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[FF] SEQUESTRADOS
Topic Started: May 13 2006, 06:58 PM (625 Views)
Tatiana
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Essa tem até capa! :blink:

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Tatiana
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[ *  *  * ]
Capítulo 01

O telefone tocou cinco vezes seguidas na mesa do detetive Brown. Richard Malone, seu parceiro, resolveu atender.

_Malone falando.
_Preciso falar com Abby Brown.
Richard esfregou um pé no outro. Aquela pessoa não deveria conhecer Abbey, ou saberia como ela detestava que confundissem seu nome.
_Ela não está... pelo menos, não está à vista.
_Com quem eu falo?
_Detetive Richard Malone.
_Det. Malone, sou o Comissário Berkeley. Vá encontrar a detetive Brown agora, é uma emergência.

Richard não sabia quem era aquele comissário, mas imaginou que era algum superior poderoso o bastante para identificar-se daquela forma. Saiu em busca de Abbey, deixando o fone fora do gancho.

_Finalmente, Abbey! Telefone para você. – Richard disse, arfando, depois de encontrar a parceira comendo donuts na cafeteria do departamento.
_Atenda! Para que serve você?
_Já atendi. Quer falar com você, é um tal Berkeley.
Abbey contraiu as sobrancelhas. O nome lhe era conhecido. Resolveu atender, poderia ser importante. Não que ela se importasse.
_Det. Brown falando. – Abbey disse, ainda terminando de mastigar.
_Bom dia, detetive Abby. Sou o Comissário Berkeley, preciso lhe falar. Onde podemos nos encontrar a sós?
_Não costumo me encontrar a sós com ninguém que não conheça. – A pequena mulher franziu as sobrancelhas outra vez. Ela detestava que errassem seu nome, e sempre erravam.
_É um assunto sigiloso da Interpol.
_Não trabalho mais para a interpol.
_Detetive Brown, precisamos de seus conhecimentos. Por favor, diga o lugar, precisamos conversar.

Abbey irritou-se mais uma vez. Detestava quando não entendiam o que ela falava.
_Se precisa de mim, venha conversar com meu capitão.
_Já conversei com o Cap. Button.
_Ok, então. Encontro você no Café II, em frente ao departamento de polícia, em duas horas.

Sem cerimônias, Abbey desligou o telefone. Limpou o resto de açúcar que ficara em seus lábios e percebeu que todos os presentes lhe olhavam.
_Malone, maldito! Quando vai aprender a desligar esse viva-voz?
Todos riram. Ela desdenhou e continuou seu ritual de limpeza, lambendo os dedos. Depois, bateu os farelos que ficaram sobre a calça preta. Richard balançou a cabeça negativamente... toda vez que ele olhava para Abbey, via que ela se vestia melhor do que ele. A mulher estava usando uma calça preta de pences, com uma camisa amarela e uma gravata. Ele olhou para seu próprio colarinho, e não viu uma gravata. Abbey era a única mulher capaz de usar uma gravata e esconder seus lindos olhos atrás de um cabelo disforme.

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carla_menegotto
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Amo livros policiais... opsss histórias... prende atenção da gente, amo isso... muito boa... :huh: :blink:
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carla_menegotto
Advanced Member
[ *  *  * ]
tati
May 13 2006, 06:58 PM
Essa tem até capa! :blink:

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Aí que capa... afffffffffff :huh:
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Tatiana
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[ *  *  * ]
Capítulo 02

Duas horas depois, no Café II, Abbey pedia cappuccino com rosquinhas.

_Det. Brown?
_Sim, sou eu. – Disse, desconcentrando-se do cardápio.
_Muito prazer, sou o Comissário Berkeley. Este é o Sargento Watson.
Abbey fitou rapidamente os dois homens. Um alto e elegantemente vestido. Outro baixo e desarrumado. Não pareciam policiais, à primeira vista. Ela não gostou muito deles. Mas Abbey normalmente não gostava de ninguém.
_O que querem comigo, afinal?
_Soubemos, por fontes seguras, que você é a melhor negociadora de reféns da Inglaterra. – Disse o mais jovem.
_Eu era a melhor da Europa.
_Como?
_Entende de gramática? Verbo no passado... faz um ano que não trabalho mais nesses casos.
_Mas nunca perdeu um refém, isso é correto? – Watson insistiu.
_Depende do seu ponto de vista. O que significa perder, para você?
_Morrer.
_Então não, eu nunca perdi um refém. – Abbey ajeitou a gravata.
_Precisamos que nos auxilie em uma negociação.
Abbey empertigou-se na cadeira. Agarrou as rosquinhas que acabavam de chegar.
_Como já disse, não trabalho mais nesses casos. – Abbey foi enfática enquanto mastigava. Seus maxilares não tinham folga.

_Det. Brown... é um caso extremamente importante, a Coroa Inglesa tem interesse especial na solução deste conflito.
_Então peça a Sua Majestade para contratar alguém.
_Sua Majestade gostaria de contratar você, Det. Brown.
Abbey empertigou-se mais um pouco. Era muita pretensão sua ser contratada, ou seja o que fosse, pela Coroa Inglesa. Por isso ela sabia que tinha algo por trás daquilo, e queria saber o que era.
_Quem está envolvido?
_Não posso revelar detalhes.
_Quer que eu auxilie, mas não posso saber quem estaria libertando?
_Queremos ter certeza da sua discrição.
_Comissário, eu nunca sou discreta. Pelo contrário... deveria perceber isso. Mas não revelo nada a respeito de negociações, uma palavra mal interpretada mata o refém na hora.
_São pessoas do mundo artístico.
_Pessoas? São quantos reféns?
_Doze, ao todo.
_Mas isso é... não é uma situação comum, estou certa?
_Não. Por isso precisamos de seu auxílio.
_Não estou mais interessada neste tipo de trabalho.

Abbey levantou-se, limpou o canto da boca com um guardanapo de pano, que deixou sobre a mesa, e virou as costas para sair.
_A família paga bem. – Watson apelou.
_De quanto estamos falando? – Abbey decidiu conversar mais.
_Dez por cento do valor pedido como resgate.
_Resgate?
_Sim, houve pedido.
_Ah, bom! Então não são mais reféns, não é, Comissário? Se existe pedido de resgate, é um seqüestro! Eu não sou da divisão anti-sequestro.
_Mas eles eram reféns... agora são mais do que isso.
_De quanto foi o pedido?
_Dez milhões de Euros.
_E eu levo dez por cento? – Ela desabou na cadeira.
_Sim.
_Vamos conversar em outro lugar, então. Hoje à noite, vocês me pegam no Depto. de Polícia às sete horas e me passam a situação. Também quero conhecer a família, saber como está sendo o contato até agora.

Ríspida como sempre, Abbey jogou uma nota de dez euros sobre a mesa e saiu, deixando para trás os dois policiais. As cifras envolvidas eram significativas demais para deixar de pensar naquela tentadora oferta. Fazia tempo que ela não ouvia falar em tanto dinheiro.
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Tatiana
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[ *  *  * ]
Capítulo 03

Às sete e cinco o Comissário Berckeley telefonou para o celular de Abbey. A mulher atendeu, um tanto contrariada.
_Os reféns estão mortos, Comissário. – Abbey desdenhou.
_Como? – O Comissário ficou nervoso.
_Não se atrasa nem um segundo em uma negociação. Ou os reféns morrem. Este é o primeiro item do manual de “como preservar um refém”.
_Eu nunca li...
_Nunca leu porque acabei de inventar!
_Estamos te aguardando na entrada. – Berkeley achou melhor abreviar a conversa.

Abbey desligou o aparelho e trancou sua gaveta. Jogou a chave para Richard e saiu.
_Logo, vou sair dessa maloca! – Disse para o parceiro, fazendo uma careta. Encontrou os dois policiais ansiosos a lhe esperarem.
_Vamos até a casa da família. – O sargento Watson dirigia um Cabriolet velho.
_Agora? – Abbey olhou ao redor.
_Sim, tem que ser agora.
_Por que tanta pressa?
_Não tem outro vôo hoje para Paris. Se perdermos esse...
_PARIS???? – Abbey arregalou os olhos. – Isso significa França?
_Sim... tem boas noções de geografia. – Watson brincou.
_Isso só pode ser brincadeira. Pensei que a Rainha estava interessada na solução do caso...
_Exatamente, está. Mas os reféns não são ingleses. De qualquer forma, eles são internacionais, e o seqüestro ocorreu em situações um tanto quanto impróprias.
_Quanto impróprias?
_Diremos assim que chegarmos.
_Preciso deixar uma coisa clara então, senhores. Eu não vou auxiliá-los nas negociações. – Abbey pendurou-se na janela para ver a paisagem.
_Ahm? – Os dois homens disseram, ao mesmo tempo.
_Eu vou assumir as negociações.
_Não acho que... – Berkeley interferiu.
_Não ache, ninguém perdeu. Só trabalho assim, não preciso de interferentes atrapalhando. Vocês é que vão me auxiliar, e somente no que eu pedir.

O Comissário Berckeley fez um gesto para que Watson não discutisse com Abbey. A viagem passou a ser muda, até o aeroporto. E dentro do avião, também não se trocou uma palavra. Abbey dormiu a viagem inteira, como se nada daquilo a afetasse. E realmente não afetava.
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Tatiana
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[ *  *  * ]
Capítulo 04

_Chegamos. Casa dos Izambard.
O homem apontou para Abbey um lindo prédio. Abbey sentiu-se naqueles filmes antigos onde tudo era lindo.
_A Sra. Izambard deve estar a nossa espera.
_Ela é parente dos reféns?
_De um.
_Estou achando esta história esquisita demais... doze reféns... na França? E a Rainha interessada porque houve situações impróprias?
Antes que Abbey continuasse divagando pelo elevador afora, chegaram ao andar do apartamento que pretendiam visitar. Tocaram a campainha e uma senhora de cabelos grisalhos atendeu. Usava uma roupa preta, Abbey imaginou que ela trabalhasse ali.
_Somos os detetives destacados para o caso do seqüestro, senhora.
_A Sra. Izambard os aguarda na biblioteca. – O sotaque francês foi inconfundível. Abbey não gostava dos franceses. Aliás, ela não gostava de ninguém além de si.

Com a mão direita, a mulher indicou o caminho aos três viajantes. O comissário Berkeley bateu à porta fechada da biblioteca, e uma voz pediu que entrassem.
_Comissário Berkeley! Que bom vê-lo! – Uma mulher dirigiu-se ao comissário, abraçando-o amistosamente. Abbey franziu todos os músculos da face.
_Trouxe os reforços que prometi. Este é o sargento Watson, e a detetive Abbey Brown. Ela é a negociadora.
_Sim... devo ser. Pensei que se tratava de um seqüestro, não uma festa.
Abbey ficou pasma com a quantidade de pessoas presentes. Olhou com olhos franzidos para os policiais e para a tal Sra. Izambard.
_São amigos e parentes. – Tentou justificar-se a mulher. – A as famílias dos outros reféns.
_Ajuda muito...
_Bem, acho pertinente agora iniciarmos as investigações. Precisamos saber tudo sobre o caso, como aconteceu, onde, quem estava presente.
_Isso quem deve falar é meu filho, Urs. – Uma outra mulher entrou na conversa. Abbey franziu-se ainda mais. – Ele está no telefone com o irmão, neste momento.
_Telefone? – Abbey achou esquisito.
_Sim, como acha que falaríamos com ele na Tailândia?
Abbey Brown fez uma careta e voltou-se para o comissário Berkeley, visivelmente irritada.
_Que história de Tailândia é essa??? – Falou, rosnando por entre os dentes.
_Bem... o seqüestro aconteceu lá.
_E QUANDO pretendiam me contar isso? – Ela aumentou o tom de voz.
_Assim que chegássemos aqui...
_Isso é ridículo. – Abbey começou a rodar em círculos – Eu tinha certeza que alguma coisa assim aconteceria, parece que estou em um livro da Agatha Christie. Um engomadinho que parece Hercule Poirot e um esquisito que parece tudo, menos policial.
_Detetive, precisamos manter a ...
_NÃO PRECISAMOS DE NADA!

Com os gritos de Abbey, todos os presentes pararam imediatamente de fazer qualquer barulho. Abbey resolveu aproveitar o silêncio.
_Vamos deixar combinado uma coisa bem simples: vocês me procuraram e pediram ajuda. Disseram que sou a melhor. Eu disse que não aceitava, mas a insistência de vocês venceu. Já que estou aqui e vou fazer o “serviço”, preciso que entendam alguns detalhes. Primeiro, eu trabalho sozinha. Não quero ninguém interferindo ou se metendo na negociação; uma pessoa já é suficiente para causar a morte de todo mundo. Segundo, isso não é uma festa, é um caso de seqüestro. Existem reféns e pedido de resgate, e me parece sério. Não conheço ninguém e não sei como estão acontecendo os contatos, mas eles têm que ser interrompidos agora. Nesse exato momento, estou assumindo qualquer conversa relativa aos sequestradores. E terceiro... os senhores vão me contar exatamente o que está acontecendo AGORA, ou vou pegar esse carro e voltar para minha casa.

Abbey terminou seu discurso de um fôlego só e esperou que alguém se manifestasse.
_Eles vão contar tudo que a senhorita quiser, detetive Brown. Só preciso que você traga meu filho à salvo. – A Sra. Izambard garantiu.
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Tatiana
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[ *  *  * ]
Capítulo 05

No dia seguinte, Abbey Brown e o comissário Berkeley estavam voando para a Tailândia. Watson seria o contato na Europa. Depois de contada parte da história, Abbey resolveu aceitar aquele caso intrigante. Afinal, ela era mesmo a melhor. Não gostava de ficar alardeando por aí e não queria mais se meter com aquele assunto, mas sentiu o sangue ferver quando pensou na possibilidade de lidar com aquilo mais uma vez.

_Quem são os reféns, afinal?
_Não temos certeza. A banda estava em turnê pela Ásia, e um dos ônibus foi interceptado por guerrilheiros locais. O outro percebeu e se afastou. Não tenho certeza de quem estava no ônibus seqüestrado.
_E por que guerrilheiros estariam seqüestrando pessoas? Eles têm outros objetivos...
_Achamos que não queriam resgate de imediato, mas descobriram quem eram os reféns e resolveram se aproveitar da fama e fortuna que possuem.
_Engraçado que nunca ouvi falar dessa banda antes... – Abbey aceitou o cardápio que lhe ofereciam.
_Minha filha gosta das músicas.
_Sério? Por isso nunca ouvi falar... eles cantam para crianças!
_Minha filha tem 23 anos. Eles definitivamente não cantam para crianças.
_Ah, é? – Abbey sorriu, enquanto apontava no cardápio o que queria. Escolheu seis pratos diferentes.
_Bem, mas o que acontecerá assim que chegarmos? – O Comissário demonstrou curiosidade.
_Nada. Depende dos seqüestradores.
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Tatiana
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[ *  *  * ]
Capítulo 06

Na Tailândia, o clima estava chuvoso. Abbey nunca tinha visto tanta umidade em sua vida. E ela detestava umidade. Morava na Inglaterra, por isso estava sempre mal humorada.
_Que lugar infernal! – Ela comentou, enquanto desciam do avião.
_Ouvi dizer que é sempre assim. – O Comissário não parecia mais animado.

Os dois tentaram se cobrir da chuva fina até conseguirem um táxi que os levasse até o hotel onde estavam os “sobreviventes”. Abbey ficou surpresa... estavam em meio a uma selva tropical e a tal banda havia escolhido ficar em chalés. Aliás, ela sequer entendia o que aquela banda estava fazendo ali. Parecia enredo de novela.
_Que idéia horrível, ficar em um lugar como esse! – Abbey criticou o hotel à primeira vista. Criticar era sua diversão favorita.
_É reservado... e está fechado só para a banda.
_Que agora não deve ser muita gente, né... todos seqüestrados.

O Comissário não conseguiu rir do humor negro de Abbey, que deu de ombros. Foram conduzidos, entre pingos, folhas e lama, até os chalés.
_Comissário Berkeley! – Um homem que rodava de um lado para o outro animou-se ao ver o policial. Abbey saiu do carro, puxando sua mala por entre o lamaçal que se formara na entrada do chalé. Praguejava toda uma geração de anjos enquanto tentava desviar dos atoleiros.
_Bom dia, Urs... está cada dia mais parecido com sua mãe! Essa é Abbey Brown, a detetive de quem lhe falei.
_Ela quem vai recuperar Valerie?
_Depende. Quem é Valerie? – Abbey foi logo questionando, assim que conseguiu se desprender do grude. Retirou os sapatos, desanimada com o resultado.
_Minha namorada. Ela está entre eles.
_Eles quem?
_Os reféns...
_Quero saber quem são e quantos são.
_São doze... – Urs pensou. – Entre eles temos Carlos, Sébastien, Valerie, e outros membros da banda. Os instrumentistas e músicos.
_E você? Por que não estava com sua namorada?
_Estava com David no outro ônibus...
_Quem é David?
_Acho que podemos deixar o interrogatório para quando estivermos no seco, não acha? – Berkeley interviu. Abbey fez uma careta, mas aceitou interromper as perguntas. Perguntar era sua segunda maior diversão. Todos entraram, e Abbey foi acomodada em um chalé vizinho àquele. Todos tinham apenas 2 quartos.
_Que cafofo... – Abbey continuou a reclamar.
_Achei simpático. – Berkeley tentou contemporizar.
_Simpático... que conversa de bêbado. Vamos conversar logo com o tal Urs, preciso de informações. Aliás, que nome é esse? Não me parece nada francês...
_Não é Francês. Ele é Suíço. Vai anotar alguma coisa?
_Sim, vou. Mas meu bloco de anotações é massa cinzenta, meu caro. Mas que confusão! Suíço... francês... o que mais tem?
_Um americano e um espanhol.
Com uma risada, Abbey invadiu o chalé de Urs. Encontrou com ele outro rapaz, de cabelos espetados e olhos verdes.
_Quem é você?
_David...
_Ah, David... agora sei quem é David. O que faz aqui? Por que não estavam no ônibus com o resto da banda?
_Nós... estávamos mexendo nos instrumentos... por isso estávamos em outro ônibus.
_Hum... – Abbey coçou o queixo. – Ok, por enquanto me convence. Agora vamos saber... quem está no comando das investigações?
_O Comissário Berkeley. – Urs confessou. – Ele é amigo da família e ficou de trazer um negociador.
_Bem que eu sabia que havia alguma coisa cheirando nessa história! – Abbey movimentou a cabeça negativamente, em crítica à Berkeley. – Bem, se é ele, menos mal. A partir de agora as negociações estão suspensas. Apenas eu falo, eu decido, eu me manifesto. Qualquer outro pode causar a morte de todos.
_Mas...
_Sem mas, Sr...
_Bühler.
_Ok, Sr. Bühler. Sua namorada está lá. Existe um componente emocional que pode colocar tudo a perder. Eu negocio, foi por isso que me contrataram.
_Bem... confia nela, Berkeley?
_É a melhor, Urs... tem 100% de sucesso.
Urs respirou aliviado e encarou David. Ele tinha que confiar naquela mulher, então. Ela parecia ser a única capaz de trazer Valerie de volta.
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Tatiana
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[ *  *  * ]
Capítulo 07

Abbey estava sentada na varanda, observando a chuva cair. O dia foi terrível e nada aconteceu. Chovia o tempo todo e ela pensou que tudo pudesse derreter. Os terroristas não fizeram contato, e ela gastou o tempo perguntando tudo para todo mundo que poderia estar envolvido naquilo. Ela fez questionários para todos e já estava ficando cansada de perguntar a mesma coisa. Mas ela era a negociadora. Sentindo um calor mortal, tentava matar todos os mosquitos que encontrava, mas sem sucesso. A noite caiu rapidamente e ela não ia dormir. O barulho era quase insuportável; ela só conseguia ouvir os insetos na floresta. Ela estava na floresta. Tudo ao redor era mato e folha e lama e mosquito.

Acendeu um cigarro e observou queimar em suas mãos por uns instantes quando percebeu alguém se aproximando. Tentou não mostrar que sabia e surpreendeu o convidado indesejado antes de vê-lo.
_Também sem sono, Sr. Bühler. – Ela disse, fumando o cigarro e deixando a fumaça sair lentamente de seu corpo.
_Eu... não durmo desde o que aconteceu. Mas... como você...
_Sempre sei tudo, por isso sou boa no que faço. – Ela não perdeu a concentração do cigarro.
_Desculpe-me por perturbar.
_Se quiser ficar aqui, tem que fumar ou suportar a fumaça em seu nariz. Quando estou concentrada, fumo muito. E bebo café, e não durmo. Está preparado para se juntar a mim? – Ela encarou o homem, que tinha os cabelos cuidadosamente arrumados por trás das orelhas, e brilhava sob a pobre luz artificial.
_Eu gostaria de ficar. – Ele sorriu e se sentou.
_Melhor parar com isso. – Abbey disse, sobre ele estar esfregando as mãos. – Seus dedos estão machucados.
_Não perde nada, certo?
_Como disse... vocês não me contrataram porque pareço um homem.
_Não percebi isso.
_Não estou de bom humor para piadas, Sr. Bühler.
_Pode me chamar de Urs. – Ele disse.
_Não crio intimidade com os clientes.
_Desculpe. Estou só tentando fazer contato... minha vida depende do seu sucesso.
_Você não está naquele ônibus, Sr. Bühler. – Abbey encarou-o e por alguns instantes sentiu-se perdida em seus olhos.
_Mas tudo que a vida representa para mim está. Meus melhores amigos e a mulher que eu amo.
_Você os coloca nessa ordem?
_O que? – Urs olhou assustado para Abbey.
_Seus amigos e sua namorada.
_Eu... não existe ordem. Só disse...
_Quando se trabalha com pessoas por muito tempo, aprende-se a identificar alguns comportamentos. Não se sinta mal por amar mais seus amigos que sua garota. Não é uma coisa ruim.
_Mas eu não amo ninguém mais nem menos... – Urs parecia nervoso. Levantou-se e passou as mãos pelos cabelos diversas vezes. – Eu amo Valerie antes de qualquer coisa; até antes de mim mesmo.
_Ok... se você está dizendo.
_Não acredita em mim?
_Não estou aqui para acreditar, Sr. Bühler. Você a ama, ok. Só fiz uma observação, eu não julgo.

Urs perturbou-se e afastou-se daquela mulher. Ela era assustadoramente fria... o que raios quis dizer com aquilo? Ela ousou dizer que ele não amava Valerie o tanto quanto ele pensava que amava? Claro que ele amava Sébastien e Carlos. Eram amigos, companheiros. Mas Valerie era sua vida! A tal detetetive era mesmo irritante, Berkeley tinha razão e já o havia alertado para tomar cuidado. E ela fumava; ele não deveria esperar nada bom de quem fumava.
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[ *  *  * ]
Capítulo 08

_Det. Brown!!! Det. Brown!!! – Alguém batia na porta. Abbey pulou da cama alerta.
_O que? – Ela respondeu, vestindo um roupão.
_Eles estão em contato. Corra!!

Abbey não quis saber quem batia, só entendeu que os terroristas faziam contato. Abriu a porta e correu para o outro chalé, onde encontrou o comissário Berkeley, Urs, David e um rádio velho. Ela pensou em gargalhar sobre aquilo, mas a situação não era engraçada.
_Eles estão na linha. – Urs disse. – Não respondi...
Abbey pegou os fones cuidadosamente.
_Aqui é Brown. Quem está na linha?
_Quem é Brown? – Uma voz esquisita respondeu.
_A pessoa que vai falar com vocês.
_Quero falar com Sr. Bühler.
Urs deu de ombros, como que não sabia o que fazer.
_Ele não participa dessa conversa mais.
_Quem é você?
_O negociador.
_Aha! Eles chamaram um negociador... não falamos com especialistas.
_Vocês têm medo?
_Não temos medo de nada, sua vadia!!
A voz parecia zangada. David roia as unhas.
_Ela vai irritá-los...
_Shhhhhhhhh, Urs... Acredite nela. – Berkeley disse, sem acreditar na sua própria fé.
_Ok, se você quer ser ignorante, a conversa está terminada.
_Eu digo quando a conversa está terminada!
_Você não controla mais nada. Qual o seu nome?
_Pode me chamar Green.
_Green? Que raio de nome é esse? Tem certeza que é um terrorista?
_Não sou terrorista. Estou lutando por uma causa justa. E sou Green porque você é Brown.

Abbey balançou a cabeça negativamente.
_Ok... diga-nos seu ponto, Green.
_Sem pontos. Queremos 10 milhões de Euros como resgate. Ou todos morrem.
_Esta quantia é irreal, e vocês sabem. Não importa se são famosos, é muito dinheiro.
_Que se virem para encontrar. Ou todos morrem. Conversa encerrada.
Tudo que pode ser feito foi nada. A conversa estava realmente encerrada.
_Você os incomodou! – David estava assustado.
_Deus... esse é o negociador que você me traz, Berkeley? – Urs estava quase arrancando os cabelos. – Agora estão todos irritados e não tem mais acordo.

Abbey retirou os fones e encarou Urs por alguns instantes. Ele sentiu-se mal. Precisava admitir, a mulher era esquisita. Por mais que ele tentasse, não conseguia entendê-la.
_É isso que pensa, Sr. Bühler? – Ela nem mudou de face. Todos estavam em silêncio.
_Sim, é isso. – Ele se encheu de coragem. – Eu estava lidando com a situação muito bem antes de você. Eles nunca disseram “conversa encerrada” para mim.
_Eles pensaram em um valor menor?
_Não...
_Eles soltaram os reféns?
_Não... mas...
_Eles disseram alguma coisa diferente do que disseram agora?
_Não. – David disse, daquela vez.
_Então, eu não preciso ser esperta para saber que NADA aconteceu para você pensar que eu não sou boa no que faço.
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[ *  *  * ]
Capítulo 09

Abbey deixou o quarto. Claro que ela estava chateada... ela era a melhor, e ela sabia daquilo. Pediram sua ajuda na situação, mas duvidavam da sua capacidade o tempo todo. Mentiram para ela, questionaram suas razões, a deixaram realmente zangada. E uma coisa Abbey detestava: ficar zangada sem um bom motivo.

Foi para seu quarto irritada, e aquele era o problema. Ela não deveria se sentir irritada. Ela não deveria deixar sentimentos envolvidos. A operação só seria um sucesso se ela não envolvesse nenhum sentimento. Tinha que ser fria, a pessoa mais fria que se pudesse imaginar. E ser fria era outra coisa em que ela era boa. Muito boa. Abbey respirou e se concentrou. Acendeu um cigarro e tragou uma vez, sentindo o sabor da canela. Ela amava aquele cigarro.
Alguns minutos depois, ouviu batidas na porta. Abbey não queria responder, mas não deveria mostrar aquilo. Fora contratada, teria que estar sempre livre.

_Miss Brown, sou eu, Urs.
Abbey abriu a porta. A bagunça ao redor mostrou que ela estava trabalhando com muitos papéis e... fumaça. O quarto estava cheirando como um grande doce de canela.
_Precisa de algo? – Ela perguntou.
_Não... bem, eu vim ver se está bem.
_E por que eu não estaria bem?
_Eu não tive a intenção de ferir seus sentimentos e...
_Não existe nenhum sentimento envolvido nisso, Sr. Bühler... – Abbey o interrompeu bruscamente. – Não há nada para você ferir.
_Mas você pareceu zangada e...
_Eu estava zangada. – Ela o interrompeu outra vez. Acendeu outro cigarro. – Mas não deveria, então vim fumar e me concentrar na situação, que é bastante incomum. E você deve entender uma coisa bem simples: se não confia em mim ou se não pode confiar em mim, mande-me de volta para a Inglaterra. Não sou útil se pensam que eu não sou.
_Desculpe.
_Não se desculpe. Apenas me diga se poderei trabalhar.
_Sim, poderá. – Urs olhava para o chão. Ele não sabia por que, mas aquela mulher o intimidava. Ela era tão... forte. E diferente de tudo que ele já tinha visto. E ele aprendeu a se comportar; não poderia ser rude com uma mulher. – Eu te disse... é complicado porque estou sentindo muita falta de todos.
_Eu sei. As razões da sua vida.
_Não vamos começar isso de novo...
_Não comecei nada. – Abbey sorriu para Urs. – Mas deixe-me trabalhar. Preciso estudar a situação.
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Capítulo 10

No dia seguinte, Abbey falou com Berkeley sobre os reféns. Ela gastou noite e dia pensando, e achou que deveria dar uma olhada no local do seqüestro. Durante o café da manhã, os dois conversavam sobre o assunto.
_Não vejo nenhuma vantagem em retornar lá. – Berkeley disse, de boca cheia.
_Não quero que veja nada. – Abbey foi gentil, como sempre. – O importante é que eu faça uma verificação de campo. Muita coisa pode ser vista, ou não, em uma investigação.
_Mas pode ser perigoso, se tiver algo para ver.
_O risco é meu. – Abbey mastigou suas rosquinhas. – Agora preciso comer para resolver logo isso.

Berkeley riu, e deixou a mesa. Abbey estava faminta, e poderia comer muito no café. Sua aparência cansada podia ser vista a milhas de distância, mas ela nem ligava. Nunca se achou bonita e aquele não era o melhor momento para pensar em beleza. E disse que investigaria porque achava boa idéia dar uma olhada, talvez encontrar alguma pista que indicasse quem eram os terroristas e o que eles realmente perseguiam.

Abbey correu para o quarto, vestiu um uniforme verde, calçou botas e saiu. Precisava de um carro, mas não tinha um. Logicamente, Abbey pegaria um táxi até onde queria ir. Parou em frente ao hotel para esperar seu táxi quando notou um movimento brusco por trás de si. Abbey virou-se e agarrou a pessoa pelo colarinho, jogando-a no chão e pulando sobre ele, punhos cerrados. Ele... Abbey imediatamente reconheceu Urs Bühler.
_O que raios está fazendo, Sr. Bühler? – Ela perguntou, sem soltá-lo. Sua mão posicionada em sua garganta.
_Eu... eu ia perguntar ou mesmo. – Ele tentou falar, quase sem ar.
_Você deveria saber que não deve se aproximar de mim como um fantasma.
_Agora eu sei... poderia por favor soltar meu pescoço? Vou... sufocar.

Abbey se recompôs e levantou-se. Encarou Urs mais uma vez. Ele era irracionalmente lindo. Ela duvidou que ela estava mesmo pensando que um homem era lindo...
_Na próxima vez, lembre-se de fazer algum barulho. Poderia tê-lo matado em um segundo.
_Não duvido. – Urs sorriu.
_Não tem graça nisso. O que você quer, Sr. Bühler?
_Onde você vai vestida como o exército?
_Eu sou o exército, Sr. Bühler. Agora, eu sou. E onde vou não é da sua conta.
_Claro que é. Estou pagando para resgatar minha namorada. Quero saber tudo que faz.
Abbey desistiu. Ele era mesmo irritante.
_Ok. Estou indo investigar. Dar uma olhada. Encontrar alguma… perspectiva.
_Vai fazer compras?
_Você está louco? – Abbey arregalou os olhos. Talvez ela devesse colocá-lo de castigo. – Olhe, Sr. Bühler... estou trabalhando. Então, tudo que eu faço é relacionado com trabalho.
O táxi chegou e Abbey abriu a porta.
_Posso levá-la até lá, se quiser.
_Você nem sabe onde vou.
_E daí? Posso te levar assim mesmo. – Urs disse. Ele apertou os lábios e parou em frente a ela, mão nos bolsos, uma cara linda e ao mesmo tempo tola.
_O táxi já está aqui. Tchau, Sr. Bühler.
Abbey entrou no carro e fechou a porta.
_Então vou contigo. – Urs simplesmente abriu a outra porta e pulou dentro do carro velho e amarelo. Sentaram-se lado a lado. O motorista achou graça da discussão, mas Abbey estava muito irritada. Aquele cara poderia fazê-la perder o controle. E ela simplesmente detestava perder o controle, porque uma dúzia de vidas dependia do seu sangue frio.

_Sr. Bühler, eu definitivamente não preciso de você para me distrair. Olhe para suas roupas... você consegue chamar mais atenção do que um palhaço de circo. – Abbey apontou para a camisa colorida que ele usava.
_Ok... sou colorido, mas qual o problema? Por favor, vamos para este lugar. – Urs entregou um papel para o motorista, com o endereço do local do seqüestro.
_O problema é... vamos para a selva. Você pode ser visto a quilômetros.
__A... é isso. Sem problemas. Tiro a camisa.
Urs simplesmente tirou a camisa. Abbey arregalou os olhos o máximo que conseguiu, não acreditando no que aquele tolo acabava de fazer. Ela tinha que admitir que sua calça era discreta mas... sem camisa? Ela balançou a cabeça, nervosa. Aquele homem a estava realmente deixando louca. Ela nunca se sentira daquele jeito, mas uma energia curiosa correu por todo o seu corpo, como se ela tomasse um choque.

_Você está mesmo fora do seu juízo. – Abbey olhou pela janela. Olhar para qualquer lugar era mais saudável do que olhar para ele, meio vestido. – Mas... como você está aqui e não tem nada que eu possa fazer, simplesmente tente não me tirar do sério, ok? Tenho trabalho a fazer.

Urs sorriu, concordando. Foram silenciosos até o lugar escolhido. O motorista parou o carro no meio do nada e olhou ao redor. Aquele era o lugar no qual o ônibus foi seqüestrado. Urs teve uma lembrança horrível quando viu a estrada outra vez. Ele esteve ali semanas antes, louco de raiva com Valerie por causa de algo que ele não lembrava, e foi com David para o outro ônibus. E só por causa disso, sua garota, a mulher que ele amava, estava em mãos inimigas. Teve certeza que poderia protegê-la se ela estivesse com ele. Mas ele não o fez.
_Está certo que é aqui mesmo? – O motorista perguntou. Não havia nada além de árvores.
_Sim, é aqui. – Urs confirmou. – Obrigado.
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Tatiana
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[ *  *  * ]
Capítulo 11

Abbey pegou a carteira para pagar, mas Urs segurou suas mãos, sorrindo. Ela pensou que ele estava animado demais... totalmente diferente do primeiro momento em que ela o viu. A sensação que sentiu quando ele tocou sua pele foi a mesma de quando ele tirou a camisa. Urs pagou o táxi enquanto Abbey já começava a andar ao redor. Ela queria ir para o meio do mato. Olhando para o céu, seu nariz trabalhava como um cão farejador. Podia cheirar qualquer coisa que quisesse, e naquele dia especialmente ela queria farejar os caras maus.

_O que está fazendo? – Urs falou, alto demais.
_Shhhhhhhhh... Abbey correu para calar sua boca. – Pode ficar quieto, por favor? – Ela sussurrou. – Se disser algo aqui, eles podem te ouvir.
_Eles quem? – Urs sussurrou também.
_Qualquer um! Não discuta, simplesmente obedeça. – Abbey irritou-se. Suíço lindo e infernal que só servia para lhe confundir os nervos. – E me siga. Não quero lidar com outro refém.

Abbey parou em frente a um pedaço de selva. Ela havia deixado a estrada cinco minutos para trás, e estava entrando pelas árvores e lama. Suas botas estavam arruinadas, mas Urs vinha logo atrás dela, falando como se estivesse ligado na tomada. Abbey simplesmente não entendia o que acontecia com aquele homem, que pareceu tímido no início e estava mais falante do que Richard! E mais uma vez ele a enlouquecia, exibindo sua pele e confundindo seus pensamentos.

_Poderia, por favor, calar a boca? – Abbey parou de andar e encarou Urs, irritada. Havia fumaça saindo de suas orelhas, como nos desenhos animados. – Estamos investigando, não fazendo uma festa.
Urs sorriu e passou por Abbey. Ele começou a andar de costas, olhando para ela, até bater em uma árvore. Abbey quis rir, mas não deveria.
_Ok... não sou amigo da vida natural.
_E isso não me interessa. Não te pedi para vir. Aliás, você está me perturbando.
_O que pretende com esta investigação?
_Talvez encontrar a caverna dos vermes gigantes.
_Ahm? – Urs não entendeu.
_Esqueça... – Abbey quis rir de novo. Ela não podia negar que estava se divertindo, mas aquilo não deveria ser divertido.

Continuaram andando até Abbey notar algo. Ouviu vozes e aquelas vozes não vinham da boca de Urs. Ela parou repentinamente e se escondeu atrás de uma árvore, puxando Urs pela mão. Eles bateram pele com pele, e Urs se assustou com o movimento brusco.
_O que houve? – Ele sussurrou, daquela vez.
_Shhhhhhh... – Abbey colocou a mão na frente de sua boca, sem soltar sua outra mão.
Urs comprimiu os lábios, mostrando que ia se calar. Colou os lábios no ouvido de Abbey.
_Diga-me o que houve. – Ele sussurrou, muito baixo. Ela sentiu um arrepio e fechou os olhos.
_Ouço vozes. – Ela também sussurrou, tocando sua pele suavemente com os lábios. – Fique quieto.

As vozes ficaram mais claras, e Abbey conseguiu entender que falavam sobre armas. Ela sentiu-se no meio da guerra... e ela conhecia aquela realidade. Costumava trabalhar naquelas situações.
_Do que estão falando? – Urs estava curioso.
_Acho que achamos o que procuramos. – Abbey parou de respirar quando notou as vozes mais altes. – E temos que ser rápidos se não quisermos ser encontrados também.
Em outro movimento brusco, ela jogou Urs no chão e deitou-se sobre ele. Ela vestia roupas verdes de camuflagem, mas o peito nu de Urs, vestindo jeans... não combinava em nada com a selva. Teve certeza de fechar a sua boca com uma das mãos, bem firme, para evitar que ele falasse. Segurou sua arma com a outra mão. Se se sentisse ameaçada, saberia abater os inimigos.

Alguns segundos depois, as pessoas passaram por eles, sempre falando. Dois homens conversando e carregando rifles, como caras de mau. Urs suava, assustado. Ele nunca fora pego em uma situação como aquela. Abbey sentiu que ele tremia, nervosa, e deitou sua cabeça em seu ombro. Os dois estavam quase como uma só pessoa, cobertos pelo verde da selva, mais lama folhas. Sujos, Abbey pensou. Perdidos, Urs estava certo.
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Tatiana
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[ *  *  * ]
Capítulo 12

_Está tudo bem. – Ela moveu seus lábios, e ele entendeu. Ela só tocou sua pele com os lábios, mas ele entendeu e sentiu-se melhor.
Ficaram naquela posição por muitos minutos. Abbey não moveu um músculo, como uma estátua. E Urs não podia se mover, porque aquela mulher tão pequena estava sobre ele, como se tivesse uma tonelada de peso. Quando as vozes pararam e ela não sentiu mais nenhum outro perigo, soltou as mãos de Urs e da arma, aliviada. Mas não se levantou. Seu corpo simplesmente continuou sobre Urs, como se estivesse aguardando uma força sobrenatural que suspendesse seus ossos.

_Foi quase... – Ela disse, seu nariz tocando o dele.
_Parece que estou em um filme... – Urs sorriu, nervoso. A situação fora assustadora, e até engraçada. Ele não estava desconfortável porque Abbey era muito pequena para ser considerada carga pesada.
Abbey olhou profundamente em seus olhos e respirou, irrequieta. O que raios ela estava fazendo? O que raios ela estava sentindo?
_Ok, hora de se levantar. – Ela finalmente entendeu que deveria se mexer. – Vamos, preguiçoso... ainda tem coisa para investigar.

Depois de uma longa manhã observando pessoas suspeitas fazendo coisas suspeitas na selva, Abbey decidiu que era hora de voltar para casa. Bem, se aquele chalé fosse casa. O clima estava instável e ela tinha certeza que eles chegariam sujos e molhados. Sujos eles já estavam. Daquela vez, Urs não disse uma palavra. Ele estava se recuperando da situação, imaginando como sua namorada estaria. Se ele quase morreu pensando que poderia ser visto por um terrorista, ele nem queria imaginar como Valerie estaria assustada. Aqueles pensamentos o fizeram encher os olhos de lágrimas, mas ele não choraria em frente a Abbey. Ela era uma mulher, mas a mulher mais forte que ele já vira. Ela o intimidava, com seu cheiro de cigarro, sua forma esquisita de se vestir.

_Onde vocês estavam? – Berkeley estava quase sem cabelos, depois de passar a manhã preocupado com o pupilo e com a negociadora. Eles estavam quase chegando quando começou a chover, então ninguém se salvou. Abbey estava molhada, se sentindo mal, queimando com uma febre que ela nunca pensou em sentir. Ela definitivamente odiava aquele lugar.
_Investigando. – Urs pareceu excitado, mas não tanto quanto antes.
_Você me pede para investigar e vai investigar? – Berkeley não entendeu.
_Eu não fiz o mesmo que você, comissário, porque não sou estúpida. – Abbey começou a tirar suas botas. – Lama infernal! Eu fui a outro lugar.
_Onde?
_O lugar do seqüestro. – Urs disse, olhando para David que acabava de vir do restaurante.
_Nossa... e?
_Não encontramos os cadáveres. – Abbey foi sarcástica. Ela costumava ter um humor terrível.
_Nem pense nisso! – David sentiu as pernas amolecerem.
_Então, não façam perguntas idiotas. Fomos procurar alguma coisa, mas a única coisa que achei foram cobras e lama!
_E não se esqueça dos terroristas...
_Terroristas? – Berkeley estava quase tendo um ataque cardíaco.
_Bem, acho que encontramos algo, na verdade. Ou fomos encontrados, não estou certa. Mas precisamos conversar, Berkeley... como considero ter algo muito grande acontecendo, precisamos organizar um plano.

_Plano?
_Sim. Plano de resgate.
_Para que resgate? – David passava as mãos pelos cabelos, nervoso.
_Isso não é assunto para o senhor, Sr. Miller. Agora vou tomar um banho, porque tenho animais vivos dentro de minhas calças!
_Animais? – David franziu a testa.
_Vivos??? – Urs olhou para Abbey intrigado.
_Sim... e deve ter também, Sr. Bühler.
_Do que ela está falando? – Urs olhou para David sem entender nada.
_Bem... estávamos atolados em lama. Não sabe o que encontramos nesse tipo de lugar?
_Bactérias? – Urs arriscou.
_Sanguessugas. – David caiu na risada.
_Ok, continuo sem entender.

Abbey não resistiu. Ela teve que rir. Pegou seu maço de cigarros de dentro da calça molhada e encontrou alguma coisa que não estava arruinada. Acendeu o cigarro, independentemente dos protestos de Berkeley, e tragou uma ou duas vezes.
_Pegue. – Entregou o cigarro acesso para Urs. – Você vai precisar.
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