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| [FF] Unmistakable; *terminada!* | |
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| Tweet Topic Started: Jun 12 2006, 12:14 AM (272 Views) | |
| Tatiana | Jun 12 2006, 12:14 AM Post #1 |
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| Tatiana | Jun 12 2006, 12:15 AM Post #2 |
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Notas sobre as músicas: 1) Apesar de ter uma música como inspiradora, não considero Unmistakable uma song fic. 2) Várias músicas aparecem durante o texto. Vamos aos créditos (em ordem de aparição): You Don’t Know, por Westlife; Sorry Seems to be the Hardest Word, por Elton John; I Wanna Grown Old With You, por Westlife; Strong Wind, por Air Supply; Better Man, por Robbie Williams; Original Sin, por Elton John; I Want Love, por Elton John; Baby, Can I Hold You?, por Tracy Chapman; I Know Him so Well, por ABBA; Close, por Westlife; How You Gonna See me Now, por Alice Cooper; I’ll Make Love to You, por Boyz II Men; What Makes a Man, por Westlife; Can’t Help Falling in Love, por Elvis Presley; Everyday I Love You, por Boyzone; The Way You Look Tonight, por Elton John Nobody knows me Yet everyone knows my name Some people judge me Not knowing that I’m the same Thanks for the offer But I keep my old friends, always But then I get lonely Counting the endless days Are you here for me at all? Do you care for me at all? Well this time now I know I ain’t standing alone no more Cos all I want is love Someone who can share the pain I feel And the eyes that stare Won’t stare at me no more Cos all I need is time Time for me to open up and show The person I am The person you think you know You don’t know You don’t know Some heartfelt emotion Creeping from deep inside Cos being this person Is all I’ve got left to hide Are you here for me at all? Did you care for me at all? Last time I was told I ain’t standing alone no more All I need is love Someone who can share the pain I feel And the eyes that stare Won’t stare at me no more And all I need is time Time for me to open up and show The person I am The person you don’t know You don’t know You don’t know CENA 01 Carlos rodava de um lado para outro do camarim. Sentia um enjôo terrível, como se fosse ele a ter um filho. Filho... aquela palavra soou engraçado. Carlos não era fã de crianças, nunca fora. Mas ao mesmo tempo... secretamente ele desejara ter um filho. Desejou ter um filho com Geraldine, sua noiva, amiga, sua companheira. Ninguém duvidaria que ele e Geraldine se casariam e teriam filhos. Uma linda família. "Tem notícias dela, Carlitos?" A voz de Sébastien trouxe Carlos de volta à realidade. Faltavam algumas horas para o show começar... "Não." O amigo deu de ombros e saiu, deixando a porta entreaberta. Carlos sentia a queimação cada vez mais forte. Talvez ele tivesse uma úlcera, mas não se sentiu com tanta sorte. Só conseguia pensar em Geraldine... ela jamais o perdoaria. Assim que ela descobrisse, assim que todos descobrissem, ele seria desgraçado. Maldita hora em que conheceu aquela mulher... maldita! Carlos pegou-se socando a parede. O sangue lentamente lhe escorreu pelos dedos, caindo sobre a calça branca. Tudo manchado, e o show seria em apenas algumas horas. "Maldição!" Berrou o divo, procurando toalhas para tentar se limpar. Não havia água por ali... David e Urs apareceram, assustados com o grito do amigo. "O que está acontecendo, Carlos?" Perguntou Urs, tentando ajuda-lo a parar o sangramento. "Manchei a porcaria da calça! E agora?" "Isso é o de menos! Vou chamar um médico para ver sua mão." David pegou o celular e discou alguns números, mas foi interrompido pelas mãos sangrentas de Carlos. "Não... não quero alarde sobre isso. Vão pensar que eu surtei." "Há muito tempo, Carlos" Foi a resposta de Urs. "Isso tem a ver com Denise, estou certo?" "Claro que sim... claro!" Carlos esbravejou mais um pouco. Ele já havia voltado a rodar pelo camarim. Os outros dois não sabiam o que fazer para acalmá-lo. "Como poderia não ter a ver com ela? Ligaram do hospital." "E?" "E? E que ela está em trabalho de parto. Não entende, Urs? Logo não vou conseguir mais esconder essa criança... todos vão me crucificar, e Geraldine... meu Deus, ela jamais me perdoará! Jamais!" Urs coçou a cabeça. Carlos vivia fazendo besteiras... se ele tivesse uma garota como Geraldine, nunca pensaria em traí-la com ninguém. Ainda mais com uma fã maluca. Urs sabia que tinha sido uma noite apenas. Uma noite apenas que foi o suficiente para que Denise engravidasse. Carlos tinha ficado completamente louco desde então. Tentou de todas as maneiras sumir com Denise, mas ela tinha se tornado insuportavelmente grudenta. E qualquer tentativa de afastá-la, surgia a ameaça de que ela contaria tudo para todo mundo. Não havia mais remédio, todos sabiam que uma hora a verdade se revelaria. Seria melhor que Carlos tomasse a atitude de contá-la. |
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| Tatiana | Jun 12 2006, 12:16 AM Post #3 |
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CENA 02 "Carlos está bem?" Sébastien perguntou a David, instantes antes do Il Divo entrar no palco. "Não... ele recebeu um telefonema de Belfast. Denise está para ter o bebê." "Ah..." Sébastien franziu as sombrancelhas. Nada daquilo o atingia, ele se sentia tão anestesiado... os problemas sexuais e as maluquices dos amigos geralmente não o deixavam preocupado. Nem mesmo o fato de Carlos ter jogado seu relacionamento de anos no esgoto deixava Sébastien chateado ou perturbado. Ele faria como sempre, entraria no palco e tentaria sua melhor performance. Como se esperava, o show foi apoteótico. Eles estavam cantando para uma de suas melhores platéia, a asiática. Tocar em Kwala-Lupur sempre foi uma faca de dois gumes. Fãs desesperadas que chegavam a agredi-los, mas que ao mesmo tempo pagavam muito caro para vê-los. E compravam todos os seus discos. Era um bom ambiente para o Il Divo. E, como deveria ser, eles fizeram seu melhor no palco. Mesmo com Carlos totalmente dopado por analgésicos, para tentar não desabar em frente a algumas quatrocentas mil pessoas. "Sempre disse que esses relacionamentos com fãs não funcionam." Sébastien foi categórico, enquanto degustava um Martini. A banda já estava no saguão do hotel, onde uma recepção de alto estilo os aguardava. Havia jornalistas, críticos, puxa-sacos e fãs sortudas que conseguiram uma passagem para o paraíso. "Não me venha com essa, Seb! Você é o cara mais mulherengo do grupo!" "Sou mulherengo, mas não arrumei um filho." "Ainda..." David profetizou. "O que quer dizer com isso?" "Nada... só estou dizendo que, do jeito que você age, vai acabar como Carlos." Sébastien deu uma gargalhada debochada e deixou o grupo de amigos, indo procurar Laurent. Aparentemente, o amigo ex-companheiro de trupe era o único que o compreendia. Ele entendia as necessidades de David e o apoiava, ao invés de tentar dar-lhe lições de moral fajutas. A recepção estendeu-se pela noite, ignorando o cansaço que se abatera sobre os membros da banda. A imprensa era incansável. Toda hora fotos, entrevistas, perguntas. Sébastien conseguira escapar e já estava dormindo ao lado da mulher. Carlos não ousaria sair dali e despertar atenções sobre ele. A notícia do nascimento da filha já havia chegado por telefone... Urs recebera a ligação fatal. E mais, sabia ele ainda que a menina se chamaria Carla, em homenagem ao pai. O que ele faria para calar Denise ele não sabia, mas tentaria tudo. |
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| Tatiana | Jun 12 2006, 12:17 AM Post #4 |
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CENA 03 Urs estava com os olhos quase fechando, desejando estar em outro lugar. Tinha consigo o celular de Carlos, que não queria falar com ninguém. O celular de David, que queria enganar que já tinha subido. O celular de Sébastien, que já estava muito bêbado para atender ao telefone. E o seu celular, que tremia sobre a mesa. Ele ignoraria a chamada pela quinta vez. Seus músculos estavam parando de funcionar lentamente. "Como estou me divertindo..." Pensou, instintivamente. Começou a embaralhar os rostos das pessoas em sua frente. Viu-se claramente rodopiando pelo salão, dançando uma valsa tradicional com sua irmã. Era um absurdo... ele não poderia estar dançando valsa. Nenhuma valsa tocava naquele momento... Enquanto pensava, Urs ouviu um barulho de água caindo. Virou-se para ver, e encontrou uma garota. Uma mulher. Uma desconhecida. "Céus!" Gritou o rapaz, assustado. Urs foi então capaz de dar conta que não estava mais no salão de festas, e sim em seu quarto de hotel. "Onde estou? Quem é você? O que está fazendo aqui?" A pequenina mulher, cabelos castanhos e olhos misteriosamente amendoados, segurava um pano branco umedecido. Chovia com intensidade do lado de fora, fazia um frio quase insuportável. Urs podia ouvir o barulho do aquecedor funcionando, mas tinha certeza que estava sendo em vão. "Calma... uma pergunta de cada vez." Disse a estranha, sentando-se ao lado de Urs. "Você está no seu quarto... meu nome é Gail e estou aqui porque não consegui ninguém para te trazer." "Me trazer como assim?" "Encontrei você dormindo sobre uma mesa no bar... e percebi que estava ardendo em febre. Procurei os outros divos, mas estavam muito ocupados ou desaparecidos. Não consegui ajuda de mais ninguém, então um garçom me ajudou a trazer você para cima. A chave, peguei no seu bolso." Urs fitou a garota por alguns instantes. Estava difícil assimilar tudo que ela tinha falado... sim, era Gail. Mas... quem era exatamente aquela Gail? O que fazia ali na recepção? Por que se incomodara com ele, se os outros amigos o ignoravam? "Desculpe se assustei você." Disse a mulher, enquanto colocava o pano frio sobre a testa de Urs. "Estou tentando abaixar sua febre a horas, mas não consegui." Ela mostrou o termômetro marcando 39o. de temperatura. "Desculpe-me digo eu." Urs deitou-se novamente, sentindo uma tontura estranha. Ele não se lembrava de estar doente. Quem andava sentindo enjôos era Carlos. "Obrigada por me trazer aqui. Você pode ir agora para seu quarto." A moça sorriu. Seu sorriso deixou o quarto mais claro, praticamente cegando Urs e seus olhos avermelhados pela febre. "Não estou hospedada aqui..." "Não? E... como está aqui, então?" Urs chegou a ter certeza que estava sonhando, mas não tinha intenções de acreditar realmente nessa possibilidade. "Vim para a recepção." Aquelas palavras deixaram Urs apreensivo. Se ela estava no hotel para a recepção, só poderia ser duas coisas: ou jornalista ou fã. E uma jornalista jamais teria toda aquela atenção com ele... Urs sentiu um arrepio que lhe percorreu todo o corpo. Ele tinha... medo das fãs. "Ah..." Disse, esquivando-se para o lado. Estava deitado em sua cama de casal, ele sempre pedia quartos com cama de casal. E aquela tal Gail estava ali, nada a impedia de pular sobre ele e literalmente tirar proveito da situação. "Bem... de qualquer jeito, posso ficar sozinho agora." "Não acho prudente... você estava delirando há alguns minutos." "Não estou mais. Aliás, acho até que vou voltar para o saguão." "Ok, então." Gail deu um suspiro desanimado, e deixou o pano úmido sobre a pia do banheiro. Ela deveria sentir raiva de Urs... mas não conseguiria. Sentia-se triste, tivera a oportunidade que as outras fãs sonhavam e não conseguiu fazer Urs gostar dela. Não conseguiu com que ele simpatizasse com ela. Era como se ele tivesse... morrendo de medo dela. Gail sentia isso. A mulher deixou o quarto de seu 'Lifer favorito e desceu pelo elevador até a recepção. Disse "tchau" para algumas amigas e saiu. Sem dizer o que estivera fazendo na última hora. |
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| Tatiana | Jun 12 2006, 12:18 AM Post #5 |
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CENA 04 O sol fraco da manhã invadiu o quarto frio de hotel. Sébastien estava bastante acostumado àquela cena todos os dias. Ele passava mais tempo em um hotel do que em sua própria casa, sentia às vezes que não tinha casa. Procurou por seu celular, em vão. Não lembrava que tinha deixado o aparelho com Urs, mas sabia que não estava em seu quarto. Precisava falar com a família... fazia muito tempo que ele não via a família. "Carlos!" Sébastien bateu forte na porta do quarto de Carlos Marín. Sua voz poderia ser ouvida a quilômetros. "Vamos, abra a porta. Preciso entrar." "Você não tem seu próprio quarto, droga?" Esbravejou o amigo, abrindo apenas metade da porta. "Vamos... preciso telefonar." "Por que não liga do seu quarto? Ou do seu celular?" "Não sei onde ele está." Sébastien invadiu o quarto, aproveitando um descuido de Carlos. Antes de conseguir falar alguma coisa, observou como estava tudo bagunçado. Como se Carlos tivesse passado a noite toda com um tornado, retirando bruscamente cada coisa do lugar. Olhou para o amigo, procurando uma explicação. Carlos estava lá, em pé, sem roupas, barba por fazer e cheirando a tequila. "Caramba, Carlos... vê se acostuma a vestir alguma coisa para dormir." "E vê se acostuma a não invadir o quarto dos outros assim. Fala, o que você quer? Não dormi nada essa noite." "Estou vendo... a não ser que tenha sonhado que estava destruindo toda a costa leste do Pacífico." Carlos fez uma careta de deboche e vestiu um short. Enrolou-se no cobertor para amenizar a temperatura. "Cadê seu celular?" Sébastien começou a revirar o que já estava fora do lugar. "Não sei... deixei com Urs, mas não o vi mais. Acho que ainda está com ele, provavelmente no quarto dele." "Então invadi o quarto errado." "Percebe-se." Sébastien fitou o amigo por alguns instantes. "Você está um lixo. Tome um banho, faça a barba e vamos tomar um café. Verei se Geraldine ligou." Saiu, batendo a porta atrás de si. Era comum de Sébastien se sentir papai do grupo todo. Ele era o mais novo, mas não se sentia como tal. Deveria ser o que menos fazia besteiras... o único que não tinha uma mulher em sua vida. Claro... mulheres eram boas, mas davam muita dor de cabeça. Seu último relacionamento fora um fracasso total. Lauren sequer falava com ele depois que terminaram, e ele nem sabia por que a tinha magoado tanto. |
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| Tatiana | Jun 12 2006, 12:18 AM Post #6 |
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CENA 05 O quarto de Urs tinha a porta aberta. Sébastien encostou os ouvidos para ver se alguém tinha feito companhia ao amigo. Urs andava tão estranho, Sébastien notara. Ele sempre percebia as coisas, e ninguém dava crédito algum a seus comentários. Urs estava silencioso, e Sébastien resolveu entrar. O quarto estava todo escuro, e o divo abriu bruscamente as cortinas, fazendo um rangido chato. Urs pulou da cama, assustado. Havia sangue em seu lençol, sangue em seu travesseiro. "Bom dia, Shan... o que houve?" Perguntou o amigo, pegando a fronha para examina-la. "Você se machucou?" "Acho que não... foi meu maldito nariz. Eu estava com febre, acho que ainda estou. Estou... tendo delírios estranhos." Sébastien sorriu, e abriu as portas do armário. "Onde está meu celular?" "Ah... não sei." Urs levantou-se e procurou alguma coisa para vestir. Seu corpo ardia, todos os seus músculos doíam, sem faltar nenhum. "Procure por aí." "Quer que eu chame Steve?" Urs fitou o amigo, enquanto decidia-se por uma calça jeans escura ou clara. Nem doente deixava de lado a aparência. Claro que ele não era David, o rei da vaidade, o homem que precisava de duas horas para se vestir para ir à padaria. Mas ele não podia sair por aí mal vestido. "Para que?" "Talvez você precise de um médico." "Posso ir ao médico sozinho. Aliás... ontem, quando fiquei doente, ninguém se preocupou comigo! Precisei subir... sozinho. Para falar a verdade, tive um sonho muito estranho." Sébastien sentou-se no sofanete. Se Urs tinha dito sobre um sonho era porque queria falar sobre ele. Geralmente Urs não falava demais. O amigo era econômico nas palavras, só falava o necessário. E aquilo que queria. "Conte-me." "Bem... havia uma garota." Urs colocou o termômetro que estava sobre o criado mudo. "Acho que seu nome era Gail... ela tinha me trazido para o quarto e me ajudado. Estava cuidando de mim, mas fiquei com medo dela. Ela era... uma fã." Sébastien caiu na gargalhada, ao mesmo tempo em que o quarto foi invadido por David. Olhos inchados e arrocheados de tanta vodca. "Estou precisando de um café." Falou, desabando ao lado de Sébastien. "E eu acho que vocês estão todos com síndrome de Carlos Marín. Você também anda com medo de fãs, David?" "Depende... homens ou mulheres?" "Mulheres... claro!" "Está me estranhando, Sébastien? Está para nascer o dia em que David Miller terá medo de uma mulher. Elas que geralmente têm medo de mim... hehehehe." Urs deu de ombros, chateado porque os amigos estavam rindo de seu problema. Para ele era um problema. Carlos estava com a vida praticamente arruinada por causa de uma fã. Dois irresponsáveis que não pensaram nas conseqüências; e um inocente havia nascido em meio àquela sandice. Os três desceram para o restaurante, ansiosos por comer alguma coisa. E por não encontrar ninguém conhecido, ninguém pedindo autógrafos. |
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| Tatiana | Jun 12 2006, 12:19 AM Post #7 |
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CENA 06 "Tem certeza que sonhou com essa garota, Urs?" Sébastien perguntou enquanto escolhia que fruta comeria. Sempre enjoado para comer. "Que garota?" David, curioso. "Sei lá... Urs me disse que ontem, enquanto ardia em febre, delirou sonhando com uma tal Gail, mas teve medo dela." "Hum... isso foi uma premonição." David desdenhou. Urs apenas escutava os amigos rirem mais uma vez de si. "Como assim?" "Oras... sempre achei que esse cara fosse gay. Agora, a confirmação. Urs Bühler com medo de mulher... que piada!" "Cale a boca, David!" Urs exaltou-se. Seu nariz sangrou de novo. "Não se meta onde não é chamado! E você, Sébastien... cale-se também. Tenho certeza que foi sonho, só pode. De onde teria surgido aquela... aquela..." Enquanto Urs resmungava, seus olhos lhe traíram mais uma vez. O sangue pingou sobre a toalha do hotel, e em sua frente surgiu a moça de olhos amendoados. A mesma moça que estava em seus sonhos... sonhos? Ela lhe estendeu um guardanapo vermelho. "Aceita um guardanapo, Mr. Bühler?" Sébastien e David também ficaram estáticos, prestando atenção no que estava acontecendo. David achou tudo estranho. E Sébastien... era uma mulher bonita. Talvez ele pudesse investir. "Você... Gail?" A mulher sentiu suas faces corarem, seu coração acelerou. What have I gonna do to make you love me? What have I gonna do to make you care? What do I do when lightning strikes me And I wake to find that you're not there? "Sim... deseja mais alguma coisa?" Urs limpou o nariz e fez uma leve pressão com a cabeça para cima. Ele detestava aquela situação. Detestava sangrar sempre. Quando ficava nervoso, quando ficava triste, quando ficava feliz, quando ficava doente... em qualquer condição extrema de seu corpo ele respondia com sangue. "Sim... não... quer dizer... obrigado." Gail sorriu e retirou-se. Urs pode observar que ela vestia uniforme do hotel, então só podia trabalhar ali. "Vai nos contar o que houve, Urs?" David, curioso de novo. "Se eu entendi... aquela era a garota do sonho." "Então não foi um sonho." Sébastien chamou um garçom e pediu mais café. Ele andava meio viciado em cafeína. E Coca Cola não estava servindo mais. "Parece que não, ou nós dois também estaríamos participando da piração de Urs." David foi enfático. "Não é piração! Meu Deus, como vocês dois são irritantes!" Urs levantou-se da mesa deixando seu café para trás. Foi para o saguão pensando em ler alguma coisa, mas seu nariz não deixava. Talvez ele precisasse mesmo de um médico, pensou. Sentiu sua temperatura subir novamente. Maldita febre! |
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| Tatiana | Jun 12 2006, 12:23 AM Post #8 |
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CENA 07 Louis Walsh encontrou seu pupilo afundando no sofá verde musgo da recepção do hotel, escondido em meio a jornais e revistas velhas. Urs estava lá, praguejando contra o mundo inteiro, desejando que todos fossem para o inferno. Que o mundo explodisse, ele pensava. Estava se chateando com tudo, desde que viajara para a Ásia e deixara Valerie na França. "Também, foi ela quem me deixou! Ela quem não quis vir!" Pensava ele, desejando que a namorava estivesse por perto. "Está vivo, Urs Bühler?" A voz estridente de Steve espalhou-se pelo ar. Urs levantou um olho, não querendo falar com o produtor. Deu um sinal de vida e voltou-se novamente para a leitura. "Não estou a fim de papo." "Nossa... o que deu em vocês todos?" Louis começou a reclamar. "Carlos não abre a porta do quarto, David e Sébastien parecem ainda bêbados de ontem, e você, justo você! Nesse mau humor todo!" "Por que justo eu?" Louis sorriu. "Porque você geralmente é o membro mais coerente da banda, meu rapaz." O produtor deu um tapinha nas costas de Urs e saiu. Coerência... palavrinha estranha no vocabulário de Urs. Àquela ele não estava acostumado. Geralmente era chamado de careta, sem sal, desanimado, chato. Mas coerente? Mais uma vez, percorrendo os olhos ao redor ao mesmo tempo que desejava não ver ninguém, Urs vislumbrou a imagem de Gail. "Não acredito!" Pensou. Pensou tão alto que parecia falar sozinho. Ficou dividido entre a curiosidade de chama-la, o medo da aproximação, o mau humor, a raiva do mundo. Carlos surgiu do nada, gritando. "Maldição!" Esbravejou, desviando a atenção de Urs. "Adivinha quem acaba de me ligar?" "Pela sua cara, aposto que foi Julian." O melhor amigo de Carlos, sempre o encarregado dos recados. "Sim! Estava chegando do hospital. Foi ver... Denise." "Ela já decidiu o nome da menina." "Carla!" Carlos jogou-se no sofá, fazendo com que algumas revistas que Urs empilhara caíssem. "Desse jeito, todo mundo vai saber que é minha filha! Carla!" Meio farto dos problemas insolúveis de Carlos, Urs viu-se obrigado a deixar o lugar. Pela segunda vez naquela manhã, ele fugia dos amigos, suas futilidades, seus carmas. Se Carlos tinha um problema, que o resolvesse de uma vez! Mas não, ele ficava adiando o fim daquela novela. Até a hora em que nada mais pudesse ser feito e ele... Urs interrompeu seus pensamentos novamente pela presença incômoda de Gail. "Você!" Entregou-se ao impulso. Era tarde para arrepender-se, a mulher já vinha em sua direção. "Deseja alguma coisa, Mr. Bühler?" Ela sorria delicadamente. Gail nunca se sentira uma mulher atraente, mas tinha feito qualquer coisa para conseguir aquele emprego temporário. Tinha se atirado de cabeça para trabalhar naquele hotel exatamente naquela semana. Ela precisava ver seus ídolos, precisava estar com eles ao menos um pouco. E estava. Além de ter levado Urs Bühler para seu quarto... "Sim. Quem é você?" "Gail." "Isso eu sei! Quero saber o que faz aqui, por que estava no meu sonho ontem?" "Sonho?" Gail não entendeu. Recolheu o carrinho de entregas que havia deixado de lado. "É... ontem sonhei que você havia me... resgatado da festa e me levado para o quarto." Urs parecia ao mesmo tempo cismado e amedrontado. Ansioso por uma resposta da mulher, e morrendo de medo do que ela poderia fazer com ele. "Mr. Bühler, não foi sonho. Realmente eu o peguei na festa, com a ajuda de um amigo, e o levei para seu quarto. Desculpe se invadi sua intimidade, preocupei-me apenas com sua saúde." "E... você é apenas garçonete do hotel? Não é uma... fã disfarçada?" Gail quase caiu da gargalhada, mas conteve-se. "Não estou disfarçada, Mr. Bühler." Coração disparado e suando frio, a mulher afastou-se do cantor. Gail nunca tinha se sentido tão... desamparada como se sentia naquele momento. Ele lembrava dela, mas pensava ter sido um sonho. Fora um sonho, para ela, Gail. Fora um sonho tocar um divo, conversar com ele, fazer-se notar por ele. E então ela deixava Urs curioso, ainda confuso pelo que acontecera na noite anterior. "Another day without your smile Another day just passes by But now I know how much it means For you to stay right here with me..." "Falando sozinho, Urs?" A voz de David fez Urs acordar de seu transe. "Que?" Perguntou, sem se dar conta de que estava cantarolando uma canção. "Deixa pra la... viu Steve?" "Não." Urs estava em seu quarto, rezando para ficar sozinho. Mas os amigos não entendiam essa necessidade. Privacidade, era só o que ele pedia. Queria ficar pensando, chegando a uma conclusão nada óbvia sobre seus pensamentos. Queria ficar divagando... falando sozinho, cantando, que fosse! E, nem naquelas horas, Valerie estava com ele. Tentou esquecer Valerie, David já estava em seu quarto, perturbando. "Está de mau humor?" David perguntou. "Não." "Vamos sair? Dar umas voltas? Não agüento mais ficar confinado aqui." "E depois ainda diz que eu estou louco." Urs olhou espantado com a proposta de Sébastien. "Imagina se podemos sair por aí! Vamos ser massacrados pelas fãs." "Bem que Sébastien disse que você estava com síndrome de Carlos." David caiu na gargalhada. "Acorda, Urs... as fãs não estão lá fora tramando um plano sórdido para detonarem um divo. São apenas garotas apaixonadas e iludidas. E não se esqueça que devemos todo o nosso sucesso a elas." Apesar de todo o pavor que vinha sentindo desde que Denise anunciara para Carlos a gravidez, Urs era obrigado a concordar com os amigos. Não havia uma conspiração de fãs com armadilhas prontas para fisgarem o peixe pela boca. Não havia nada absurdo nelas, eram apenas... mulheres. Em sua maioria, garotas, adolescentes, que não queriam nada mais que um autógrafo e alguns segundos de conversa. Se ele não desse motivos, elas nunca conseguiriam fazer com ele o que Denise havia feito com Carlos. Ou que Carlos havia feito consigo mesmo. "Vamos a um bar, Ursy?" Foi a vez de Sébastien invadir o quarto. Urs desistiu de se concentrar. "Bar?" "É... aquele lugar onde se bebe e conhece pessoas. David disse que você estava meio avoado, e que não quis sair." "David está delirando." "Falando em delirar... e a febre?" "Passou." Urs abriu o armário e retirou sua mala azul. Era ali que ele guardava suas roupas favoritas. Retirou uma camisa vermelha. "Essa camisa é meio gay." Sébastien desdenhou, revirando o frigobar à procura de alguma coisa para mastigar. "Tudo para você é meio gay, Sébastien." "Não, está enganado. Você é que anda com um comportamento estranho." Urs fez uma careta e entrou no banheiro para se trocar. Sébastien ficou ali, olhando no espelho e admirando sua beleza. Era mesmo convencido, como os amigos diziam. Mas não ligava... gostava mesmo de seu corpo, de seu visual. Era do tipo fashion, mudava de cabelo sempre que queria, tinha pelo menos oitenta calças de modelos diferentes, e sempre carregava todas consigo. E o melhor, fazia sucesso com as garotas. Elas o adoravam. Claro que ele nunca soube se o adoravam por ser famoso ou por ser bonito, ou se o adoravam pelas duas coisas ao mesmo tempo. |
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| Tatiana | Jun 12 2006, 12:35 AM Post #9 |
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CENA 08 David já estava há alguns minutos no saguão, impaciente. Andava de um lado para outro, enquanto Carlos segurava o celular, esperando alguma ligação. Já estava cansado de ficar ali, e eles tinham aquele dia de folga! Sébastien precisava ver pessoas, sair um pouco da pele de pop star e virar gente normal de novo. Urs e Sébastien desceram pelo elevador, vestidos como se fossem para uma formatura. Sébastien segurou a risada que ia soltar, mas depois se arrependeu. Os amigos estavam muito... engomadinhos. "Vamos fazer exame e eu não sabia?" David brincou. "Que?" Urs não entendeu. "Deixa pra lá... vamos logo, antes que Carlos tenha um piripaque aqui." Os quatro rapazes saíram pelos fundos do hotel em um carro alugado, e foram para algum lugar que ignoravam. David era o guia, e sempre que ele guiava, alguma coisa dava errada. Foram para um bar chamado Oister. Para Sébastien, era um nome meio suspeito por causa de um filme que ele vira quando criança. Mas foi o bar mais recomendado pela assessoria do hotel. E era o único lugar próximo que abria cedo durante a semana. Apesar de estarem na Ásia e ser na Ásia uma excelente vendagem de discos da banda, os quatro membros do Il Divo não tiveram problemas para estacionar e caminhar até o bar. Não era normal aquele comportamento civilizado, eles tiveram experiências amargas de sobra. O que David queria naquele momento era beber. Beber e flertar. Não era muito fã das asiáticas, mas ele tinha visto umas garotas de olhos puxados lindíssimas. "Onde Jodi se encaixa nessa sua programação de hoje, Dave?" Carlos perguntou, achando uma mesa escondida para sentarem. "Jodi? Em lugar nenhum!" David respondeu, enquanto chamava o garçom para pedir bebidas. "Uma garrafa de Jose Cuervo e quatro copos." "Ela não é sua namorada, homem esquecido?" "Sim... mas eu falei para ela vir comigo. Não quis, ficou de frescura. Agora... infelizmente, o que rolar aqui, rolou." Urs sacudiu a cabeça negativamente. David era mesmo muito mulherengo. Não podia ver uma saia ou um cabelo comprido. Corria até o risco de confundir mulher com homem, tamanha a sede com que ia ao pote. "E não me venha com lição de moral, pai de família!" David alfinetou Carlos, que já preparava um discurso sobre fidelidade. "Guarde essa língua. Se você deixar essa história escapar..." "Pára com isso, Carlos! Deixa de ser chorão... se Geraldine ainda não sabe da sua burrada, vai saber em poucos dias. Acha mesmo que Denise vai ficar com o bico fechado? Ela quer você, seu dinheiro, ser a Sra. Byrne. E não vai poupar esforços. Deixa de ser burro, faça alguma coisa certa para variar e para de reclamar!" David fora rude, mas ele sabia que, quando Carlos começava com um assunto, não parava mais. E todos os três já estavam fartos do problema insolúvel de Carlos, principalmente porque ele era o primeiro a não querer solucioná-lo. Magoado com o amigo, Carlos foi para a pista de dança. Um pouco de atividade talvez fizesse bem a seu corpo que estava parado desde o último show, dois dias atrás. "Vou dar uma volta também." Falou Urs, bebendo a segunda dose de tequila e levantando. "Comportem-se, crianças." Deixando os irritantes Sébastien e David para trás, Urs caminhou até o bar e pediu sua própria bebida. Martini com duas cerejas. Depois tomou um Sherrigan's. Emendou tudo com um whisky duplo. Já estava vendo as coisas dobradas quando decidiu finalizar com um Steinhager. Pensou que mais uma vez teria que ser carregado, quando uma voz praticamente conhecida ecoou em seus ouvidos. Virou-se para o lado, procurando quem estava falando, e mais uma vez lá estava ela. Gail sentara em um banco a poucos centímetros do seu, e pedia uma Cuba Libre. "Não é possível!" Urs resmungou. Sua voz estava meio embargada pelo álcool. Gail olhou para ele, sorridente. Geralmente, ela estava sorrindo. "Falou comigo?" Ela foi fria. Como se nem conhecesse Urs. "Claro que falei com você! Alguém tem que me explicar o que está acontecendo... o que você está fazendo aqui?" "É um bar público, Mr. Bühler." "E pare de me chamar assim!" Urs deu outro gole em seu drinque. "Sabe muito bem meu nome!" "O que quer ouvir, Urs?" Gail resolveu não discutir com ele. Ela também não estava exatamente sóbria para ganhar a discussão. "Por que raios você está em tudo quanto é canto!!" "Porque estou seguindo você. Simples." "Simples?" Urs terminou seu drinque em um último gole. "Não quero ser seguido. Você vai acabar me deixando maluco!" "Ignore-me." "Não dá!" "Por que não? Levei você para seu quarto quando precisou. Ofereci um guardanapo para estancar o sangue do seu nariz quando precisou. Não fiz nada que te incomodasse. Não pedi um autógrafo. Apenas estou... seguindo você. Então, ignore-me!" Gail disse tudo de uma vez só, antes que perdesse a coragem de ficar ali, encarando Urs. Os olhos castanho-esverdeados do divo pareciam ter preenchido todo o ambiente. Eram as únicas luzes do bar. O barman aproximou-se e serviu mais bebida aos dois. "Não sei se quero." "Então é diferente." Urs esfregou os olhos. Nem enxergar direito conseguia. Maldito fosse o álcool, ele pensou. Mas poderia culpá-lo pelas besteiras que fizesse. Gail levantou-se e foi para a pista de dança. Carlos a viu se aproximando, sem nem imaginar que era a mesma garota de que Urs tanto falava. "Está sozinha?" Carlos perguntou, indo dançar mais perto de Gail. "Sim. E pretendo continuar." Carlos franziu a sombrancelha. Fazia tempo que ele não levava um fora tão direto, principalmente de uma garota tão jovem. Ele tinha certeza que ela seria uma fã sua. E ela nem era asiática... parecia européia. Devia certamente conhecer o Il Divo. Urs chegou na pista logo após Gail, pernas vacilantes. "Não pode me deixar falando sozinho!" Ele segurou Gail pelo braço. Gail fechou os olhos, ele tinha dedos tão macios... "Você a conhece?" Carlos se intrometeu. "Sim! Quero dizer... não ainda!" "Mr. Bühler, acho que bebeu demais." Gail tentou ser fria novamente. Era uma defesa, se ela se entregasse ao que sentia, jogaria-se nos braços de Urs. Mergulharia no cheiro do seu perfume exótico e morreria afogada. "Bebi sim, mas ainda quero conversar com você." "Agora quer conversar comigo?" A música repentinamente mudou, passando para uma balada de batida dançante. Urs aproximou-se de Gail, apertando seu corpo contra o dela, tentando envolve-la em uma dança desajeitada. Seu hálito quente deixava Gail ainda menos sóbria. "O que quer afinal?" Gail arriscou. "Não sei. Tenho... medo de você." "Medo de mim?" Gail quis gargalhar, e novamente se conteve. "Sim. Tenho medo das fãs... elas são geralmente tão possessivas." "Eu não. Sei que nenhum de vocês será... meu." "Você me disse que não era uma fã!" "Disse que não era fã disfarçada. Realmente, não estou nada disfarçada. E, se não fosse sua fã, por que então estaria com medo de mim?" "Você..." Urs desistiu do que falaria. Um lampejo de consciência o fez relembrar Valerie. Por um momento, ele pensou que estava fazendo alguma coisa errada, e que confessar para Gail que pensara nela não seria bom. "Eu o que?" "Nada, esquece." "It would take a strong, strong wind To take me from your arms again To take me from your side It would take a strong, strong wind To pull away this heart of mine To make us brake apart this time It would take a strong, strong wind..." Os dois continuaram dançando. E eram observados por Carlos, que não tinha entendido absolutamente nada do que vira. Nem pretendia especular, talvez Urs lhe contasse depois. Gail deitou-se no ombro de Urs, deixando seus lábios repousarem em um toque suave na camisa suada do divo. Respirou fundo, queria entender o que estava acontecendo. Não era somente Carlos que não entendera nada, e não era somente Urs que se sentia confuso. Ela sempre amara o Il Divo, e Urs era seu... ídolo. Ela havia dado seu máximo para conseguir uma forma de segui-los, mas o destino brincava com seus sentimentos de uma forma cruel. Colocara aquele homem em seu caminho, tão desprotegido, precisando de atenção. E ele jamais poderia ser... dela. "Vou parar de segui-lo, se isso te incomoda." Ela conseguiu falar quando a música acabou. Tentou desvencilhar-se dos braços de Urs, mas ele a prendia de forma muito eficiente. "Não... não faz sentido nada disso. Tem direito de ir aonde quiser, eu estando ou não estando lá." Outra música começou, e os dois dançavam ainda. Era uma sensação muito estranha para Urs, ter outra mulher consigo. Abraçar outra mulher. Valerie vinha sendo a única. E lá estava ele, dançando com uma desconhecida que o enlouquecera instantes antes. |
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| Tatiana | Jun 12 2006, 12:37 AM Post #10 |
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CENA 09 "Vai ou não explicar direito o que houve naquele bar, Urs?" Carlos resmungou, enquanto apagava a luz do quarto. Urs estava lá, sentado, como uma estátua, desde muito tempo. Desde que voltaram do bar, Carlos tinha certeza. Ainda não tinha comido nada, e nem trocado de roupa. "Não sei." Foi a vaga resposta. "Não sabe o que aconteceu?" "Ainda não entendi." "E... por acaso vai voltar para seu quarto e me deixar dormir?" "Não sei." "Quer conversar?" Carlos sentiu-se vencido, e acendeu novamente a luz. Sentou-se na cama, esperando que Urs lhe bombardeasse com frases sem nexo. "Carlitos... o que você sentiu quando conheceu Denise?" "Ah não!" Carlos pulou da cama, como um gato assustado. "Nem vem falar nela, Urs! Denise é palavra proibida aqui!" "Mas eu preciso saber!" "Por que?" "Por que... eu também conheci uma fã!" "Mas que carma!" Esbravejou o divo, pegando uma água mineral no frigobar. "Bem... quando conheci Denise, ela era linda. Ainda é... mas parecia mais linda do que era. Ela simplesmente virou minha cabeça, toda vez que pensava nela ficava desconcertado. E ela começou a estar sempre por perto. Até que um dia... uma noite, eu perdi o controle e ficamos juntos. Vou me arrepender disso para o resto de minha vida, agora." As memórias de Carlos o deixaram mais calmo. Ele tinha os olhos fixos na parede, como se ali passasse um filme do que ele acabava de contar. Denise não fora um erro, o erro foi ter cedido aos seus encantos. "Também estou me sentindo desconcertado." "Fuja disso, Urs. Tenho certeza que vou perder Geraldine sem ganhar nada em troca. Pense bem se vale à pena arriscar Valerie." Uma lágrima correu pela face de Carlos. Urs abraçou o amigo e voltou para seu quarto, afundando a cabeça no travesseiro para tentar realmente esquecer aqueles olhos que via desde que acordara da febre, na noite da festa. |
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| Tatiana | Jun 12 2006, 12:42 AM Post #11 |
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CENA 10 Voltar à Europa não foi a melhor coisa que poderia acontecer ao Il Divo. Talvez fosse bom para a banda, mas péssimo para cada membro, individualmente. Sébastien era o único feliz e satisfeito, voltava para casa com sua família. Talvez Sébastien fosse o único a fazer a coisa certa. Sébastien não se importava onde estava. Para ele, raramente as coisas estavam ruins e quase tudo era divertido. Principalmente se envolvia mulher. David não queria ver uma mulher em especial naquele momento, exatamente sua namorada Jodi. Não queria olhar em seus olhos, beija-la e dizer que sentira saudades. Isso porque ele não sentiu falta dela, em momento algum. Carlos teria que enfrentar toda a sua provação e encontrar Denise. Ele sentia um ódio mortal por aquela mulher venenosa, que tentava destruir o que ele levara oito anos construindo. Ele nem sabia se odiava ou não o bebê também, mas a culpa lhe apertava o pescoço quando pensava naquilo. Era sua filha, independente de qualquer coisa, e ele não tinha o direito e odiá-la. Sébastien voltava para o mesmo, papai, mamãe e irmãos. Não tinha ninguém, não queria ninguém. Sentia-se bem sozinho, apesar da vontade de ter uma companhia para alguns momentos. Tentava contentar-se com os amigos, e estava se saindo muito bem. Já Urs... ele voltava para Valerie, seu grande amor, confuso e cheio de pensamentos estranhos. Coisas que ele nunca sentira, e que perambulavam em seus pensamentos como zumbis, vagando em sua cabeça e o deixando cada dia mais perturbado. Não que ele não amasse mais Valerie, ou que estivesse apaixonado por Gail. Ele sentira... desejo por outra mulher? "Cá estamos mais uma vez." Disse Sébastien, sem nenhum ânimo na voz. "Nossa! Parece que estão voltando para o abatedouro!" Steve Mac comentou, notando a apatia dos rapazes. "Quase, Louis. Quase." David deu-lhe um tapinha nas costas e foi buscar a bagagem. "Nunca vou entender vocês!" Louis sorriu, meneando a cabeça de um lado para o outro. "Quando estamos em viagem, reclamam porque só ficam fora de casa. Quanto estamos em casa, parece que condenei vocês à prisão perpétua!" Os rapazes fizeram cada um uma careta diferente, e tentaram disfarçar a aparência infeliz que apresentavam. Seus amigos ou familiares não precisavam ter que lidar com aquilo. “Sofremos de um carma maquiavélico. Ninguém entenderia jamais.” Carlos profetizou. Voltaram para suas casas e continuaram a viver, independente dos turbilhões de sentimentos que traziam de volta de qualquer viagem. “...As my soul Heals the shame I will grow Through this pain Lord I'm doing All I can To be a better man...” Em poucos dias, cada um deles era novamente a mesma pessoa. As angústias passavam lentamente, e a alegria de estar com quem amavam supria as necessidades de uma vida normal. Mas Urs não sentiu-se normal desde a visita à Malásia. Pensou que tudo retornaria ao seu lugar, mas foi enganado por si próprio. Não estava tudo bem, não estava tudo em seu lugar, a vida não estava de volta à rotina de sempre. Carlos foi obrigado a abrir o jogo com Geraldine, e ela havia rompido relações com ele. Sébastien jurava que ela estava magoada, mas que amava Carlos e o aceitaria de volta. Ela precisava de tempo, precisava aceitar o fato de Carlos tê-la traído, que fosse apenas uma vez. Também precisava entender se preferia manter seu orgulho e deixar Carlos livre para aquela tal Denise; ou se mostraria para ela quem era a Sra. Marín, afinal. Depois disso, Urs sentiu-se mais relaxado e menos assustado com tudo. Mas continuou pensando em Gail. Não deixou-a para trás como deixou todos os momentos vividos na Ásia; não passou por cima dela como faria normalmente. |
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| Tatiana | Jun 12 2006, 12:52 AM Post #12 |
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CENA 11 “Mais shows em uma semana.” David repetia para si mesmo a mesma coisa. “Nem quinze dias de férias! Aliás, nem sei como eu consigo pensar que existam férias para pessoas como nós.” “Deixe de ser chato, David.” Sébastien resmungou. “Vamos gravar que ganhamos mais.” David fez uma careta e pigarreou um pouco, querendo exercitar a voz. A banda estava nos estúdios da BMG, gravando músicas para o novo CD. Não fazia muito tempo desde o último show, mas eles precisavam ir mais devagar. Ou então não teriam como preparar o novo álbum dentro do prazo prometido. Eles não poderiam descumprir o acordo... as fãs os queriam em shows, mas também queriam novas canções. “Precisamos agradar nosso público consumidor.” Sébastien brincou, lendo a letra da música que ensaiariam. “A mulherada nos aguarda ansiosa!” David brincou. “Cuidado, Dave... não fale em mulherada perto de Urs, ele tem medo delas, esqueceu?” Sébastien zombou. Urs ouviu seu nome e franziu a sombrancelha, desaprovando as brincadeiras dos amigos. Não estava concentrado em ensaio algum; sentia-se totalmente despreparado para gravar qualquer coisa. Simon Colwell surgiu do lado de fora do estúdio, um tanto agitado. “Boa tarde, rapazes.” Disse o produtor, afobado. “Steve marcou alguma coisa com vocês hoje?” “Marcou... o que acha que fazemos em um estúdio?” Carlos debochou. “Falo de entrevistas... tem um batalhão de fãs e jornalistas aí fora.” “Isso ele não disse.” David ponderou. “Mas se tiver muita gente, manda entrar. Adoro ensaios públicos.” “Não viaje, David...” Urs levantou-se. “Vamos, Simon... quem sabe acalmamos o pessoal e pedimos para esperarem terminarmos?” “Calma, Urs... são fãs! São mulheres!!!” “O que ele quer dizer?” Simon não entendeu. “Nada.” Urs rosnou. “Não ligo mais para isso, Sr. Izambard.” Tentando sorrir, Urs foi com Simon até o pátio da gravadora, pedir aos jornalistas que esperassem o término das gravações. Já que estavam ali, não adiantava o Il Divo tentar fugir das entrevistas, ou boatos e fofocas desagradáveis surgiriam. Rodeados de seguranças, os dois receberam três presidentes de fã-clubes e dois repórteres. Urs ensaiou rapidamente o que diria às fãs, e Simon falaria com os repórteres. O que ele não podia imaginar era encontrar... Gail. Lá estava ela, sorrindo, vestindo a camisa de um fã clube, carregando um caderno que provavelmente era de memórias. Urs sentiu um flashback, toda a viagem à Malásia passou em sua cabeça novamente. Olhou para Gail incrédulo, ele tinha certeza que não voltaria a vê-la. Alegria e desespero misturaram-se em sentimentos contraditórios a atormentar seu coração. Pensou que não conseguiria respirar. Simon pediu aos repórteres que aguardassem o fim das gravações, e Urs não conseguiu falar nada. As três garotas ficaram lá, sentadas a esperar, enquanto Urs as observava pelo vidro. “O que está acontecendo, Urs?” Simon aproximou-se. “Fale com elas, Simon.” “Por que?” “Não vou conseguir... tem uma garota ali, a que está vestindo branco. Eu a conheço.” “Não me diga que andou fazendo a mesma besteira que Carlos?” Urs olhou para Simon, suando. “É para não fazer isso que te peço. Fale com elas para mim, por favor!” Simon deu de ombros e conversou com as fãs também. Urs voltou à sala acústica, completamente transtornado. Sébastien perguntou o que havia acontecido, mas ele recusou-se a dizer. Quis começar a gravar o mais rápido possível, e o fez com perfeição. Foi a primeira vez que os rapazes não viram Urs errar nenhuma letra, nem reclamar do áudio. Gravaram quatro músicas no mesmo tempo que costumavam gravar duas. “Ursy está inspirado hoje... deve ser porque vai encontrar-se com Valerie!” Sébastien brincou. O grupo já estava no saguão do estúdio aguardando serem chamados para a entrevista. “Vou?” Urs mostrou-se desinformado. “Sei lá, estou supondo.” “Acho que ele está esquisito mesmo... deve ser efeito de drogas.” David zombou. “Vocês dois fizeram curso para chatos. Aliás, foram aprovados com louvor.” Urs tentou não se irritar. “Apenas fiquei meio... interessado repentinamente na gravação.” Ronan apareceu no saguão e chamou o Il Divo para a sala de conferências. Os cinco rapazes sentaram-se na mesa azul e posicionaram os microfones. David pousou os olhos sobre Gail, reconhecendo-a. “Mas... não é aquela mulher lá do hotel na Malásia?” Apontou para Sébastien. “O sonho de Urs?” “É... aquela de quem Urs tem medo!! É ela sim!” “Urs Bühler!” Sébastien cutucou o amigo. “Então é por isso que você está tão nervoso? Porque aquela mulher está aqui?” Urs sentiu um calafrio lhe percorrer o corpo. Lá estava Gail sentada na primeira fileira, irradiando simpatia. Seu sorriso iluminou a sala mais do que os refletores das câmeras. “Sim, Sébastien, é por causa de Gail.” “Uau... você lembra o nome dela!” David excitou-se. “A entrevista vai começar...” Urs tentou fugir. “Não mude de assunto, Urs. Você está a fim dela, não está?” “David! Eu sou... comprometido!” “E eu também.” David bebeu um gole de água. “Isso nunca me impediu nem vai impedir. Valerie vai ficar com você até ter duzentos anos, essa aí não. O que está esperando?” “Não posso... não quero magoar ninguém.” “Só vai magoar alguém se for burro igual Carlos. Use camisinha.” Urs sacudiu a cabeça e ignorou David. Ele era terrivelmente galinha, não podia levar seus conselhos a sério. Tentou concentrar-se na entrevista que acabava de começar, mas não conseguiu. Em sua frente só conseguia se ver tirando cada peça de roupa de Gail... tocando sua pele, beijando cada centímetro de seu corpo. Claro que David não era sensato nem tinha razão, mas talvez a única forma de livrar-se daquela mulher fosse... sucumbindo a ela. |
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| Tatiana | Jun 12 2006, 01:09 AM Post #13 |
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CENA 12 A entrevista foi um caos, para Urs. Os rapazes até responderam bem a todas as perguntas das fãs e dos jornalistas, mas Urs estava perdido. Não conseguiu dizer duas palavras coerentes o tempo todo. Sentiu como se ninguém estivesse falando inglês com ele. Saiu da sala de conferências arrasado, cabeça baixa, arrastando-se pelo corredor. Ao final da porta, lá estava Gail, como sua sentença de morte. “ Tell me how, you know now, the ways and means of getting in Underneath my skin, Oh you were always my original sin And tell me why, I shudder inside, every time we begin This dangerous game Oh you were always my original sin” “Por que você apareceu na minha vida justo agora?” Urs aproximou-se dela, que conversava com outras fãs, que nada entenderam. “Não entendi. Eu não...” “Você sim! Lá na Malásia, por que teve que aparecer na minha vida? Por que?” “Mr. Bühler...” “URS!” Ele gritou. Esfregou as mãos no rosto, tentou acalmar-se. “Chame-me de Urs...” “Urs, eu não quis aparecer assim na sua vida justo agora. Eu... amo o Il Divo. Quis estar perto da banda, só isso.” “Para mim não ficou só isso. Você quer... sair hoje à noite?” Gail sentiu um nó lhe obstruindo a garganta. Urs Bühler a tinha convidado para sair. Ela não entendeu o que aquilo significava, o quanto poderia significar. Sabia que ele estava noivo... que ia se casar. Sabia também que o Il Divo fazia coisas estúpidas, como Carlos fizera. Era pública a confusão em que Carlos Marín se metera, a tal Denise exibiu a criança em todas as revistas do Reino Unido. E Gail também sabia que Sébastien era mulherengo, que tinha um time completo de reservas para colocar em campo. Mas... era aquilo mesmo que ela, Gail, queria? “Não sei.” “Como, não sabe? Ou sim, ou não.” “Pode ser... mas... e sua noiva?” “Não pense em Valerie. Você não pensou nela antes. Onde pego você?” “Moro em Belfast, mas estou hospedada no Palace Dublin. “Às oito, então.” Urs virou-se e caminhou na direção contrária a Gail. Foi encontrar-se com os rapazes da banda já na van que os levaria para casa. Urs, David e Sébastien tinham uma casa em Paris mas moravam em hotéis, por via das dúvidas. Nunca sabiam onde iriam estar. Valerie estava em Paris, com a família. Mais uma vez, ela recusou-se a acompanhar Urs em uma viagem. E uma viagem tão curta... Urs não a estava entendendo. Contou a David e Sébastien o que conversara com Gail e pediu segredo. Sabia que aquilo era impossível, mas ao menos tentou. “Vai jantar com ela?” Sébastien quis confirmar. “Não, vou levá-la para passear na coleira.” Urs debochou. “Credo! E... vai fazer sexo com ela?” Urs fitou Sébastien assombrado. Sim, ele havia pensado naquilo, e estava desejando aquilo desde que voltara da Malásia. Fez amor com Valerie olhando nos olhos de Gail, mais de uma vez. Sentiu-se sujo, sentiu-se cruel, sentiu-se o pior dos homens. Lembrou das palavras de Steve, ele costumava ser o único coerente no grupo. Costumava. “Sébastien... eu não sei, tá bem?” “Vai nos contar amanhã.” David sentenciou. “Não vou contar nada.” “Vai sim. Não vai resistir, vai contar.” Urs desceu da van e entrou em casa. Não havia ninguém para recebê-lo, e aquilo já o estava irritando. Por que ninguém queria viajar com ele? Queria os irmãos para lhe dizer boa noite, a mãe para lhe preparar o jantar. Resmungou qualquer coisa e entrou no chuveiro. Deixou todas as roupas espalhadas pelo quarto. Deixava a água morna relaxar seu pescoço quando o celular tocou. “Urs! Você está ficando louco?” Era Carlos. “David podia ter ao menos esperado até amanhã para dar com a língua nos dentes...” “Não podia, pelo menos ainda posso te impedir.” “Impedir de que, Carlos?” “De fazer uma loucura!” “Loucura seria eu não fazer nada. Ela está me enlouquecendo! Não consigo olhar para o lado que a vejo. Preciso resolver isso.” “E acha que vai resolver saindo com ela? Urs, acorda!” “Carlos, estou com o chuveiro ligado... tenho meia hora para me arrumar e encontrá-la no hotel. Vou fazer isso sim, estou cansado de ser o bonzinho, o coerente, o irritante, o chato. Amanhã te conto o que houve.” Urs desligou o telefone e terminou seu banho. Um turbilhão de emoções invadia e chacoalhava seu cérebro enquanto escolhia o que vestir. Foi difícil escolher uma roupa que combinasse com a ocasião: traição. Ele iria encontrar outra mulher, jantar com outra mulher, talvez até... Urs desistiu de pensar naquilo enquanto organizava o cabelo em frente ao espelho. “Estou arrasando...” Pensou alto. Pegou a BMW preta e arriscou-se a dirigir até o Palace Dublin. Ele apostou que as fãs não imaginariam que Urs Toni Bühler iria sair aquela noite, e menos ainda que ele iria estar dirigindo pela cidade de Dublin. Ele nem morava por ali. Pensou besteiras durante todo o caminho, até largar o carro com o manobrista do hotel e entrar, afobado, pela portaria principal. Parecia que ele nunca havia saído com uma mulher antes. Ajeitou o colarinho e encostou-se ao balcão da recepção. “Boa noite... estou procurando pela Srta. Gail.” A recepcionista levantou os olhos com desdém, provavelmente pensando quem seria aquele que a importunava naquele momento. Deu de cara com Urs Bühler e estampou um largo sorriso falso e constrangido. “Pois não, Mr. Bühler... ela o aguarda no bar.” Urs já estava ficando cansado de ser chamado de Mr. Bühler, mas daquela vez deixou de lado. Encontrou Gail no bar do hotel, sentada no balcão, mexendo a cereja de um Martini com os dedos. Vestia preto, contrastando suficientemente com sua pele clara. Se ele não a conhecesse antes, apaixonaria-se instantaneamente. “Boa noite...” Urs abordou a mulher, que parecia nada interessada na chegada do ídolo. “Boa noite... deve ser.” “Como assim, deve ser?” “Nada... estou confusa.” Gail levantou-se e ajeitou o vestido delicadamente. Colocou uma nota de 10 libras sobre o balcão e deixou a taça de bebida ali. “Tenho reserva no Frank’s.” Urs tentou impressionar Gail com o melhor e mais caro restaurante de toda a Irlanda. Abriu para ela a porta da linda BMW, bancos de couro. “Urs... sei que você é rico o suficiente para comprar o Frank’s. Não vai me impressionar pelo dinheiro.” “E como eu te impressionaria?” “Já impressionou... ainda não entendi o convite para jantar. Ainda ontem você dizia que não queria me ver nem pintada.” Urs concentrou-se no caminho e ficou mudo. Talvez nem ele tivesse entendido o que estava fazendo. Estava tão parecido com David, mas o amigo não era covarde daquele jeito. E era como ele se sentia. Um canalha covarde. “Tenho pensado muito em você, ultimamente.” “Ultimamente?” “Sim... desde que te conheci, em Kwala-Lupur.” “Por que?” Urs parou em frente ao restaurante. Desligou o carro e olhou para Gail por alguns instantes. “Não sei. Talvez porque... porque...” “Vocês são todos iguais.” Gail abriu a porta para sair do carro. “Não podem ver uma mulher que achem atraente que já ficam malucos. Eu alimentava a fantasia de ver você apaixonado por mim... sempre te amei. Mas agora... você tem uma noiva, e está interessado em mim porque sou um troféu. Sou algo que, se você tiver, o fará sentir-se mais homem.” “De onde tirou esse absurdo?” Urs assustou-se. Ele achava que não pensava daquela forma, e estranhou que ela, uma fã, o visse exatamente como ele detestaria ser visto. “Os homens são assim. Mas quem sou eu para reclamar... tenho Urs Bühler só para mim por um jantar inteirinho! Como disse, fantasiei esse momento diversas vezes.” A frieza e aparente decepção de Gail incomodou Urs. Ele pensava encontrar uma mulher deslumbrada, completamente apaixonada, a atirar-se em seus pés por cada palavra que falasse. “I want love, but it's impossible A man like me, so irresponsible A man like me is dead in places Other men feel liberated” Os dois sentaram-se sem culpa de serem reconhecidos, ou de algum papparazzi fotografá-los e colocá-los nas primeiras páginas do The Sun. Urs já tinha duzentas desculpas diferentes para explicar a Valerie por que jantava com outra mulher. Gail virou jornalista, a ganhadora de um concurso, uma prima de Simon... qualquer pessoa que não causasse ameaça ao aparentemente perfeito relacionamento entre ele e Valerie. “Vai querer um vinho?” Urs inspecionava a carta. “Merlot, safra de 1969.” “Hum... você sabe beber bem.” “Tenho gostos finos.” “Isso foi um elogio?” “Não entendi.” “Você disse que tem gostos finos, e gosta de mim.” “Ah... bem, pode encarar assim.” Urs escolheu o Merlot de safra especial e pediu que servissem as entradas. O maitre recomendou que escolhessem o carneiro com alcaparras, mas Gail não comia carne vermelha. Urs então pediu faisão com frutas e salada de acompanhamento. “Então... fale-me sobre você.” Urs mostrou-se curioso a respeito de Gail. “Por que de mim?” “Nossa, como você é desconfiada. Parece até que invertemos os papéis. Na Malásia você se aproximou sem nenhuma cerimônia, e eu fiquei correndo de você. Agora que resolvi me interessar, você foge.” “É que toda fã corre atrás do ídolo. É estranho quando o ídolo corresponde.” Urs deu uma gargalhada. “Vamos falar de você porque acho que já sabe muita coisa de mim.” “O que quer saber?” “O que você faz. Onde mora. Quantos anos tem.” “Muitas perguntas. Moro em Belfast, já disse... em um apartamento na S. Patrick Lane. Tenho 28 anos e... estou desempregada no momento. Fazendo mestrado.” “Interessante. O que fazia antes?” “Trabalhava na assessoria jurídica de uma grande empresa.” O garçom retirou a entrada e serviu o prato principal. Urs e Gail ficaram sem se falar por alguns minutos, provando o delicioso jantar que lhes fora posto à mesa. A iluminação do Frank’s era propositalmente precária, deixando as mesas em uma penumbra envolvente. Uma música suave completava o clima de romance do restaurante mais escolhido pelos casais. Urs não sabia onde estava com a cabeça quando decidira levar Gail àquele lugar. Nunca fora lá nem com Valerie... Envolveram-se com a comida e esqueceram de conversar. Fazia muito tempo que Gail não jantava fora, e muito menos com um homem como Urs. Ela estava assustada, não entendia por que ele desistira de fugir. Fugir era normal, os ídolos fugiam quando as fãs se aproximavam, ou no máximo ofereciam um autógrafo. Urs lhe oferecia um... jantar no melhor restaurante de Dublin. E talvez estivesse intentado a oferecer mais. |
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| Tatiana | Jun 12 2006, 01:12 AM Post #14 |
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CENA 13 Geraldine entrou indiferente no quarto de Carlos. Era mais de uma hora da manhã, mas o divo não tinha conseguido dormir ainda. A ex-noiva entrou porta adentro, pegando Carlos sentado em frente ao frigobar aberto. “O que você está fazendo?” Ela perguntou, acendendo as luzes. “Escolhendo com o que vou encher a cara.” Carlos não virou os olhos. “Feche isso e me escute.” Geraldine puxou Carlos pela mão e o fez prestar atenção nela. “Quero conversar sobre a cachorrada que você fez.” “Já conversamos, você terminou o noivado.” “Não conversamos, eu gritei com você e impus as condições. Agora quero conversar mais civilizadamente.” Carlos sentou-se em um sofá e intentou pegar uma garrafa de whisky que estava sobre a mesa de centro. Geraldine tomou-lhe a bebida das mãos. “Nem beber você vai me permitir, mais?” “Cale-se, Carlos. Preste atenção... você ama essa tal Denise?” “CLARO QUE NÃO!” Carlos esgoelou-se, de forma que quase toda Dublin conseguiria ouvi-lo. “Eu sempre disse que te amo, não sinto nada por Denise.” “Vocês homens são todos uns canalhas!” Geraldine serviu-se do whisky e bebeu uma dose em um gole. “Para me trair com ela, você não pensou se sentia ou não alguma coisa. Agora tem uma criança envolvida nisso tudo, seu bastardo!” “Veio aqui para me ofender?” “Não!” Geraldine tentou se recompor, ela não tinha o costume de perder a classe. “Vim aqui tentar salvar o resto de dignidade que você me deixou. A história já vazou o suficiente para destruir minha imagem, então vou tentar recuperá-la. Você vai conseguir a guarda dessa menina e eu vou posar de boazinha na história, aceitando continuar o noivado com você.” “Como?” Carlos coçou a cabeça, sem entender nada. “Carlos, eu quero continuar o noivado. Não vou perder você para uma mulherzinha sem caráter, a imprensa vai me comer viva. Mas também não vou deixar uma filha sua perdida por aí, isso seria o fim. Se você arrumou uma filha com outra mulher, trate de conseguir a guarda dela e, quando nos casarmos, ela passa a ser... minha filha também.” Geraldine fez uma careta compreensível ao pensar na possibilidade de ser “mãe” da filha de Carlos. O símbolo da traição, o tempo todo ao seu lado e lhe chamando de mamãe. “Geraldine, como pretende que eu consiga a guarda da menina? Ela tem mãe... quer que eu brigue na justiça?” “Dê um jeito. Compre a menina, se precisar. Quando essa Denise quer pela filha? Avise e fazemos um cheque. Se for preciso, fazemos um escândalo e a colocamos no meio, assim ganhamos a guarda e você ainda sai por cima.” Da mesma forma que Geraldine entrou, ela saiu. Seu rosto estava impassível, ela não demonstrou nenhuma emoção. Carlos estava acostumado com o jeito frio da noiva, mas achou que ela perderia a cabeça com tudo aquilo. Carlos apagou novamente as luzes e jogou-se na cama que não era arrumada há uma semana; ficou pensando na proposta indecente que a ex-noiva lhe oferecera. Ele não queria se meter com a história de Denise, e muito menos pensava em tirar a filha dela. Afinal, ele não era cruel àquele ponto. Mas não queria perder Geraldine, e não queria deixar barato a situação em que Denise o havia metido. Talvez fosse vingança colocá-la em uma luta pela guarda da filha: ela perderia a pensão, perderia a chance de vê-lo todo fim de semana de visitas, perderia tudo que conseguiu com a gravidez. |
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| Tatiana | Jun 12 2006, 01:15 AM Post #15 |
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CENA 14 O sol feriu os olhos de David naquela manhã. Ele esfregou os olhos, cansado, praticamente não tinha dormido. Nem lembrava que esquecera a cortina aberta. Olhou para o lado e não encontrou nenhuma mulher pouco conhecida ao seu lado. O grupo estava em um período de descanso, gravando o novo CD, e quando isso acontecia David estava sempre cheio de mulheres. Já fazia algum tempo que saía com Jodi. E não se sentia com nenhum compromisso de fidelidade, mesmo que ela pensasse diferente. O telefone tocou e David deixou de divagar. “Alô.” Atendeu com voz rouca. “David... está acordado?” “Não, Urs... sou sonâmbulo.” “Muito engraçadinho. Sébastien está aí?” “Por que Sébastien estaria na minha cama?” David caiu na gargalhada pela própria piada. “Ele não dormiu em seu quarto, pensei que tivesse dormido no seu, depois de alguma noitada.” “Não... ele deve ter arrumado alguma mulher. Falando em mulher... como foi a noite ontem? Rolou quantas vezes?” Urs irritou-se com David, mas na verdade ele queria conversar com alguém. Não ligou para perguntar simplesmente de Sébastien, queria falar sobre Gail, sobre o jantar. Mas precisava fingir indignação com a atitude do amigo, tinha que manter sua moral. “Não sou animal no cio como vocês, David.” “Mas rolou ou não?” “Vai querer ouvir?” David sentou-se na cama, puxou as cortinas para impedir que todo o sol entrasse no quarto e recostou-se nas almofadas. Ele não estava interessado em toda aquela vida primaveril logo de manhã. “Conte-me.” “Bem... fomos jantar no Frank’s e...” “No FRANK’S?????? A mulher tá com moral, hem?” David interrompeu Urs. “Cale-se David! Como eu ia dizendo... jantamos no Frank’s. Ela é... esquisita, como toda fã. Mas é extremamente linda, sensual... uma mulher maravilhosa.” “Mas você a levou para a cama ou não?” “Não.” “NÃO???? PUTA QUE PARIU, URS! Como você é molenga!” “Não sou molenga! Eu bem que tentei... pensei que ela ia se atirar em meus braços! Não é assim que as fãs fazem?” “Normalmente sim, mas do jeito que você é frouxo, ela deve ter se assustado.” “Vou tomar café. Falo com você depois.” “Não quero falar depois, estou curioso.” “Eu conto tudo no estúdio hoje, ok?” David rosnou no telefone, mas não conseguiu impedir Urs de desligar do outro lado. O despertador começou a apitar, indicando que já eram 9 horas, mas ele o fez calar-se com uma travesseirada. Enfiou a cara nos lençóis para dormir mais um pouco. Ainda era muito cedo para preocupar-se com o Il Divo, ou outra coisa qualquer. Mas o telefone tocou outra vez, e ele precisou atender. “O que foi dessa vez, Urs?” Disse, entre os dentes. “Urs? É Carlos!” “Ai meu Deus... o que foi, homem?” “Geraldine esteve em casa ontem... ela quer voltar para mim.” “Uau!” David ajeitou-se na cama. “Boa notícia, garanhão! Consegui essa como?” “Ela quer que eu pegue a guarda da Carla e assim volta para mim.” “Por que ela quer isso?” “Sei lá. O que você acha?” David esfregou os olhos. Ele não tinha cara de conselheiro, nem de psicólogo, nem de amigo ouvinte. Mas todo mundo insistia em ligar para ele e contar coisas que ele nem sempre queria ouvir. “Carlitos, tenho lá cara de quem perdeu alguma coisa para achar? Se é assim que ela quer, problema dela. Você sai bem e ainda fica com sua filha.” “Você acha certo isso?” “Meu santo... vocês estão chatos hoje, hem? Não tenho que achar nada certo, você é que sabe o que é mais importante: ter Geraldine ou não magoar a vadia da Denise.” Carlos despediu-se e desligou o telefone. David jogou-se em meio aos lençóis mais uma vez, querendo dormir mais. “Bando de empolgados.” David pensou, enquanto esforçava-se para não abrir os olhos. Decidiu levantar-se, tomar um banho e ir ver o que Sébastien tinha de novidades. |
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