pessoa normal, sabe? O encanto acabou, ele agora é um cara como todos os outros.”
“E ele alguma vez já foi diferente?”
Gail ignorou as últimas palavras da amiga porque a porta do estúdio se abriu e a figura radiante de Urs Bühler apareceu. Arriscando-se a se mostrar no meio do pandemônio que se formava em frente à BMG toda vez que tinha gravação, Urs estava sem seguranças. Apenas os brutamontes da entrada o impediam de ser arrastado e levado pela multidão.
Procurando por alguma coisa, seus olhos paravam em todas as pessoas que o olhavam, curiosas e ansiosas para ver o que ele pretendia. Urs gastou alguns minutos para encontrar Gail ali perdida, atônita, a lhe olhar.
“Gail!” Ele exclamou, como se sua busca tivesse chegado ao fim.
A mulher não o respondeu, mas tornou-se o foco dos olhares.
“Gail! Venha!” Urs a chamou mais uma vez.
“Eu?” Gail duvidou que fosse com ela.
“Sim, você.”
Ela deu um sorriso torto para Brigitte que estava, em pé e sem palavras, observando toda a situação. Abriu caminho por entre as meninas que ainda se espalhavam pela calçada e ficou face a face com Urs mais uma vez. Não o via desde o jantar; não o via nem pela televisão.

“...Wasn’t it good (oh so good)
Wasn’t he fine (oh so fine)
Isn’t it madness he won’t be mine
Didn’t I know how it would go
If I knew from the start
Why am I falling apart ...”


“O que você quer?” Foi o que ela conseguiu perguntar.
“Falar com você.”
“Precisava fazer isso na frente de todo mundo?”
Urs deu uma risada enquanto entravam os dois no estúdio.
“Teríamos alguma coisa para esconder?”
“Você tem uma noiva.”
“Nosso noivado vai mal. Não lê os jornais?”
“Fiquei sabendo... mas vocês podem superar isso.”
“É isso que você quer? Pensei que todas as fãs torcessem para que eu e Valerie terminássemos.”
“Não sou uma fã qualquer.”
“Sei disso... não sairia com uma fã qualquer.”
Os dois pararam em frente à sala acústica. A divisão de vidro permitia que os rapazes, dentro da sala, pudessem ver o que acontecia do lado de fora. David e Sébastien torciam para que Urs a agarrasse logo. Carlos rezava para que o amigo saísse daquela e esquecesse aquela mulher.
“O que queria me falar?” Gail tentou ser fria. Por dentro estava queimando, como uma febre que não abaixava.
“Senti sua falta.”
“Sério?”
“Você está me deixando maluco, sabia?” Urs riu, e encostou-se ao vidro. Não havia ninguém no estúdio naquela tarde, só o Il Divo e a banda gravando. “Cada vez que falo com você, parece que estou com outra pessoa.”
“Estou assustada, só isso.”
“Eu quem deveria estar! Primeiro você me segue, depois foge de mim. Você aceita meu convite e depois me recusa. Não sei o que fazer, não entendo o que você quer.”
“Aceitei um convite para jantar. Recusei um convite para fazer sexo.”
Urs constrangeu-se. Não sabia falar de sexo muito bem, aquilo sempre o deixava nervoso. Talvez não tanto quanto Gail estava, mas nervoso.
“Desde que cheguei da Malásia, não tenho visto minha noiva direito. Estou confuso.”
“Não sei se posso te ajudar, Urs...”
“Você pode.” Ele a segurou pelo braço, com firmeza. “Gail, estou obcecado por você. Você está em todo lugar que vou, desde a Malásia. Vejo você, sinto você, quero você...”
Sem pensar, e talvez sem hesitar, Urs colocou as mãos no pescoço de Gail e a beijou. Com toda a ferocidade que podia beijar, ele praticamente devorou os lábios dela, que também não esboçou nenhuma reação.
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Tatiana
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CENA 16

Dentro da sala acústica, David e Sébastien comemoravam. Urs andava chato demais, segundo David ele só precisava de mulher. E se a mulher dele não comparecia, que arrumasse outra.
“Você é um cafajeste, David Miller!” Carlos bradou, irritado com a felicidade do amigo. “Não vê que Valerie é boa pessoa e vai sofrer? Ela é nossa amiga!”
“Sem lição de moral, Carlos. Valerie e Urs estão juntos há muito tempo, está na hora de cada um ter seu caso.” Sébastien defendeu David.
Carlos balançou a cabeça negativamente e os três rapazes voltaram a se concentrar no que Urs fazia. Enquanto o grupo se dividia em torcida pró e contra Gail, ela e Urs se beijavam ardorosamente em frente ao vidro de isolamento. Gail sentia o corpo mole, um calor a invadia o peito; sentiu vontade de despir-se. A língua de Urs invadia sua boca sem pudor algum, e ela o acariciava as costas desejando rasgar suas roupas e devorá-lo como se fosse uma... fruta.
“Acho que você enlouqueceu.” Ela disse, quando o beijo finalmente terminou. “E eu também.”
“Desculpe, mas eu não posso mais resistir.”
Gail baixou os olhos e respirou fundo por alguns instantes. Não existia príncipe encantado e Urs não era nada parecido com os contos de fadas. O que ela poderia querer mais dele, não havia.

“...You give me strength,
You give me hope,
You give me someone to love,
Someone to hold.
When I’m in your arms,
I need you to know,
I’ve never been, never been this close...”


“O que você quer que eu diga?”
“Não sei, estou confuso.” Urs esfregou a cabeça e percebeu que os colegas os estavam observando de dentro da sala acústica. Aquilo não o incomodou, sentiu-se mais homem. Como David vivia dizendo que ele era gay e que não gostava de mulher, seria bom vê-lo com todas as mulheres possíveis. “Diga apenas que não vai deixar meu noivado nos atrapalhar.”
“Realmente, você pirou. Urs... você tem uma noiva, está com ela há séculos. Vão se casar, e quer ficar comigo também? E nem sei do que estou reclamando, mas... não percebe que é errado?”
“Por que é errado? Deixar Valerie e fazê-la sofrer não seria mais errado ainda? Ou deixar você e me fazer sofrer seria mais digno?”
Gail balançou a cabeça negativamente, mas não respondeu às questões de Urs. Olhou em volta e também percebeu os outros membros do Il Divo a olhá-los. Não sentiu vergonha, mas não estava exatamente orgulhosa dos seus feitos. Todos os valores que tinha estavam despedaçados e atirados ao chão para servirem de estrume. Sentiu-se vil; não havia sentimentos por Urs que justificassem compactuar com a traição. Valerie sofreria, independente de saber ou não saber o que acontecia entre ela e Urs. Não acreditava que um homem pudesse dar amor a duas mulheres ao mesmo tempo, uma ficaria carente.
E Urs não sabia mais o que queria, não sabia mais o que pensava. Valerie estava em segundo plano fazia tempo, não era por causa de Gail. Gail foi a gota que fez transbordar o copo de tormentos que o acometiam dia e noite, sempre.
“Ligue para mim. Eu... tenho que ir.”
Sem falar muito mais, Gail deixou com Urs um cartão com seu telefone. Deixou os estúdios da BMG da mesma forma que entrou, assustada. Ela sabia que Urs ligaria, e sabia que não o recusaria novamente.
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Tatiana
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CENA 17

“Eu não acredito que você vai terminar com a Valerie!” Carlos esbravejava. “Cai na real, Urs... essa Gail é só um caso!”
“Nisso sou obrigado a concordar com Carlos.” David coçou o queixo, pensativo. “Nunca pensei que esse dia chegaria, mas ele falou alguma coisa certa.”
Antes que Carlos pudesse atentar contra a vida de David de forma definitiva, Urs entrou no meio dos dois. Estavam todos reunidos no quarto de Sébastien, e já passava de uma hora da manhã. Em três dias a banda partiria para mais uma sessão de shows, que duraria quinze dias. Sob os protestos de David, claro.
“Eu acho que... estou apaixonado por Gail.”
“Nhé, nhé, nhé.” Sébastien ridicularizou a exposição dos sentimentos de Urs. “Agora que Geraldine finalmente resolveu aceitar Carlos, você resolve colocar o seu noivado a perder? E por causa de uma... uma fã?”
“Se ele está apaixonado...” Carlos divagou.
“Ih, não dê ouvidos a Carlos, ele é sempre a favor do amor romântico e outras babaquices.”
“Eu também sou, David Miller!” Urs desdenhou. “Não sei por que estão contra minha decisão. Se eu não amo mais Valerie, por que deveria ficar com ela?”
“Porque ela é uma mulher para se casar, constituir família. Seria um escândalo você terminar com ela e aparecer namorando uma fã. Steve vai te comer o fígado.”
Urs fechou os olhos e lembrou instintivamente de Steve o elogiando, aquele dia na Malásia. “Você é o único coerente do grupo.” Ele não era coerente, estava confuso e perdido. Talvez fosse menos irritante, ou menos amalucado que o resto dos amigos, mas não era, definitivamente, coerente. Começou a pensar se os amigos tinham razão, se ele deveria mesmo esquecer seus sentimentos e tentar levar um relacionamento na base racional. David era o último homem que poderia falar em razão, mas ele nunca se deixava levar pelos sentimentos, apenas. Ele pensava várias vezes antes de agir, e por isso sempre estava bem. Bem com os outros, bem consigo mesmo.
Já Carlos era um tonto e fazia tudo errado. Mas tinha Geraldine ao seu lado, que sempre lhe sustentava, lhe apoiava. Urs costumava gostar do apoio de Valerie, ele sempre precisou dela para se sentir... seguro. Talvez não estar com ela todos aqueles dias o tenha feito ficar confuso, e talvez ele não estivesse tão apaixonado por Gail. Poderia ser carência, ausência. Ele não sabia, e estava cada vez se sentindo mais descontrolado.
“Vou ligar para Valerie e contar a verdade para ela.”
“Isso, diga que a traiu e faça como Carlitos.” Sébastien debochou.
“Eu não a traí.”
“Claro que não... aquele beijinho básico que você deu na Gail, na nossa frente, não foi nada.”
“Foi só um beijo, Sébastien. Nada mais aconteceu, eu...”
“Urs não foi capaz de levá-la para a cama. Nem seria.”
David estava morrendo de vontade de arrumar confusão, e irritar Urs era a forma mais fácil de conseguir seu objetivo. O homem ficava sempre nervosinho, e sempre fazia besteiras.
“Seria sim! Para seu conhecimento, ela me pediu para ligar para ela hoje à noite.”
“Já é quase dia.” Carlos constatou, olhando na janela.
“E você não ligou. Não disse, é incapaz.”
Urs, bufando de raiva, tomado por uma ira incontrolável, levantou-se da poltrona que o acomodava e pegou o telefone, tremendo. Suas mãos demoraram para achar o telefone de Gail no bolso, e mais ainda para discar as minúsculas teclas do aparelho. Era evidente seu nervosismo, a forma como suava demonstrava aquilo. O telefone fez “bip... bip...” diversas vezes até que ninguém atendeu. Urs sentiu-se imensamente aliviado, respirou devagar e desligou o aparelho, colocando-o no lugar. Ele queria mostrar aos amigos que tinha coragem, sim. Mas não sabia o quanto queria falar com Gail.
“Pronto... safisfeitos? Ela não atendeu.”
“Você discou isso certo? Aposto que não.” David pegou o número das mãos trêmulas do amigo e deu uma olhada. “Posso tentar?”
Urs deu de ombros e foi à cozinha pegar um copo de água. Ele estava com os nervos prestes a explodir e nunca imaginou ser tão frágil daquela forma. Achava que tinha certeza do seu amor por Valerie, da segurança que ela lhe passava. Achava-se garantido pela facilidade com que conversava com ela, pela vida que levavam. Mas tudo desmoronou em sua frente, e ele não sabia como remontar o quebra-cabeça. Conhecera Gail como corria o risco de conhecer qualquer mulher, não achava que podia culpá-la pelo fato de ter se... apaixonado. Aquela palavra lhe deu calafrios.
Retornou para o quarto e David falava animadamente ao telefone.
“Que nada... você deveria vir aqui, estamos todos acordados e sem nada para fazer. É... sem sono. Claro que não... quer que mande alguém te buscar??”
“Com quem ele está falando?” Urs perguntou para Sébastien, que cochilava sobre uma bancada.
“Com sua garota.” Carlos respondeu.
“Valerie?”
Sébastien caiu na gargalhada. David despediu-se da pessoa do outro lado da linha e desligou o telefone.
“Simpática essa tal Gail, não?”
“VOCÊ ESTAVA FALANDO COM ELA?” Urs pareceu desesperar-se.
“Uai... você me deixou tentar! E vou mandar o motorista buscá-la.”
“Você não vai se meter nisso, David.”
“Não estou me metendo em nada. Posso ser amigo dela, se quiser.”
Urs ameaçou levantar a mão para bater em David, mas foi seguro por Sébastien. David se divertia com a irritação que causava no amigo, e se divertia muito. Pegou o celular e ligou para o motorista da banda ir buscar Gail, no endereço que ela lhe havia fornecido pelo telefone. Ele não tinha nenhum interesse na fã, principalmente porque ela era de Urs. E ele, David Miller, poderia ter qualquer mulher que quisesse. Sébastien segurava Urs pelo braço, que esbravejava contra David todas as pragas da humanidade.
Carlos já havia coçado tanto a cabeça que arrumou uma ferida atrás da orelha. Suas unhas estavam encardidas de sangue ressecado. Ele queria escolher o que fazer, se cedia aos pedidos de Geraldine ou se deixava Denise em paz com a criança, sua filha.

“... How you gonna see me now
Please don't see me ugly babe
'Cause I know I let you down
In oh so many ways
How you gonna see me now
Since we've been on our own
Are you gonna love the man
When the man gets home ...”


Sébastien e David faziam questão de ver Urs e Gail. E Urs rodava de um lado para o outro, como se alguma coisa muito ruim estivesse para acontecer. Ele sabia que, se encontrasse Gail naquela noite, e se ficasse sozinho com ela, não resistiria. Nunca resistiu, se não fosse porque ela o recusou, ele já teria chegado ao ponto que não desejava atingir. Não queria trair Valerie, e queria incontrolavelmente estar com Gail. Não queria terminar com Valerie, mas tinha certeza que não podia ficar com as duas mulheres. Elas não aceitariam, ele não seria feliz.
Batidas na porta, e Sébastien correu para atender.
“Boa noite... Sébastien.” Gail sorria, em pé na porta. “Não sei o que estou fazendo aqui, mas não sou doida de recusar um convite de vocês.”
“Nenhuma mulher é.” David surgiu na sala, sorridente.
Os dois pediram a Gail que entrasse, e a conduziram até o quarto, onde estavam os outros dois sobreviventes. Urs, que tremia do primeiro fio de cabelo até os dedos do pé, e Carlos, a indecisão e confusão de sempre.
“Gail...” Urs olhou para a mulher fascinante. Ela vestia preto, sua pele de porcelana parecia delicada demais para se tocar. Ele não via ninguém tão lindo há tempos. Não via Gail tão linda desde que a conhecera.
“Boa noite, Urs.”
“Bem... eu vou pegar salgadinhos.” Sébastien precipitou-se para a mini cozinha. David ameaçou acompanhá-lo e Carlos colocou-se na frente dos dois.
“Vão me deixar aqui sozinho com eles?”
“Não, ignorante. Vamos deixá-los sozinhos. Arrume alguma coisa para fazer e tire o time de campo.”
Carlos olhou para Urs e Gail, que pareciam hipnotizados com os olhos um do outro.
“Tá certo... mas é seu quarto, Sébastien.”
Sébastien fez uma careta, mas David o arrastou para a cozinha.
“É seu quarto, mas a idéia de fazer reuniões lá é sua. Agora aguente... amanhã troque os lençóis.”
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Tatiana
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[ *  *  * ]
CENA 18

Close your eyes, make a wish
And blow out the candlelight
For tonight is just your night
We're gonna celebrate, all thru the night
Pour the wine, light the fire
Girl your wish is my command
I submit II your demands
I'll do anything, girl you need only ask

I'll make love to you
Like you want me too
And I'll hold you tight
Baby all thru the night
I'll make love to you
When you want me too
And I will not let go
Till you tell me to

Girl relax, lets go slow
I ain't got nowhere II go
I'm just gonna concentrate on you
Girl are you ready, it's gonna be a long night
Throw your clothes on the floor
I'm gonna take my clothes off too
I made plans II be with you
Girl whatever you ask me, you know I'll do

Baby tonight is just your night
And I will do you right
Just make a wish on your night
Anything that you ask
I will give you the love of your life.


Mesmo que alguém estivesse presente, não importaria. Estava tão silencioso, tão escuro, tão solitário. Urs aproximou-se perigosamente de Gail, que o olhava fixamente desde o momento que o encontrara. Não havia palavras para representar o que ambos sentiam, e Urs não queria falar nada. Ele não podia estragar aquele momento. Ele não queria sequer pensar em algo. Era mais confortável entregar-se à emoção e deixar-se levar pelo desejo. Ser racional era... cansativo. E ele tentara ser racional a vida toda, tentara agir sempre balanceando sentimentos e razão. “Você é o mais coerente do grupo”, era a frase que ecoava em seu ouvido. Mas ele estava ali, sentindo a eletricidade que emanava do corpo de Gail, ouvindo as batidas aceleradas do seu coração e totalmente envolvido por um misto de sentimentos que o confundiam.

Gail decidira ir ao hotel porque estava também confusa. Ela quis Urs por toda a sua vida, e conseguiu estar presente em diversos momentos. Era a típica fã, aquela desesperada que gritava em frente a hotéis e chegava um dia antes aos shows, só para pegar um lugar bom. Mas estava tão frágil desde que Urs passou a fazer parte de sua vida... não era normal, não era esperado, ela não estava preparada. Queria seu amor, queria sua atenção, e não sabia o que fazer com eles. E o noivado estaria por um fio, ameaçado pela rotina, pelo desamor, pelo que talvez Urs nunca sentira por Valerie. Ela tinha, talvez, uma chance. Que Urs nunca mais lhe olhasse nos olhos. Que Urs nunca mais lhe reconhecesse. Ela tinha uma maldita chance, e pareceria insano desperdiçá-la.

Os dois corpos estavam audaciosamente próximos. Urs sentia a respiração quente de Gail, irregular. Ele afastou-se alguns centímetros e tirou a camisa. Fazia calor, em meio ao frio constante de Dublin. Depois segurou Gail pelo pescoço, com uma das mãos, e puxou-a para junto de si, com a outra. Beijou-a intensamente, língua com língua, como se pudesse devorá-la. Os dois passaram tempo o bastante se beijando. Até Urs jogar Gail sobre as almofadas que ficavam cuidadosamente arrumadas sobre o tapete felpudo que Sébastien adorava. Ali mesmo ele abriu o zíper de seu vestido e o retirou cuidadosamente, certificando-se de beijar cada parte que descobria.
“Urs... eu...” Gail pensou em falar algo, então. Talvez uma coisa que fizesse com que Urs desistisse.
“Psssst...” Ele calou seus lábios com os dedos. “Nada que você falar agora faz diferença. Nada.”

Gail fechou os olhos e deixou-se vencer. Entregou-se sem mais hesitações ao que sentia. Ela realizaria, então, o sonho de muitas mulheres na mesma posição que ela. Aproveitou-se do momento para disfarçar sua total inexperiência. Com facilidade que desconhecia, livrou Urs de tudo que podia impedi-la de tocar sua pele. Os dois corpos passaram a noite ali, nus, embriagados pelo desejo, entregues ao sentimento que lutavam contra, que não costumavam sentir.
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CENA 19

“Arght... mas tinha que ser no meu tapete? Minhas almofadas chinesas estavam ali!!!”
Sébastien resmungava, fazendo cara de nojo, enquanto admirava um croissant. Era manhã. Carlos adormecera pelo sofá, Sébastien e David dormiram por colchonetes.
“Deixa de ser chato, Sébastien... bem que foi divertido.” Carlos respondeu, sonolento, saindo do banheiro. Seu cabelo não era penteado há dias, e havia enormes olheiras em torno dos olhos. Sentou-se à mesa para comer alguma coisa, mas não tinha apetite.
“Divertido? Foi muuuuito melhor do que filme.” David tinha os olhos brilhantes. “Só foi bom porque aconteceu no tapete. Cama é muito chato, banal.”
Urs Bühler apareceu meio vestido na cozinha, onde os rapazes estavam reunidos. A pele amassada demonstrava que não dormira bem acomodado. Vestia uma camisa amarrotada e seus shorts estavam desarrumados. Tinha um semblante feliz, apesar de devastado. Sua presença fez com que os amigos parassem de conversar e voltassem suas atenções para Urs. Afinal, ele era mesmo o assunto principal daquela manhã.
“Onde está Gail?” Carlos quis saber.
“Foi embora.” Disse Urs, desabando em uma cadeira. “Bem fez ela, encarar a sabatina de vocês não vai ser fácil.” Ele já sabia que os amigos o interrogariam.
“Uhu... e o senhor garanhão? Bonita performance, hein?”
“O que, David?”
“Oras... estou falando de ontem. Até que se eu fosse mulher ia querer ir para a cama com você.”
Urs coçou a cabeça, ainda sem ter despertado direito, olhando para os três amigos, que pareciam prestes a explodir em gargalhadas.
“Não vão me dizer que vocês...”
“Quem mandou o senhor não fechar a porta?”
Urs levantou e socou a mesa. Derrubou a jarra de suco no chão, fazendo um estrondo de vidro quebrado. Molhou os croissants antes que Sébastien pudesse saboreá-los e encharcou a mini cozinha. Tudo ficou cheirando a laranja, adoçado, açucarado.
“Você molhou a toalha...” Sébastien ficou imóvel.
“Corja de bastardos!” Urs esbravejou. “Primeiro trazem a mulher aqui, depois ficam nos espionando? Isso é crime! É invasão de privacidade!”
“Cale a boca, Urs.” David deu-lhe alguns tapinhas no ombro, enquanto se levantava para pegar um pano e secar a bagunça. “Não fizemos nada que você também não faria se fosse conosco. E fique tranquilo... aprovamos mesmo sua atuação.”
Urs sacudiu a cabeça e saiu da cozinha. Instantes depois, os três ouviram um estampido, o barulho da porta da frente batendo. Urs ia para seu quarto, sozinho mais uma vez, jogar-se na cama e talvez dormir um pouco. Eles tinham gravações naquele dia, e ele estava um bagaço. Achava Gail maravilhosa, mas surpreendeu-se. Ela era perfeita, muito mais do que ele podia esperar, imaginar.
Tentou não pensar em coisas inúteis e sem resposta e foi diretamente para seu quarto. Queria afogar a cabeça no travesseiro e ali ficar o dia todo. Não tinha tanto tempo, mas aproveitaria o que tinha para ficar quieto, imóvel. Irritou-se com os amigos, mas teve que aceitar que David estava certo. Ele também iria querer espionar os rapazes, se estivessem fazendo algo que ele consideraria proibido.
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CENA 20

Fazia dois dias que Gail não saía do quarto de hotel, não atendia o telefone, não abria a porta para ninguém. Não comeu direito, ficou trancada pensativa, como se o mundo inteiro estivesse pronto para devorá-la, e ela estivesse com medo. Brigitte ligou para o celular, e deixou duzentas mensagens na secretária eletrônica. Queria comentar sobre as notícias envolvendo Urs, o Il Divo, suas vidas amorosas. Gail já sabia demais da vida amorosa de Urs, não queria discutir mais sobre aquilo.
Não que ela não tivesse plena certeza do que queria, quando decidiu ir até o quarto de Sébastien, naquela noite. Gail sabia exatamente o que iria acontecer, e sonhara com aquilo por muito tempo. Não viajava o mundo atrás do Il Divo simplesmente porque os achava bonitinhos, ou gostava da música deles. Sentia sim, uma paixão aterradora por Urs Bühler, e sofria por imaginar que ele jamais poderia lhe pertencer. Era como toda fã. Mas, como em um passe de mágica, seu príncipe dos sonhos desceu do cavalo e entrou subitamente em seu mundo, deixando tudo muito confuso. A porta do quarto de Gail sacudiu em um estrondo, fazendo-a interromper seus devaneios.
“Gail, abra essa porta!” Era Brigitte, aos berros. Gail olhou o relógio, já passava de duas da tarde e ela não tinha almoçado ainda.
“Já vou... estou me arrumando para almoçar.”
Gail colocou uma calça jeans e uma camiseta básica, ajeitou-se em frente ao espelho, pegou sua bolsa e surgiu na frente de Brigitte. Não estava mesmo preocupada com sua aparência, o que não parecia normal.
“Pensei que ia ficar aí para sempre!” Brigitte protestou. “Por que não atendeu o telefone, nem respondeu minhas mensagens?”
“Eu estava me sentindo mal, Brigitte.”
Gail não teve vontade de caminhar para procurar boa refeição. Foi com a amiga até um restaurante natural que havia do outro lado da rua.
“Você se sentindo mal com tudo isso que tem acontecido com Urs? Pensei que estaria arquitetando algum plano diabólico para fisgá-lo assim que ele dê com o pé nessa Valerie.”
“Não quero que isso aconteça, Brigitte...” Gail estava desanimada. “Não sei nem o que quero, na verdade.”
“Você está me escondendo algo, não está?”
“Não. Eu tentei te contar, mas você não acreditou.”
Brigitte pensou um pouco até que se lembrou do dia em que estavam na BMG e Urs chamou Gail para dentro.
“Então me conte agora que vou acreditar.”
Gail coçou a cabeça. Urs não havia pedido segredo, e Brigitte era sua melhor amiga. Não havia motivos para esconder a coisa mais maravilhosa e mais esquisita que já acontecera em sua vida.
“Eu dormi com alguém recentemente.” Foi o que conseguiu sair de sua boca. Soou grosseiro aos ouvidos delicados de Gail.
“Como?” Brigitte engasgou com o chocolate quente que acabara de levar à boca. “Quando? Quem? Isso é... isso é... pensei que você amasse Urs.”
Brigitte era tão fã quanto Gail, mas seu coração batia por Sébastien. Ela sabia que jamais seria correspondida, afinal ele era muito galinha. Mas, assim como ela sabia que amaria Sébastien até o fim de sua vida, tinha certeza que o mesmo acontecia com a amiga. Gail amava Urs acima de tudo, e vivia para um dia poder estar com ele.
“Eu amo Urs. Quero dizer... eu sempre disse que amo, sempre pensei isso. Mas... tem tanta coisa acontecendo que estou confusa.”
“Conta logo, Gail!” Brigitte ficou nervosa. “Para que enrolar que estou ficando ansiosa!”
Gail respirou fundo e contou suas peripécias pela Ásia com o membro do Il Divo, além do jantar e da noite que tiveram juntos. Foi a primeira vez que ela contou aquilo para alguém, e Gail estava nervosa. Ela falava baixo, pausadamente, tentando disfarçar. Mas o semblante totalmente assustado de Brigitte a deixava ainda mais tensa.
“E... bem... eu estou até agora sem digerir o que aconteceu. Para mim, aconteceu tudo e nada, ao mesmo tempo. Eu nunca pensei que fosse me sentir tão... perdida.”
“PERDIDA? Gail, meu Deus... você tem noção do que você está falando?” Brigitte levantou-se no meio do café, e ficou rodando de um lado para o outro, atraindo a atenção de alguns dos presentes. “Você está dizendo para mim que realizou o sonho de qualquer fã mais boboca do Il Divo, e ainda está achando ruim?”
“Não acho ruim. Só... estranho.”
“Você não pode ser normal.”
Gail respirou fundo e fez a amiga sentar-se. O que ela menos queria era publicidade, gente olhando para ela e esmiuçando sua vida. Ela detestava a vida de celebridade por causa dos jornalistas e dos fotógrafos que, sem escrúpulos nenhum, somente para vender revistas e jornais, destruíam a vida de alguém.
“Mas eu sou. Agora acho que sou, antes eu era... obcecada por ele. Agora que ele é real, que ele faz parte do meu mundo, ficou banal. Foi como se o encanto tivesse acabado, e o príncipe virado sapo.”
“Um sapo lindo demais para ser sapo!! Gail, acorda! Estamos falando de Urs Bühler! URS BÜHLER!”
“Sei quem ele é.”
“Me conta como foi.”
“Como foi o que?” Gail franziu as sombrancelhas. Olhou para a comida no prato que escolhera, mas nada lhe parecia apetitoso.
“Oras! A noite com Urs! Quero saber... ele é gostoso? Que pergunta... claro que ele é gostoso! Ele deve ser uma delícia! Ai, quem me dera beijar uma boca daquelas...”
“Brigitte, cale-se!” Gail irritou-se. “Não vou contar nada! Ele pode ser uma delícia, mas é meu! Aconteceu comigo, ele fez amor comigo! Nem vem que ninguém vai beijar aquela boca além de mim”
Gail assustou-se com o que falou, e olhou para Brigitte, incrédula. A amiga divertia-se.
“Você confessou! Finalmente, essa é a Gail que conheço.”
As duas caíram na gargalhada. Gail não conseguiu ficar muito tempo nervosa com Brigitte. Ela havia mesmo confessado, admitido para si mesma, pela primeira vez, que Urs pertencia a ela. Ela sempre achou que pertencia, mesmo depois de anunciar o noivado com Valerie. Urs sempre fora seu homem, aquele que cantava “Ti Amerò” para ela ouvir. Aquele que gravara “Everytime I Look at You” pensando nela. Em todos os seus devaneios, ele sempre fora seu Urs. E, quando ele finalmente passou a poder ser considerado alguma coisa sua, Gail entrou em uma paranóia de amor e fidelidade que deixaria qualquer pessoa que a conhecesse curiosa.
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Tatiana
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[ *  *  * ]
CENA 21

Valerie apareceu na recepção do Paradiso causando furor. Jornalistas e paparazzi disputavam um espaço na rua para fotografá-la, desde a notícia de capa do The Sun, uma semana atrás. Todos queriam ver e gravar de alguma forma a reação da noiva de Urs Bühler quando o encontrasse.
O Il Divo estava na Itália há duas semanas, fazendo shows por todo o país. Encontravam-se em Firenze, e o show aconteceria naquela noite. Valerie chegou no hotel pouco depois que o sol nasceu, acompanhada pela mãe e por Geraldine. Talvez porque as duas vivessem situações semelhantes, estavam sempre se apoiando. Parou na frente do recepcionista, que não sabia o que fazer, e perguntou em que quarto estava seu noivo. Em italiano.
Urs estava dentro da hidromassagem, tentando estancar o sangue que não parava de lhe correr pela face. Ele não tinha contado a ninguém, mas todo mundo já sabia. Ele tentou esconder com sua própria vida, mas em poucos dias estava nas primeiras páginas dos jornais de todo o Reino Unido. Desde que deixara Gail em Dublin e partira em turnê com o Il Divo, sonhava com ela. Dia e noite, mal conseguia dormir. Acordou uma noite e dos seus delírios nasceu uma música. Não era música quando ele escreveu, mas ficou música instantâneamente quando David e Sébastien colocaram as mãos. Eles eram artistas natos.
A música era para Gail. Não havia como esconder que todos os seus sentimentos por Gail estavam ali estampados. Urs nunca fora tão transparente. Mas ele ainda não tinha tomado uma decisão definitiva, se terminava ou não seu noivado com Valerie. Se contava ou não para Gail que sentia-se mais do que apaixonado por ela. Mas os jornais veicularam, e ele não conseguiu negar. “Urs Bühler escreve música para um novo amor.” Como ele iria dizer que não? Como ele mentiria para Valerie? Esconder a verdade era uma coisa. Mentir ele não sabia fazer bem.

“... What makes her so right?
Is it the sound of her laugh,
That look in her eyes?
When do you decide
She is the dream that you seek,
That force in your life.
When you apologise no matter who was wrong,
When you’d get on your knees
If that would bring her home ...”


David estava com ele, rodando de um lado para o outro. A única coisa que podia tirar David Miller do sério era sangue. Fazia com que ele ficasse enjoado, enojado. No dia anterior, Urs falara com a noiva pelo telefone. A briga não foi calma. Urs mal conseguiu falar, Valerie atropelou suas palavras como um animal bravio.
“Vou chamar um médico.” David repetia dezenas de vezes a mesma coisa, com o celular entre os dedos, sem apertar nenhuma tecla. “Vou chamar qualquer médico.”
“David, sente-se pelo amor de Deus. Você está me deixando mais nervoso.”
“Não fique! Vai sangrar mais!”
“Impossível sangrar mais... só se eu perder todo o meu sangue.”
Urs virou a cabeça para trás e ouviu algumas batidas na porta. David correu para atender, qualquer coisa era melhor do que ficar ali. Valerie entrou quarto adentro como um tufão, vermelha, pronta para explodir em palavras agressivas dirigidas a Urs. Encontrou-o boiando em uma espuma vermelha e de cheiro nauseante.
“O que está acontecendo aqui?” Ela não entendeu.
“Não vê que estou me esvaindo em sangue?”
“Vou chamar um médico!” Geraldine prontificou-se.
“Chamem quem quiserem, mas chamem alguém. Acho que estou passando mal mesmo, desta vez.”
Urs mal conseguiu terminar de falar e perdeu os sentidos. Foi socorrido por David, que o retirou da água para impedir que se afogasse. Em poucos minutos, o corredor estava cheio de pessoas estranhas à banda, e uma ambulância parada em frente ao hotel. Geraldine estava quase tão histérica quanto David, ela também não suportava sangue. Fez tanto escândalo no telefone que, mesmo sem falar quase nada de italiano, conseguiu ser entendida. Urs foi levado para um hospital, desmaiado. Foi seguido pelos amigos, pela noiva ainda irritada e por um batalhão de repórteres e curiosos.
Steve Mac apareceu no hospital algumas horas depois que Urs chegou. O divo foi internado e nenhum dos amigos conseguiu entrar para vê-lo. Estavam todos espalhados pela recepção, ansiosos, nervosos. O produtor entrou hospital adentro esbravejando, esquecendo-se do local onde estava.
“O que raios está acontecendo, agora?” Steve agarrou David pelo colarinho.
“Eu não sei direito... Urs começou a sangrar, sangrar, sangrar... e aí desmaiou.”
“Mas será possível? Vocês estão sempre se metendo em confusão!” Steve olhou em volta e viu Valerie. Ela tinha o olhar parado, mas muita raiva transparecendo, saltando de dentro de seus poros. “O que ela está fazendo aqui?”
“Ela chegou hoje de manhã.” Carlos intrometeu-se na conversa. “Acho que ela e Urs brigaram ontem à noite.”
“Claro que brigaram! Urs andou compondo musiquinhas para outra mulher! Se Urs quer compor, ótimo! Mas será que ele não pode esconder suas inspirações e tentar levar esse noivado adiante?”
“Ele não falou nada, Steve... ninguém sabe como isso vazou. Ele só mostrou a música para mim e Sébastien, e ajudamos com o ritmo. Aliás... ficou linda demais.”
“EU SEI QUE FICOU LINDA!” Steve berrou, e foi advertido por uma enfermeira que passava.
Um médico apareceu com notícias de Urs. Por sorte, ele falava inglês. Steve colocou-se à frente para ser ele a receber as novidades em primeiro lugar. Como produtor, ele era um tipo de chefe do grupo. Sentia-se, e era, responsável pelos rapazes e pelo funcionamento da equipe, como um corpo. Eles são todos uns bebezões, pensou, enquanto ajeitava-se dentro do paletó para conversar com o médico.
“Ele teve uma crise nervosa.” Foi o parecer simplório.
“Só isso?” David não entendeu.
“Isso já é muito. Ele teve uma crise, perdeu muito sangue, precisa ficar internado até se recuperar.”
O médico sorriu e deixou todos ali, sem saberem muito o que fazer. Valerie pensou, consigo mesma, que ele merecia passar pelo que estava passando. Afinal, Urs a havia traído, ele a havia magoado demais para sair impune. Geraldine pensava que Urs era um homem fiel, e ficou até feliz por Carlos não ser como ele. Carlos teve um caso, significou uma noite de sexo. Urs compôs uma música... aquilo significava amor. Paixão, que fosse, mas envolvia sentimentos. Ela tinha pena de Valerie... a amiga tinha perdido o noivo. Ele estava, certamente, apaixonado pelo destinatário da canção.
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Tatiana
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CENA 22

“Que música é essa, afinal?”
Carlos Marín perguntou, enquanto distraía-se com um holograma de cartão de crédito. Já fazia quatro horas que os rapazes estavam no hospital, esperando para poder ver Urs. Geraldine dormia no colo do noivo, Sébastien brincava com o celular e David ainda parecia em estado de choque. Apenas Valerie não parecia afetada por nada do que acontecia, como se estivesse indiferente à crise de Urs.
“Isso não interessa agora.” David tentou desconversar.
“Claro que interessa, ela é a causa de toda essa encrenca.” Sébastien aproximou-se para também participar do da conversa.
“Foi uma viagem de Urs ao mundo perdido. Quando ele voltou, tinha uma letra na cabeça, sem ritmo. Eu e Sébastien ajudamos com uma melodia, e então... tchans! Uma linda balada.”
David respondeu a questão sem desconcentrar-se do CD que Sébastien ouvia.
“Quando vamos ouvir?” Carlos ajeitou-se no banco. “Qual é o nome dela?”
“You Don’t Know.” David desistiu de resistir. “É, digamos, um desabafo. Quando eu li, quis que aquilo virasse música. Pense em tudo que já quis dizer para o mundo, mas o mundo nunca ouviu porque você é famoso e eles pensam que você não é gente.”
“Eles pensam que não dormimos, não vamos ao banheiro, não traímos.”
“Cale-se, Sébastien...” Carlos deu-lhe um cascudo.
Sébastien pegou o celular e discou alguns números. Os rapazes o observaram por alguns instantes. Ele certamente não estava ligando para a mãe, pois sempre o fazia pela discagem de voz. Sébastien notou-se observado e foi para um lugar onde pudesse falar sossegado no aparelho. Voltou alguns instantes depois, com uma cara satisfeita.
“O que você estava fazendo?” David quis saber.
“Liguei para Gail.”
“VOCÊ O QUE?” Carlos pulou inconscientemente do banco, acordando Geraldine e chamando a atenção de Valerie. “Você está ficando louco, Sébastien?”
“Só pode ter surtado!” David comentou.
“Surtei nada... o que vocês acham? Gente... Urs já deixou bem claro que gosta dela. De que adianta ficarmos insistindo em uma coisa que ele não quer? Avisei Gail do que aconteceu, e falei para ela pegar o primeiro avião e vir para cá. Eu tenho tentado evitar me meter nesse assunto, principalmente porque todos nós, sem exceção, achamos normal essa coisa de amar uma mulher e dormir com outras. Só que desde que Urs conheceu essa mulher que ele parece outra pessoa... mudou de comportamento.” Sébastien limpou a garganta e bebeu um gole de água. Depois voltou-se novamente para Valerie, que observava tudo com lágrimas nos olhos. “Sinto muito, Valerie... mas Urs está apaixonado por essa Gail. Pode até ser que ele queira ficar com você, mas isso não me pareceria correto.”
Sébastien levantou-se e deixou a recepção. Os presentes ficaram mudos por alguns instantes, sem saber o que dizer. Valerie respirou fundo, pegou sua bolsa e encarou David.
“Quando foi que eu o perdi?”
“Não sei, Val.”
“Digam a ele que não queria causar tudo isso.”
Sem olhar para trás, a mulher encaminhou-se à saída do hospital. Geraldine pensou em impedi-la, mas foi segura por Carlos. Geraldine não queria que a amiga desistisse tão facilmente de Urs, mas até a entendia. Afinal, não foi uma traição comum. Não foi físico, não foi uma noite apenas. Havia algo entre aqueles dois, e talvez fosse melhor para Valerie afastar-se.
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Tatiana
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[ *  *  * ]
CENA 23

No avião, Gail esfregava as mãos, nervosa. Assim que recebeu o telefonema de Sébastien, correu para a casa de Brigitte para contar-lhe o acontecido. Pediu à amiga que fosse com ela para a Itália, pois não se sentia bem para enfrentar aquela situação sozinha. Ela amava Urs, e estava disposta a aceitar muitas coisas por ele. Se não estava antes, passara a estar. Mas ainda era muito cedo para posar de Sra. Bühler para todo mundo. E era o que aconteceria se ela despencasse naquele hospital, todos descobririam que ela era a destinatária da canção.
Brigitte aceitou prontamente acompanhar a amiga, mas não exatamente pela amizade entre as duas. Havia, claro, o interesse no Il Divo. O interesse em aparecer com o Il Divo, em conhecer a banda mais de perto. Em viver uma situação com eles. Ela veria Sébastien. Brigitte sempre sonhou em que Sébastien se interessasse por ela, mesmo que também se interessasse por toda a Europa. Uma noite de amor com ele já a faria a mulher mais feliz do mundo, era como pensava. Gail sabia que a amiga não aceitaria uma noite apenas, depois que acontecesse. Foi exatamente como Denise com Carlos. Nenhuma fanática ficaria satisfeita. Assim como ela, Gail, decepcionou-se quando Urs se interessou por ela pela beleza física. Ela queria mais, e talvez ele fosse dar-lhe aquele mais com que ela tanto sonhara.
“Assim você vai arrancar a pele da mão!” Brigitte irritou-se com Gail, enquanto saboreava uma taça de champagne.
“E você vai chegar bêbada na Itália.”
“Deixe de ser desanimada, Gail Heather!” Brigitte serviu-se de alguns salgadinhos e agradeceu à aeromoça com um sorriso falso. “Primeiro não sabia se ficava ou não com Urs... agora é convidada para ir vê-lo e fica toda quadradona. Que tédio!”
“Não fui convidada para vê-lo, Brigitte. Sébastien me disse que ele está internado, precisando de apoio. Estou indo lá para isso.”
“Sei. E vai dar de cara com a noiva dele por lá. Vai fazer como?”
“Não sei. Acho que vou tentar fugir dela, se estiver no hospital. Talvez David me ajude, ele é simpático.”
“Realmente... para estar com o Il Divo vale qualquer sacrifício.”
“Brigitte... não estou indo lá por causa do Il Divo. Urs está doente, ninguém acredita que vou por causa disso?”
“Claro que vai... Só se você estivesse apaixonada por ele, né, Gail?”

“ ...Wise men say
Only fools rush in
But I can't help
Falling in love with you
Shall I stay ?
Would it be a sin
If I can't help
Falling in love with you ?


Gail olhou para Brigitte sem entender muito bem o que ela queria dizer.
“Mas... todas nós não somos apaixonadas por nosso ídolo?”
“Claro que somos, Gail. Mas é diferente, a relação fã e ídolo é diferente. Você mesmo viu isso, quando ele te convidou para sair você me disse que ele era o sapo, que o encanto tinha acabado...”
“Sim, Brigitte. Mas... eu não sei... agora com você falando... eu acho que fiquei sim, frustrada porque a relação ídolo e fã tinha desmoronado. Mas isso não significa que eu... eu estou apaixonada por ele.”
O piloto avisou que o avião aterrisaria, e as duas amigas pararam de conversar. Em poucos minutos, estavam no belíssimo aeroporto internacional de Firenze. Gail não conhecia a Itália, apesar de ter viajado muitos países da Europa. Brigitte raramente viajava, e parecia encantada com tudo.
Ninguém as aguardava no aeroporto, como já esperava Gail. Ela falava italiano muito mal, e esperava que os taxistas entendessem o que ela tinha a dizer. Tirou do bolso da calça o papel onde tinha anotado o nome do hospital em que Urs estava, e caminhou até a entrada do aeroporto. Gail não achava que fosse ser difícil transitar pela Itália, era um país turístico e todo mundo por ali devia estar acostumado a lidar com desinformados.
Para sorte das duas, o primeiro taxista que encontraram falava inglês, e as levou até o encontro do Il Divo. Tratava-se de um hospital de construção moderna, constrastando com tudo que já tinham visto na cidade, e que tinha a entrada bloqueada por carros, pessoas e flashes.
“Não sei como vamos entrar...” Disse Gail, pensativa.
Pagou o táxi e tentou penetrar na multidão, sem muito sucesso.
“Ligue para Sébastien.” Foi a idéia de Brigitte.
“Mas ele está no hospital.”
Brigitte balançou negativamente a cabeça e tomou o telefone das mãos de Gail. Achava a amiga muito mole, sem iniciativa na maioria das vezes. Ela era capaz de inventar duzentos disfarces para perseguir o Il Divo, mas era incapaz de conversar com eles quando já se conheciam? Não parecia aceitável. Brigitte fez uma busca rápida na memória do celular e encontrou o telefone de Sébastien. Chamou algumas vezes, até uma linda voz atender.
“Sébastien? Meu nome é Brigitte Phillis, sou amiga de Gail. Estamos aqui na porta do hospital e não temos como entrar... tem seguranças, fãs e repórteres por todo lado, o que fazemos?”
“Vou até a porta principal. Aproximem-se.”
Sébastien terminou a frase, desligou o telefone e foi até a entrada do hospital autorizar a entrada das duas amigas. Ficou feliz ao ver Gail, tão bonita.
“Boa tarde, Sébastien.” Gail cumprimentou o divo.
“Boa tarde, Gail... estou feliz em vê-la. Urs não parece muito bem, mas ele chamou por você.”
Gail assustou-se com a notícia de Sébastien.
“Chamou por mim?”
“Sim... bem, ele perdeu muito sangue, e está tendo febre. David e Carlos estão com ele agora.”
A imagem que Gail teve de Urs causou-lhe espanto. Toda a construção do mito Urs Bühler estava desabando pouco a pouco em sua frente, como se feita de areia seca. Lá estava ele, o homem que ela considerava intocável, elevado em um pedestal, sobre-humano, doente e pálido. Quando ela teve a oportunidade de tocá-lo pela primeira vez, ele também estava frágil e indefeso. Ela o vira sangrar, ela o vira transformar-se em uma pessoa normal, de carne, osso e sentimentos. Não era assim que ela o via antes, e não sabia se vê-lo daquela forma a deixava mais apaixonada ou mais assustada.
Urs voltou-se para ela e sorriu. Seus olhos adquiriram um brilho diferente, e ele pediu que os amigos saíssem e os deixassem a sós.
“Precisamos conversar.” Ele disse para Carlos. Pediu apenas para ficarem por perto, caso Gail precisasse deles.
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CENA 24

“Acho melhor você ficar quieto, Urs...” Gail tentou desconversar, depois que todo mundo saiu e a porta fechou-se atrás deles. O quarto em que Urs estava era luxuoso, mas parecia haver muito pouca vida.
“Não preciso ficar quieto. Já estou bem, apesar de não parecer. Quero dizer... ainda estou meio anêmico porque perdi sangue, mas isso eu recupero logo.”
Seus olhos castanho-esverdeados estavam mais coloridos, circundados de um vermelho intenso. Gail sentou-se ao lado dele, na cama.
“O que você quer? Foi você quem me chamou aqui?”
“Sébastien te ligou sem eu saber. Mas eu te chamei, sim. Como disse, precisamos conversar.”
“Sobre?”
“Eu te amo, Gail.”
Urs falou aquilo sem hesitar, sem pensar, sem se preocupar com a repercursão. Ele simplesmente sabia o que queria, e pela primeira vez na vida pensava somente em si mesmo. Não se importava com a imprensa, com os amigos, com a família. Pensava em si, em seus sentimentos, em sua vida.
Gail arregalou os olhos. Ela sabia o que sentia, não esperava nada de Urs. Mesmo com a música que ele lhe compusera, ela não esperava nada.
“Urs, você está sob efeito de remédios.”
“Claro que não.” Urs sentou-se na cama e ajeitou o travesseiro atrás dele. “Acho que pela primeira vez eu não estou. Estou vendo tudo tão claro na minha frente... foi preciso achar que ia morrer para valorizar meus sentimentos.” Urs olhou significativamente para Gail, e acariciou sua face com os dedos. “Eu só percebi o que sentia quando acordei e escrevi You Don’t Know. Realmente, ninguém sabe, nem você, nem eu.”
“Mas... você é noivo, tem uma vida pela frente... é famoso, eu não sou nada, ninguém.”
“Eu te amo. Mesmo que você não me ame, não faz diferença. Valerie foi embora, acho que Sébastien conversou com ela. Depois eu mesmo vou dizer que tudo acabou, sem amor eu acho que não dá.” Urs sorriu, como se tivesse descoberto uma novidade. “Eu te amo... é tão bom dizer isso!”
Gail levantou-se e caminhou em círculos, falando coisas com pouco nexo.
“Urs, você não pode me amar. Você é famoso, você é rico, você é lindo, você é o sonho de mais da metade de todas as mulheres européias. Eu não tenho nada para te oferecer, eu não acrescento nada, eu sou apenas mais uma. Você tem noção do que uma mulher dessas é capaz de fazer para te ver, para ter você na vida delas, na cama delas? Você me amar é uma coisa irracional, não é normal...”
“Agora acho que você está sob efeito dos remédios...” Urs brincou, enquanto tentava desvencilhar-se de alguns tubos. Preocupava-lhe a reação de Gail em relação à sua “confissão”. Preocupava-lhe o fato de ela nunca ter encarado de forma simples os sentimentos que ele apresentava. Urs não estava interessado em outras fãs, para ele elas eram chatas. Na grande maioria das vezes, chatas. Apenas mulheres histéricas a fazer escândalo onde quer que ele estivesse. Aquilo nunca lhe acrescentou nada; ele se sentia invadido, despido por elas. Mas com Gail era diferente. Ela não apareceu para ele como uma fã. Ela colocou-se no caminho dele de forma sutil e ele foi sugado sem piedade por seus olhos negros, por sua pele macia, por seu sorriso.
Não havia como fugir dela, pensou. Seja porque fosse uma fã, seja porque fosse uma mulher ímpar, seja porque ele estava atraído. Mas ele não entendia por que ela insistia em achar uma anormalidade os seus sentimentos.
“Estou confusa, Urs. Agora, ainda mais confusa.”
“Só porque eu disse que te amo?” Urs puxou Gail para perto novamente, fazendo com que ela o olhasse nos olhos. Profundamente, deixou sua pele tocar a dela. “Pensei que fosse tudo que você quisesse, desde o início.”
“Eu quero!” Gail não pareceu mais calma. “Mas eu não sei o que fazer com isso! É... é muito fácil te amar sem precisar fazer nada para que você me ame também. Eu não pertenço ao seu mundo, como vou fazer você me amar sempre? Como vou manter o que você sente por mim? O que eu vou fazer se, em uma semana, você descobrir que eu fui uma aventura e não significo mais nada em sua vida?”
Urs abraçou Gail, não se importando com o monte de agulhas que lhe colocaram no braço. Abraçou-a forte, fê-la sentir-se calma em seus braços. Cansado de esperar do lado de fora, Sébastien e David entraram, curiosos. Carlos foi o único que respeitou a privacidade do amigo, mas também estava morrendo de curiosidade para saber o que os dois tanto conversavam. A cena que viram foi um beijo que desconheciam. Sébastien e David nunca beijaram uma mulher apaixonadamente, com sentimento. Não conseguiram entender o quanto profundo era aquele beijo, mas entenderam que era... diferente.
“Eu já disse que amo você. Não amo você por uma semana, não amo você porque você é assim, linda. Eu sinto por você uma coisa que nunca sentira por ninguém. Isso só eu sei, só eu posso medir. Você precisa acreditar em mim, assim como eu acredito que você...”
“Que eu te amo.” Gail completou a frase. Ela ainda não havia dito aquilo para ele, apesar de já ter gritado duzentas vezes a mesma coisa em shows, em reuniões de fã-clube.

I don't know but I believe
That some things are meant to be
And that you'll make a better me
Everyday I love you
I never thought that dreams came true
But you showed me that they do
You know that I learn somethng new
Everyday I love you
'Cos I believe that destiny
Is out of our control (don't you know that I do)
And you'll never live until you love
With all your heart and soul.
It's a touch when I feel bad
It's a smile when I get mad
All the little things I am
Everyday I love you
Everyday I love you boy
Everyday I love you
'Cos I believe that destiny
Is out of our control (don't you know that I do)
And you'll never live until you love
With all your heart and soul
If I asked would you say yes?
Together we're the very best
I know that I am truly blessed
Everyday I love you
And I'll give you my best
Everyday I love you
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CENA 25

Gail estava pronta para mais um show do Il Divo. Seus olhos brilhavam, radiantes. Era o primeiro show da nova turnê, a primeira apresentação magnífica do novo CD. Claro que ela já havia acompanhado toda a trajetória da banda, desde o lançamento das músicas até aquele momento. Mas aquele show era especial.
Olhou-se pela última vez no espelho que carregava dentro da bolsa, antes de ser arrastada por Brigitte. Ajeitou a faixa na cabeça, fazendo as palavras “URS I ♥ YOU” aparecerem com mais destaque. Vestia uma camiseta branca, com a letra de “You Don’t Know” pintadas em silk-screen. Ela era completamente apaixonada por aquela música, e seria mesmo que a música não tivesse sido feita para ela.
“Não sei como você pode insistir em ficar na platéia...” Brigitte conjecturava, enquanto as duas entregavam os ingressos na entrada do maior estádio de Belfast.
“Fique quieta, Brigitte. Não existe lugar melhor para se ver um show do que ali, pertinho do palco.”
Ainda faltavam duas horas para o show, mas o teatro já estava praticamente lotado. Havia um som ruidoso saindo do palco, o que significava que estavam afinando os instrumentos. As duas amigas se encontraram com os outros membros do fã-clube e acomodaram-se bem em frente ao palco. Talvez não houvesse fã mais ansiosa do que Gail, mas ela tentava se controlar. Coisa que ela não sabia fazer muito bem, se controlar, mas ela estava aprendendo dia a dia.
Havia ainda um segredo que ela não podia revelar, um porém que Brigitte sabia, mas guardava a sete chaves. Gail tinha um segredo que poderia impedí-la de assistir aos shows como gostava, mas que tão logo seria revelado. Ninguém conseguia esconder-se do mundo por muito tempo, e era exatamente o que ela fazia. Escondia-se sem esconder-se.
As luzes se apagaram e o Il Divo foi anunciado. Todos gritavam ao mesmo tempo quando os rapazes apareceram no palco, vestindo Armani e cantando. Não havia um show deles que não fosse maravilhoso, ou que não deixasse as fãs enlouquecidas. O momento que comoveu Gail, diferentemente de sempre, não foi quando o Il Divo cantou Somewhere durante o bis. Era o momento que a fazia delirar, sempre, mas naquela noite ela queria ouvir You Don’t Know. Ela queria saborear cada segundo da canção que lhe fora dedicada, na voz de Urs, o grande amor de sua vida. Não negaria mais que o amava e não se importaria mais em amá-lo. Não mais como uma fã ama, mas como mulher.
Ao fim do show, Gail desapareceu na multidão e foi até o backstage. Claro que outras fãs mais espertas já estavam ali, e que muitas outras chegariam, mas ela não se importou. Enrolou a faixa que segurava e colocou-a no bolso de trás da calça, caminhando lentamente, passos firmes, em direção ao camarim do Il Divo. De onde estava, podia ver os rapazes cansados, jogados em um sofá, agarrando-se a toalhas para enxugarem o suor que lhes corria pelo corpo. Desejou secretamente estar ali, fazer alguma coisa diferente de cada show. Mas os seguranças cercavam a porta, a imprensa montava seu aparato jornalístico e as fãs se esgoelavam.
Meia hora depois, os rapazes começaram a sair, um a um. Carlos sorriu, deu “tchauzinhos” e entrou na van, que excepcionalmente os transportava, aquele dia. Sébastien e David sairam juntos, ofereceram autógrafos, tiraram fotos e deram beijos nas fãs. Populares, simpáticos, mulherengos. Os dois queriam as mulheres, não as fãs. Urs saiu por último, esgotado, suado, o cabelo já cacheado novamente. O coração de Gail bateu mais forte. Ela tentou se aproximar, mas um segurança a deteve.
“Urs!” Gritavam as fãs. “Urs!”
Gail não consegui falar nada. Respirou fundo e estava disposta a aceitar o que lhe era destinado. Estar nos bastidores, sempre. Urs olhou para ela e sorriu.
“Deixe-a passar.” Falou no ouvido do segurança. “Ela é Gail Bühler, minha esposa.”


There was a time
I was everything and nothing all in one
When you found me
I was feeling like a cloud across the sun
I need to tell you
How you light up every second of the day
But in the moonlight
You just shine like a beacon on the bay
And I can't explain
But it's something about the way you look tonight
Takes my breath away
It's that feeling I get about you, deep inside
And I can't describe
But it's something about the way you look tonight
Takes my breath away
The way you look tonight
With your smile
You pull the deepest secrets from my heart
In all honesty
I'm speechless and I don't know where to start
And I can't explain
But it's something about the way you look tonight
Takes my breath away
It's that feeling I get about you, deep inside
And I can't describe
But it's something about the way you look tonight
Oh! Takes my breath away
The way you look tonight
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tatidtmr
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Tatty como eu nao tinha nada para fazer de madrugada...

aki eram 5 am li essa historia e gostei, confusaio, revolto, paixao, casamento e divos...

xxx

tati
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tatidtmr
Jun 12 2006, 12:16 PM
Tatty como eu nao tinha nada para fazer de madrugada...

aki eram 5 am li essa historia e gostei, confusaio, revolto, paixao, casamento e divos...

xxx

tati

:lol:

Que bom que leu... serviu para preencher o tempo morto :)

Vais gostar mais da continuação... 10x mais confusão e paixão e revoltas... e quase tudo em torno do seu baixinho ;)
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tatidtmr
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tati
Jun 12 2006, 09:18 AM
tatidtmr
Jun 12 2006, 12:16 PM
Tatty como eu nao tinha nada para fazer de madrugada...

aki eram 5 am li essa historia e gostei, confusaio, revolto, paixao, casamento e divos...

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Que bom que leu... serviu para preencher o tempo morto :)

Vais gostar mais da continuação... 10x mais confusão e paixão e revoltas... e quase tudo em torno do seu baixinho ;)

ve la o ke vc vai fazer com o meu baixinho...

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tatidtmr
Jun 12 2006, 12:21 PM
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Jun 12 2006, 09:18 AM
tatidtmr
Jun 12 2006, 12:16 PM
Tatty como eu nao tinha nada para fazer de madrugada...

aki eram 5 am li essa historia e gostei, confusaio, revolto, paixao, casamento e divos...

xxx

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Que bom que leu... serviu para preencher o tempo morto :)

Vais gostar mais da continuação... 10x mais confusão e paixão e revoltas... e quase tudo em torno do seu baixinho ;)

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