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[FF] Um Acidente e Outras Histórias
Topic Started: May 7 2006, 07:11 PM (623 Views)
Tatiana
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[ *  *  * ]
Essa não é a minha primeira fanfic do Il Divo, mas a história dela foi comentada duas vezes (coincidentemente) no forum oficial, então decidi postar aqui ;)

[size=7]UM ACIDENTE E OUTRAS HISTÓRIAS[/size]

Ela não acreditava em coincidências, estava amarga e vivia o pior momento de sua vida. Até que um acidente mudou toda a sua história...

Capítulo 01

Saí da sala zangada, bati forte a porta. Que inferno eu estava vivendo... dois meses de brigas constantes dentro de casa, dois meses de confusão, meus pais pareciam dois inimigos antigos, e eu não podia fazer nada. A solução que havia era o divórcio, e eu sabia que eles já tinham pensado bastante nisso. Estava eu presenciando outra briga, mas já estava cansada daquilo. Dei uma olhada na minha casa, simples, casa de classe média, cheia de grades e outros tipos de proteção. Resmunguei qualquer coisa para mim mesma e bati também o portão com força. Queria que percebessem que eu estava saindo, indo embora, procurando mais uma vez o meu refúgio.

Tomei um ônibus na porta de casa e fui para a praia. Ah, a praia me fazia tão bem... ventava, estava um frio terrível, as ruas de Copacabana pareciam desertas naquela tarde de domingo, mas eu precisava sentar na areia e ficar horas e horas olhando para o horizonte poluído. Deixei que minha respiração se normalizasse, tentei não ouvir nenhum som além das batidas do meu coração. Entrei em mim mesma... a solidão estava sendo o melhor remédio para curar a dor que latejava em meu peito. Pensava em por que as coisas tinham que ser tão difíceis? Antes minha família era unida, antes fazíamos coisas, viajávamos, nos divertíamos... mas isso foi bem antes. Meu pai perdeu o emprego, e não conseguia outro. Minha mãe passou a sustentar a casa com suas aulas de costura e fazendo alguns consertos em peças de vizinhos. Nem preciso dizer o quanto nosso nível de vida baixou... tivemos que nos mudar, vender o carro, paramos de sair e viajar. Meus irmãos mais novos foram para escolas públicas, e eu estava “me virando” para passar na faculdade do governo.

Comecei a futucar a areia com as mãos ressecadas, sem parar de pensar... o ócio e o desespero de não conseguir trabalho acabaram com meu pai, que começou a beber. E o vício estava acabando com a família. Minha irmã mais velha casou às pressas para sair de casa, ela também não agüentava mais. Pelo menos, ela tinha um namorado disposto a se casar. Eu não tinha ninguém para me tirar daquela confusão, e também sentia que alguém precisava cuidar dos meus irmãos. Dudu e Ester não tinham nada a ver com aquilo. Sem perceber, comecei a socar a areia com força, desmanchando os desenhos que fazia. Uma lágrima escorreu pelo meu rosto, e a mesma pergunta ecoava: por quê? Por que tinha que acontecer justamente comigo? E eu já tinha 28 anos...

Sacudi a cabeça para tentar parar. Eu queria esquecer, ficar longe, fugir. Ter um mundo particular, amigos imaginários, agir como maluca para não ter que enfrentar a realidade que me desagradava tanto. Mas uma coisa eu tinha que aceitar. O divórcio era a solução.

Soquei a areia mais uma vez e levantei-me. Esfreguei os olhos para enxugar as lágrimas, depois escondi as mãos dentro do casaco. Nunca tinha visto tanto frio no Rio como naquele inverno. Não queria voltar para casa, a última coisa que queria era ver minha família de novo. Caminhei pelo calçadão sem destino, se eu não me cansasse poderia ir até a Barra. Cabeça baixa, chutando as coisas que encontrava pelo chão, emburrada, magoada. Soltei os cabelos para esquentar as orelhas e fechei o casaco até o último botão. Andava devagar, tão devagar que o vento quase poderia me parar. Acabei parando quando vi um cartaz colorido jogado no chão. Eu tinha mania de ler tudo que encontrava, todos diziam que eu era bem informada. Outros diziam que eu era mesmo nojenta. Mas desde que as brigas entre meus pais começaram, eu estava completamente alienada. Peguei o pequeno cartaz e sentei em um banco para ler. Falava de um tal de Il Divo. Il Divo? Mais um grupo de garotos rebolando e se esgoelando no palco? Cada dia que se passava o mundo musical estava mais e mais repetitivo... já não bastava Backstreet Boys, N’Sync, 5ive e outros que eu já tinha me esquecido o nome, ainda vinha esse tal Il Divo... suspirei desanimada. Eles estavam vindo ao Brasil fazer um show, e, que interessante, vinham ao Rio fazer uma apresentação no Canecão. E eu sabia lá quem era esse tal de Divo, mas que pelo nome era uma boyband, isso era.

Comecei a lembrar dos meus tempos de Canecão... quando eu era adolescente ia sempre lá assistir os mais variados shows. Sempre que tinha alguma novidade eu estava lá, quase todo fim de semana. Minhas ex-amigas ainda freqüentavam o lugar, mas depois que eu mudei de classe social tive que conviver em um outro meio. Eu agora tinha novas amigas, e elas iam a Shoppings apenas para ver as vitrines, freqüentavam Boates da Zona Norte e só iam a teatro para pegar autógrafos na porta. Eram pessoas legais, mas eu sentia falta da minha vida cultural. Levantei-me novamente e enfiei o cartaz no bolso, em um gesto instintivo. Il Divo... ai ai, onde o mundo ia parar? Se Ester não fosse tão criança, certamente teríamos mais um problema em casa.
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Tatiana
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[ *  *  * ]
Capítulo 02

Andei pelas praias até o dia ir embora e o céu escurecer totalmente. Uma noite estranha, o céu estava rosado, sem estrelas. A lua brilhava pequenina, vezes ou outra escondida por uma nuvem aparecida. Pensei que podia estar preocupando meus pais, mas eles nem deveriam ter notado a minha ausência... provavelmente, meu pai estaria bebendo novamente e minha mãe reclamando de alguma coisa. Peguei um vale transporte no bolso da calça jeans e tomei outro ônibus, para casa. Madureira ficava muito longe, mas eu já estava até me acostumando a andar de ônibus. Na verdade, eu nem via tanta violência assim no Rio quanto mostravam na televisão.

Como aquele era meu dia de sorte, o ônibus quebrou. O maldito ônibus quebrou exatamente enquanto passávamos pelo Flamengo. E justo eu, que era botafoguense. Só depois que me localizei fui perceber que tinha pegado um ônibus circular e que levaria muito mais tempo para chegar em casa do que de costume. Saltei xingando; se eu visse qualquer um pobre coitado na minha frente, matava. Estava com os nervos à flor da pele, nervosa e com vontade de bater em alguém. Naquele momento, imaginei por que as pessoas surtavam e saíam pelos lugares atirando. Era exatamente isso que estava me dando vontade de fazer. Resolvi sair andando mais uma vez, ficar parada ali esperando a providência divina era o que eu não ia fazer. Futuquei meus bolsos atrás de outro vale transporte ou de algum dinheiro, mas tudo que encontrei foi aquele cartaz. Era ótimo, o ônibus quebrado, eu sem dinheiro e ainda por cima em uma droga de lugar que não conhecia ninguém.

Continuei andando, tudo que eu fazia naquele dia era andar. De repente, vi-me no meio de uma multidão, pessoas andando de um lado para o outro na rua. Olhei em volta e vi apenas prédios... nenhuma batida, nenhum acidente grave, nenhum incêndio. O que estava acontecendo, então? Resolvi perguntar para uma mocinha que gritava e chorava ao mesmo tempo, parada, olhando para o Hotel Glória.

_Ei você! - Bati no ombro da mocinha. Ela olhou para mim sorridente. - O que está acontecendo aqui? Alguém vai pular do hotel?
_Não... você não sabe?? É o Il Divo que está aqui...

Balancei a cabeça negativamente, como que reprovando a atitude daquela criançada. Tanta confusão por causa de cinco caras? Foi quando eu me dei conta que não era uma criançada... mas parecia que todas as amigas da minha mãe estavam ali! Agradeci à mocinha e dei de ombros, tentando me livrar da multidão. Quanto mais perto do hotel eu ficava, mais problemas. Resolvi então ir para o meio da rua, assim talvez eu conseguisse passar. Consegui passar pela parte mais crítica da multidão, e segui meu caminho. Resmungando o tempo todo e cada vez congelando mais, não percebi que estava passando a garagem do hotel, em uma rua lateral, e que um carro saía. Aliás, era “o” carro... importado, lindo, branco, o carro brilhava de longe na noite. Só tive tempo mesmo de ver o brilho e de gritar, quando me dei conta estava sendo atropelada e jogada para o alto.

Imediatamente, tudo começou a rodar. Bati no chão com uma força impressionante, fiquei zonza. Não sentia dor alguma, não sentia nada. Parecia que não tinha corpo, meus olhos estavam isolados do resto. Vi um homem que se aproximou, passando as mãos pelo cabelo. Era um rapaz bonito...
_What is going on? Are you all right? - Foi a pergunta. Eu sabia falar inglês, mas a última coisa que entenderia naquele momento seria uma língua estrangeira. - Please, someone calls an ambulance!!!

_Eu estou bem! - Falei. Tentei me levantar, mas eu ainda não sentia nada. Meus olhos estavam fixos olhando para frente. Eu nem podia olhar para o lado.
_Oh my God... Oh my God! - Um outro homem apareceu no meu campo de visão para consolar o primeiro. Os dois eram muito bonitos... não podiam mesmo ser brasileiros! Eu estava com horror aos homens brasileiros.
_Look, Carlos, it’s blood! - O primeiro homem falou. Eu estava até entendendo. - David, call the damned ambulance!!!

Carlos até que sim, mas David não parecia nada brasileiro mesmo... e eu não achava aqueles nomes estranhos. Será que eram atores? Uau, eu tinha sido atropelada por gente importante, igual à brasileira que foi para os Estados Unidos ser atropelada e ajudada pelo Tom Cruise... Enquanto eu maquinava quem eram aqueles rapazes e via vários rostos aparecerem e olharem para mim, minha visão foi ficando turva. Tudo começou a escurecer e desmaiei.
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carla_menegotto
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tati
May 7 2006, 07:11 PM
Essa não é a minha primeira fanfic do Il Divo, mas a história dela foi comentada duas vezes (coincidentemente) no forum oficial, então decidi postar aqui ;)

[size=7]UM ACIDENTE E OUTRAS HISTÓRIAS[/size]

Ela não acreditava em coincidências, estava amarga e vivia o pior momento de sua vida. Até que um acidente mudou toda a sua história...

Capítulo 01

Saí da sala zangada, bati forte a porta. Que inferno eu estava vivendo... dois meses de brigas constantes dentro de casa, dois meses de confusão, meus pais pareciam dois inimigos antigos, e eu não podia fazer nada. A solução que havia era o divórcio, e eu sabia que eles já tinham pensado bastante nisso. Estava eu presenciando outra briga, mas já estava cansada daquilo. Dei uma olhada na minha casa, simples, casa de classe média, cheia de grades e outros tipos de proteção. Resmunguei qualquer coisa para mim mesma e bati também o portão com força. Queria que percebessem que eu estava saindo, indo embora, procurando mais uma vez o meu refúgio.

Tomei um ônibus na porta de casa e fui para a praia. Ah, a praia me fazia tão bem... ventava, estava um frio terrível, as ruas de Copacabana pareciam desertas naquela tarde de domingo, mas eu precisava sentar na areia e ficar horas e horas olhando para o horizonte poluído. Deixei que minha respiração se normalizasse, tentei não ouvir nenhum som além das batidas do meu coração. Entrei em mim mesma... a solidão estava sendo o melhor remédio para curar a dor que latejava em meu peito. Pensava em por que as coisas tinham que ser tão difíceis? Antes minha família era unida, antes fazíamos coisas, viajávamos, nos divertíamos... mas isso foi bem antes. Meu pai perdeu o emprego, e não conseguia outro. Minha mãe passou a sustentar a casa com suas aulas de costura e fazendo alguns consertos em peças de vizinhos. Nem preciso dizer o quanto nosso nível de vida baixou... tivemos que nos mudar, vender o carro, paramos de sair e viajar. Meus irmãos mais novos foram para escolas públicas, e eu estava “me virando” para passar na faculdade do governo.

Comecei a futucar a areia com as mãos ressecadas, sem parar de pensar... o ócio e o desespero de não conseguir trabalho acabaram com meu pai, que começou a beber. E o vício estava acabando com a família. Minha irmã mais velha casou às pressas para sair de casa, ela também não agüentava mais. Pelo menos, ela tinha um namorado disposto a se casar. Eu não tinha ninguém para me tirar daquela confusão, e também sentia que alguém precisava cuidar dos meus irmãos. Dudu e Ester não tinham nada a ver com aquilo. Sem perceber, comecei a socar a areia com força, desmanchando os desenhos que fazia. Uma lágrima escorreu pelo meu rosto, e a mesma pergunta ecoava: por quê? Por que tinha que acontecer justamente comigo? E eu já tinha 28 anos...

Sacudi a cabeça para tentar parar. Eu queria esquecer, ficar longe, fugir. Ter um mundo particular, amigos imaginários, agir como maluca para não ter que enfrentar a realidade que me desagradava tanto. Mas uma coisa eu tinha que aceitar. O divórcio era a solução.

Soquei a areia mais uma vez e levantei-me. Esfreguei os olhos para enxugar as lágrimas, depois escondi as mãos dentro do casaco. Nunca tinha visto tanto frio no Rio como naquele inverno. Não queria voltar para casa, a última coisa que queria era ver minha família de novo. Caminhei pelo calçadão sem destino, se eu não me cansasse poderia ir até a Barra. Cabeça baixa, chutando as coisas que encontrava pelo chão, emburrada, magoada. Soltei os cabelos para esquentar as orelhas e fechei o casaco até o último botão. Andava devagar, tão devagar que o vento quase poderia me parar. Acabei parando quando vi um cartaz colorido jogado no chão. Eu tinha mania de ler tudo que encontrava, todos diziam que eu era bem informada. Outros diziam que eu era mesmo nojenta. Mas desde que as brigas entre meus pais começaram, eu estava completamente alienada. Peguei o pequeno cartaz e sentei em um banco para ler. Falava de um tal de Il Divo. Il Divo? Mais um grupo de garotos rebolando e se esgoelando no palco? Cada dia que se passava o mundo musical estava mais e mais repetitivo... já não bastava Backstreet Boys, N’Sync, 5ive e outros que eu já tinha me esquecido o nome, ainda vinha esse tal Il Divo... suspirei desanimada. Eles estavam vindo ao Brasil fazer um show, e, que interessante, vinham ao Rio fazer uma apresentação no Canecão. E eu sabia lá quem era esse tal de Divo, mas que pelo nome era uma boyband, isso era.

Comecei a lembrar dos meus tempos de Canecão... quando eu era adolescente ia sempre lá assistir os mais variados shows. Sempre que tinha alguma novidade eu estava lá, quase todo fim de semana. Minhas ex-amigas ainda freqüentavam o lugar, mas depois que eu mudei de classe social tive que conviver em um outro meio. Eu agora tinha novas amigas, e elas iam a Shoppings apenas para ver as vitrines, freqüentavam Boates da Zona Norte e só iam a teatro para pegar autógrafos na porta. Eram pessoas legais, mas eu sentia falta da minha vida cultural. Levantei-me novamente e enfiei o cartaz no bolso, em um gesto instintivo. Il Divo... ai ai, onde o mundo ia parar? Se Ester não fosse tão criança, certamente teríamos mais um problema em casa.

Boa muito boa essa história amei... ;)
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Tatiana
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;)

Postei porque a Rayssa disse que vai ler :D
Obrigadinha. Mas só fica boa mesmo quando aparecem os divinos... hihi
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carla_menegotto
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tati
May 7 2006, 07:29 PM
;)

Postei porque a Rayssa disse que vai ler :D
Obrigadinha. Mas só fica boa mesmo quando aparecem os divinos... hihi

Opa fica TUTTI... pode continuar que vou ler... tb tem uma leitora sua..
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Tatiana
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Capítulo 03

Acordei novamente em um hospital. Eu já podia olhar para o lado, e percebi que estava em um quarto. Realmente eu estava com sorte... uma sorte impressionante! Até ser atropelada eu consegui, aquilo era o máximo. Pelo menos eu ficaria tranqüila algum tempo... provavelmente teria que ficar internada, e assim ficaria longe de casa e das brigas. Depois, talvez meus pais ficassem tão preocupados comigo que esqueceriam de se matar por um tempo. Entrou uma mulher de branco no quarto, tentei sorrir.

_Ei, você. - Chamei a enfermeira. Ela me olhou espantada.
_Oh, você acordou! Doutor venha, a menina acordou! - A enfermeira abriu a porta do quarto e começou a falar. Pensei que era preciso silêncio em um hospital... quanto mal exemplo!

De repente, um homem forçou a porta e entrou nervoso. Era o mesmo homem que tinha ido me ver quando estava no chão... será que era ele quem tinha me atropelado? A enfermeira tentou dizer que ele não podia entrar, mas acho que eles não estavam se entendendo. Estava engraçado, até que o homem venceu e aproximou-se da cama. Ele me olhou apreensivo, talvez esperando que eu falasse alguma coisa, ou que eu desse sinal de vida. Pensei em satisfazê-lo.

_Oi você. - Falei. Ele começou a rir. Outros apareceram na porta... já tinha percebido que aquele quarto, se não era, estava público.
_She’s talking!!! She’s talking!!! Are you ok? - Ele falou, radiante.
_Ok? Ah meu Deus... tenho que falar com você em inglês? - Ele ficou olhando... os outros também. Mas que bom, eu tinha que falar inglês!!! - Yes, I’m all right... I’m feeling good, that’s enough?
_Yes!!! Oh, I’m sorry... I didn’t see you before... I didn’t want to hurt you, I’m really sorry!!! - Ele pegou minha mão, que eu não sentia, mas pude ver.
_No problems... look, I’m fine... don’t feel bad, ok?
_Ok, ok!

Um médico chegou e expulsou todo mundo do quarto. Pelo menos, essa era sua intenção, só que os rapazes ainda ficaram espreitando pela porta, em disputa com a enfermeira que os queria fora. O médico me virou de um lado para o outro um monte de vezes, mediu pressão, temperatura, ligou vários aparelhos e viu várias fichas. Ou ele não sabia o que tinha acontecido ou estava verificando melhoras. Preferi acreditar na segunda opção. Finalmente, resolveu falar alguma coisa.

_O quadro geral é muito bom. Pode nos dizer seu nome? - Perguntou, com uma caneta nas mãos.
_Meu nome é Maria Fernanda... Silveira. Eu moro em Madureira, acho que meus pais estão preocupados comigo, precisam ser avisados...
_Não se preocupe, seus pais já foram avisados. Encontramos uma carteira em seus bolsos, e nela havia uma pequena agenda. Só perguntei seu nome porque precisava verificar a memória e atividade cerebral, já que levou uma pancada muito forte na cabeça.

Fiquei olhando o médico falar, não tinha mais nada que eu pudesse fazer além de ouvir. Ainda não sentia um membro. Aquilo começou a ficar agonizante... e se eu estivesse tetraplégica? Quis perguntar, mas acabei perdendo a coragem.
_E minha atividade cerebral é boa, então?? - Perguntei querendo disfarçar. Eu tentava sorrir, mas não sabia se conseguia.
_Sim, parece muito boa, melhor do que imaginava. O problema... é que parece que você não está com movimento nos membros, estou correto?
_Bem... tirando falar e olhar para os lados, não consigo fazer mais nada. Isso é grave?
O médico olhou mais alguns papéis. Talvez nem ele mesmo soubesse se era grave, e estivesse querendo descobrir.
_Normalmente, isso é conseqüência de lesão na coluna vertebral. Você não teve nenhuma lesão que significasse letargia muscular, então imagino que seja apenas uma ausência temporária de atividade na zona psicomotora. Ainda por que você está falando normalmente, e consegue sorrir, consegue mexer os dedos...
_Estou mexendo os dedos? - Perguntei surpresa.
_Sim, sem parar.

Sorri novamente para o médico. Era engraçado, eu fazia o movimento sem sentir. Era um pouco mais que engraçado, era esquisito. Quando o médico saiu e a enfermeira reapareceu, pedi a ela que não deixasse meus pais entrarem no quarto. Eu não estava interessada em uma cena doméstica naquele momento, estava zonza, presa naquela cama, e sequer sabia exatamente o que me tinha acontecido. Nem quem tinha me atropelado eu sabia... aquele rapaz bonitinho. Bem, bonitinho era eufêmico, ele era lindo. Os que o acompanhavam também eram lindos... de repente, eu me vi cercada de pessoas lindas. Parecia até que tinha mudado de vida, o que não seria nada ruim. Tentei espantar a raiva e a mágoa dos problemas familiares, mas não tinha mais nada para pensar. Fiquei orgulhosa do meu inglês ainda estar em forma, mas só isso.
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rayssapop
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[ *  *  * ]
Menina, q história!!!!!! Tô amando! Parabéns pela imaginação..hehhe Vc escreve mt bem! Parece novela..Nossa! Tá demais! heheeh Amei, mas, olha, tô ficando com ciúme desse rapaz aí, tá..Ele tá mt preocupado e eu sei quem é..hunf! <_< hahahaha tô brincando! tá ótimo! PRÓXIMO, PRÓXIMO!!!! :lol:
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Tatiana
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rayssapop
May 8 2006, 07:40 PM
Menina, q história!!!!!! Tô amando! Parabéns pela imaginação..hehhe Vc escreve mt bem! Parece novela..Nossa! Tá demais! heheeh Amei, mas, olha, tô ficando com ciúme desse rapaz aí, tá..Ele tá mt preocupado e eu sei quem é..hunf! <_< hahahaha tô brincando! tá ótimo! PRÓXIMO, PRÓXIMO!!!! :lol:

rayssa, que bom que gostou :) Eu ADORO escrever, vou postar mais à noite, pq agora não estou no pc das histórias :lol:
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Tatiana
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Capítulo 04

Sem muita coisa para fazer, adormeci. Foi quase como quando desmaiei, simplesmente fechei os olhos e apaguei, acordando depois. Nem sabia quanto depois, não sabia se era a mesma noite, se já tinham passado vários dias, não sabia. Abri meus olhos lentamente e muita luz chegou a ferí-los. Olhei para a janela e fazia sol. Sol naquele inverno terrível? Talvez fosse um bom presságio. E era... não só abri meus olhos, mas também os esfreguei forte com as mãos. Não foi um movimento involuntário, eu sentia minhas mãos, sentia meus pés, sentia tudo que antes estava insensível. Tive vontade de gritar, mas primeiro quis ter certeza de que não estava sonhando. Sentei na cama. Olhei para mim... havia curativos na cabeça, no braço, na perna. Parecia que eu não tinha quebrado nada, mas estava sentindo dores. Era tão bom sentir dor... melhor do que pensar em ficar presa a uma cadeira de rodas!

Ainda me sentia tonta, talvez tivessem me dado analgésicos e sedativos, mas levantei-me. Arrastei o soro até a porta do quarto, estava tudo tão silencioso que chegou a dar medo. Tão diferente do dia anterior... Abri a porta pronta a contar a novidade ao primeiro que passasse no corredor, querendo chamar aquele médico, querendo que todos me vissem bem, e o que aconteceu foi engraçado. No momento em que abri a porta, literalmente caiu para dentro do quarto o homem que antes forçou a entrada no quarto, o que não era Carlos nem David. Talvez ele estivesse encostado na porta, desatento, e perdeu o equilíbrio. Na hora me assustei, mas depois comecei a gargalhar. Ele levantou em um pulo, colocando as mãos em mim.

_Oh... you’re waked and walking! - Ele falou e passava as mãos em mim, como que para ter certeza de que era eu mesma e não um fantasma.
_Good morning? - Falei hesitante, sem ter certeza de que era dia ou noite.

Antes de ele poder responder, um monte de gente apareceu na porta do quarto. Câmeras de TV, fotógrafos, curiosos, pessoas que nunca vi na vida... menos um médico. No meu mais puro instinto materno, entrei na frente do rapaz assustado e fui tentando fechar a porta. Os flashes quase me cegavam, e cada vez foi aparecendo mais gente. No entanto, consegui fechar a porta e deixar todos do lado de fora. Voltei para a cama e sentei, enquanto o rapaz me olhava abobado. Tive certeza que o fato de ter atropelado alguém o deixou muito abalado. A porta se abriu e mais gente apareceu. Os outros rapazes que estavam no hospital, outras pessoas, a enfermeira e minha mãe. Droga, não queria ver ninguém, só a porcaria do médico que tinha desaparecido.

_Isso aqui virou casa da sogra? Nem parece um hospital e sim um supermercado! - Falei, no tom irônico de sempre. Minha mãe veio me abraçar chorando, era só assim que eu a via nos últimos dias.
Uma mulher bem vestida, elegante, que eu nem imaginava quem era, apareceu pigarreando para interromper a tocante cena familiar. Ela ficou alguns instantes me olhando como que esperasse algum tipo de aprovação para começar a falar.
_Bom dia, Maria Fernanda. Meu nome é Julia Moura Salles, sou eu que represento os rapazes aqui no Brasil. Estou aqui com o empresário deles para podermos conversar.

Comecei mal, não tinha entendido nada. Ela representava os rapazes? E por que eles precisariam de representantes, pareciam bem grandinhos. Preferi deixar meus comentários guardados e limitei-me a ser curta e grossa.
_Eu falo inglês, não preciso de intérprete.
_Não sou intérprete, sou representante. Queremos saber o que houve.
_O que houve? Acho que está bem claro... eu estava passando na frente do Hotel Glória, havia uma multidão de malucos esperando para ver um bando de retardados que devem rebolar e cantar. Passei distraída na frente da garagem do hotel e não vi que saía um carro, que também não me viu. Acabei atropelada... mas ser atropelada aqui no Rio é uma coisa tão normal, nem sei por que esse circo todo... até parece que morreu alguém famoso. - Para quem estava doente, eu até que falava demais. A mulher riu, provavelmente do que eu tinha acabado de falar. Se não tivesse sido em português, futuramente eu também me envergonharia.

_Refere-se ao Il Divo? O bando de retardados? - A mulher perguntou, ainda rindo.
_Sim. Bem, não sei se são retardados, mas estava tendo um dia péssimo ontem, e pelo visto ele ainda não melhorou em nada.
_Bem, Maria Fernanda... eles não são retardados, e um deles passou por maus bocados ontem, mesmo. Esse é um motivo para tanta imprensa na porta do hospital... - A mulher falou e virou-se para os rapazes. Pegou pela mão, quase como quem pega um filho, o rapaz que insistia em invadir meu quarto. - Esse é Urs, Maria Fernanda... um dos rapazes do Il Divo. Era ele quem dirigia o carro ontem. Você não teve sorte, pois eles estavam pretendendo sair com o ônibus...

Minhas faces coraram. Olhei para aquele rapaz na minha frente, um pequeno e tímido sorriso em seus lábios, olhos avermelhados talvez por causa do stress, cabelos despenteados, caindo no olho, pele macia... ele era um Il Divo? Parecia cosia do destino, e era. Horas antes de ser atropelada eu estava com um folheto do show do grupo, maldizendo as boybands e resmungando da repetitividade no mundo da música. E depois meu ônibus quebra exatamente nas imediações do hotel onde eles estavam, e ainda sou atropelada por eles? Era para ser engraçado, mas estava me deixando assustada. Eu não acreditava em coincidência.

_Eu... eu nem imaginava. Não sou muito ligada nessas boybands... eu achava que eram uma boyband... nem sabia que eles estavam no Brasil. Agora, por que essa comitiva toda aqui no hospital? - Falei, sem conseguir deixar de olhar para aquele rapaz.
_Foi o que disse... queremos saber o que houve, e tomar as providências. Você está certa quando diz que foi desatenta na hora do incidente?
_Estou, mas o que isso tem a ver? Fui desatenta, ele deve ter sido também, aconteceu uma fatalidade... mas está tudo bem, não está?
_Aparentemente está. Mas precisamos que você assine um termo livrando Urs e o Il Divo de qualquer responsabilidade no acidente.

Olhei para a mulher querendo não entender. Ela me entregou duas vias de um papel, uma em inglês e outra em português, e uma caneta para que eu assinasse. Era um documento registrado, se eu assinasse aquilo nunca poderia pleitear nenhuma indenização em decorrência do acidente.
_Está achando que estou interessada em tomar o dinheiro deles? - Perguntei, levantando. - Está achando que vou usar essa droga de atropelamento para lucrar em cima de pessoas que eu nem conheço? Que tipo de monstro acha que sou?
_Maria Fernanda, você tem que entender que...
_Tenho que entender nada! - Falei asperamente, já querendo me alterar, interrompendo. O tal Carlos aproximou-se, ele parecia entender alguma coisa do que falávamos. - Ele está sabendo disso? Você e esse empresariozinho contaram para eles? Por acaso eles sabem desse tal termo? Sorry... but do you know about this contract? - Mudando de idioma, entreguei ao tal Carlos a cópia em inglês do documento. O tal empresário quis tomar de suas mãos, mas ele olhou firme e leu. Depois levou para os outros lerem.

_You couldn’t do it, woman!!! - O empresário falou alto, apontando o dedo para minha cara.
Urs olhou feio para o empresário, que resmungou alguma coisa mas não foi ouvido. Depois dirigiu o mesmo olhar para a mulher que conversava comigo.
_She won’t sign anything!!! - O amigo que ele tinha chamado de David aproximou-se e rasgou o documento.
_I made that, I knocked her down. That was my fault, and nobody can change it. She won’t sign it!!! – Urs definiu a situação.
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rayssapop
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tati
May 8 2006, 05:17 PM
_I made that, I knocked her down. That was my fault, and nobody can change it. She won’t sign it!!! – Urs definiu a situação.

:o Eita homi brabo! Gostei dessa!!!!!!!!!!!!

Meu Deus! Tá ficando cada vez mais emocionante! E o melhor de tudo é ler na nossa língua, né..É tudo! Pq ter q ficar lendo todas em inglês lá no forum..rsrs às vezes, me desanima.. :( :unsure:
ai tô adorando, Tatty..I can't wait fot the next episode!!! :P

Bjoks! inté amanhã...
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Tatiana
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rayssapop
May 8 2006, 10:09 PM
tati
May 8 2006, 05:17 PM
_I made that, I knocked her down. That was my fault, and nobody can change it. She won’t sign it!!! – Urs definiu a situação.

:o Eita homi brabo! Gostei dessa!!!!!!!!!!!!

Meu Deus! Tá ficando cada vez mais emocionante! E o melhor de tudo é ler na nossa língua, né..É tudo! Pq ter q ficar lendo todas em inglês lá no forum..rsrs às vezes, me desanima.. :( :unsure:
ai tô adorando, Tatty..I can't wait fot the next episode!!! :P

Bjoks! inté amanhã...

Ele não é macho?

Eu sei como eh bom ler em Português :lol:
Por isso minhas outras 2 são em nossa linguita tb...

Posso escrever sobre eles maus e degenrados? :huh: :blink:
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Tatiana
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[ *  *  * ]
Capítulo 05

Um silêncio incômodo reinou por alguns instantes. Olhei para aquelas pessoas e realmente me senti em algum lugar diferente do que eu estava. Ok, eles não eram brasileiros, mas aquela não era a razão. A questão é que eles eram tão... lindos. Meus sentidos estavam meio paralisados, e eu fiquei olhando para eles meio abobada. Todo mundo parado, um olhando para o outro, quando um outro acidente aconteceu. O tal Urs que me atropelou, e que eu nem sabia que raio de nome era aquele, desabou no chão como se fosse uma fruta madura. Assustei-me imediatamente, e saltei da cama. Foi um tumulto ainda maior do que quando fui atropelada. Em cinco minutos havia duzentos médicos e enfermeiras para cuidar do rapaz, e todo mundo desapareceu do meu quarto como que num passe de mágica. Finalmente, meus desejos foram atendidos. Por mais lindos que eles fossem, eu queria ficar quieta no meu canto.

Ficar naquele hospital não se tornaria agradável como eu pensava. As brigas caseiras continuaram, apenas mudaram de lugar. Dudu mexia em tudo, Ester perguntava tudo, meus pais não conseguiam falar duas palavras sem se agredirem, e eu naquele meio. Também não vi mais os rapazes bonitos por alguns dias, nem ninguém relacionado a eles. Se o tal Urs não tivesse melhorado, provavelmente o tinham levado para um hospital de mais classe. Apesar da confusão toda, eles estavam pagando a minha internação naquele lugar, e eu estava achando aquilo nobre.

Depois de dez dias internada naquele caos, eu queria ter alta e desaparecer. Aliás, sumir era a única ação que eu pensava em realizar desde muito tempo. Mas o que era bom ainda estava guardado para mim. Eu não acreditava em coincidência e achava que sorte era uma coisa relativa, mas eu definitivamente não entendia a relação macabra que existia entre felicidade e dor. Às vezes ser feliz significava sentir muita dor. E aquilo era realmente incoerente.

Mas como eu dizia, o que era bom ainda me esperava. Eu caminhava no jardim do hospital, vestindo algo que me parecia muito desagradável e nada atraente, arrastando aquele soro que eles insistiam em manter em mim, tentando pescar o sol que brilhava fraquinho no céu, quando senti alguém se aproximar. Senti uma presença muda e vi uma sombra caminhando em minha direção. Virei-me com alguma dificuldade e imediatamente o sol ofuscou-se com um sorriso, que era a coisa mais radiante do universo. Um sorriso... meus olhos fixaram-se naqueles lábios e dentes, que se abriam em minha direção. Se eu não estivesse andando, ia jurar que morri, e que aquilo era o paraíso. Quando todo o brilho daquele sorriso diminuiu; ou quando meus olhos se acostumaram, pude perceber que era Urs quem estava ali. E eu pensando em Urs como se ele fosse um amigo íntimo. Eu sequer o conhecia.

_Hello? – Eu disse, meio que apreensiva. O que aquele cara fazia ali, eu não tinha idéia. Mas pela agenda superlotada que ele deveria ter, fiquei assustada.
_Hi. I can see you’re fine... I thought you would be already home.
_I tried to, but they keep me here. I think you should check… the doctors are doing it to get more money from you.
Ele caiu na risada. Ok, tinha senso de humor… para rir das minhas besteiras.
_You’re funny. No, they’re keeping you here because I asked them to let you go only when you were totally healed.
_It’s not necessary. I’m not made by glass… I’m not broken.

Ele riu outra vez. Aquilo estava ficando chato, porque toda vez que ele sorria, eu me perdia em seus lábios e sentia um calafrio na espinha. E eu lá queria ficar me tremendo toda por causa de um homem? Bem... por causa do homem, porque aquele homem era... ufa!
Continuamos a conversar. Sentamos em um dos banquinhos que tinha naquele jardim florido e coloquei meu inglês para se exercitar. Descobri que ele era suíço (!), que ele era tenor, que o tal Il Divo era um quarteto de cantores líricos, que ele tinha 34 anos e que falava um monte de línguas. Como eu tinha me enganado a respeito deles... Como eu era tola, pré julgando as pessoas antes de conhecê-las.

Conversamos muito, e pouco tempo depois um outro rapaz nos encontrou. Ele era lindo, mas todos eram lindos.
_Urs, we’ve been looking for you! – Ele resmungou.
_I’m just here… I told everybody where I would be.
_Ok. Hi… - Ele me sorriu. Outro sorriso lindo... sim, eu provavalmente estava no paraíso. Tinha que aceitar aquilo. – Are you all right?
_Yeah, thanks.
_I’m David. – Ele me sorriu e estendeu a mão. Eu não sabia o que fazer... segurar a mão daquele homem poderoso? Nem sei se me era permitido!
_I’m Maria Fernanda. Ok, this name doesn’t sound good in English. – Eu ri. Ele se aproximou e me beijou na face. Senti-me zonza mais uma vez… era demais para mim.
_We gotta go. – Ele insistiu com o Urs. – You know... we’re quite late in here.
_I know! But you should understand my side.
_Let’s go, Urs.
_Ok! – Ele me olhou e deu de ombros, como se não tivesse nada que pudesse fazer. – I’m going... thanks for the chat. I’m happy to know you’re all right.

Urs me beijou na face também e me deixou ali, arrasada, destroçada, confusa, sentido o chão muito longe dos meus pés. Que reação esquisita foi aquela eu não sei, mas que foi estarrecedora, foi.
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Tatiana
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Capítulo 06

Sempre me disseram que desgraça pouca era bobagem, e estava começando a acreditar cegamente nessas sábias palavras. Eu achava que, depois de tudo que passei, ainda teria compensações, mas as coisas pioravam a cada dia. Às vezes pensava que reclamava de barriga cheia, pois muitos não tinham nada na vida e ainda eram felizes. Mas não dava para ver minha família ir por água abaixo, levando minha vida por tabela. Voltei para casa dois dias depois da visita do Urs e do David e nada mudou. O que vi de diferente foram papeis espalhados por toda a casa. Eram os papéis do divórcio.

Meu único medo era que, com aquele tal divórcio, meu pai afundasse em um abismo sem volta e se destruísse totalmente. Aquela possibilidade não saía da minha cabeça, e começou a se concretizar com o passar dos dias. Cada vez mais garrafas de cachaça apareciam no quintal, e cada dia eu o via menos dentro de casa. Minha mãe dizia que seria a melhor coisa que nos aconteceria, que meu pai era um fraco, um homem que não tinha a mínima vontade de vencer. Que perdeu o emprego e acomodou-se sendo sustentado pela mulher. Eu não via nada daquilo, via apenas o homem que aprendi a amar e a respeitar se tornando um molambo humano.

Por mais que aquilo me incomodasse, eu notei que me incomodou bem menos do que de costume. Senti-me muito mais leve e tranqüila depois de ter sido atropelada e ter ficado vários dias internadas. Muito estranho... mas foi como me sentia. E sentia também uma vontade descontrolada de ver novamente aqueles rapazes. Não foi nada difícil me ligar a eles... havia informação à vontade na internet. Eu não tinha mais acesso livre à internet como antes, mas dava para “filar” na casa de amigos e de madrugada. Havia sites, forums, fotos, músicas... tudo sobre eles. Mal achei um CD para comprar... mesmo fazendo um show no país, não conseguia achar as músicas deles para comprar. Mas o que consegui... eles pareciam divinos cantando.

Meu maior deleite foi conseguir um vídeo na internet, baixar e poder ver quem cantava o que. Na verdade, muito mais do que as vozes deles, eu estava fascinada pelo grupo. Tornei-me fã no primeiro instante em que ouvi Feelings... e foi a primeira música que ouvi deles. Fã significava que eu me tornaria uma pessoa mais histérica ainda do que já era. E uma fã meio esquisita, porque só conheci o ídolo depois de ter sido nocauteada por ele.

Uma semana depois de deixar o hospital, enfiada no meu quarto e com os fones de ouvido tocando exatamente a mesma música do Il Divo já pela décima vez, resolvi conectar-me no meu velho pc para buscar algumas novidades sobre os rapazes. No fórum de discussão deles, uma mensagem no meu inbox. Eu não conhecia ninguém no fórum, nunca conversava, só lia algumas novidades e salvava fotos no computador. A obsessão fazia com que eu não interagisse... queria apenas vê-los, ouvi-los, senti-los... coisa que eu julgava não poder mais. Mas uma mensagem... como se eu quisesse falar com alguém. Mas abri o tal inbox e, sem prestar atenção em quem me enviara a mensagem, já fui logo abrindo. Provavelmente era alguém perturbando, mas meus olhos pararam e meus dedos congelaram no teclado. A mensagem estava assinada por URS.

“Hey! I found you here... I’m sure it’s you. Maria Fernanda, right? Oh, that’s great… I wanted to talk to you but I didn’t have any way to contact you. Now I found one! But I’m not a big fan of computers... what to do? Can you give me your phone number? I promise I won’t bother you much. xx Urs.”

Eu precisei de várias horas para processar aquela mensagem. Não era uma mensagem comum... nem um reply. Era uma mensagem do Urs para mim. Para mim, querendo alguma coisa de mim. Ele era um deus, ele era famoso, ele tinha tudo que queria, mas pedia uma coisa para mim. Senti todos os poros da minha pele se fecharem ao mesmo tempo. Meu corpo ardia em uma febre imaginária que nem eu mesmo entendia a razão. Senti dores de mentira que me impediam de mover. Tive que ficar lendo a mensagem por minutos e minutos, horas. Minha respiração travada, eu não conseguia sentir meu coração bater.
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Tatiana
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Capítulo 07

Pressionei um botão para responder àquela mensagem depois que meus músculos descongelaram. Eu não conseguiria escrever, lógico. Tremia como se sentisse muito frio, mas meu corpo queimava. Todas as palavras saíam erradas, tortas, mal escritas. Era como se eu não falasse inglês; como se tivesse esquecido totalmente a língua que eu mais gostava. Respirei fundo quando meus pulmões voltaram a funcionar. Urs me tinha escrito uma mensagem, eu tinha que responder. E não seria difícil escrever meu número de telefone! Eu deveria saber ao menos o meu número de telefone!

E como eu pensava, aquilo foi o estopim para me deixar ainda mais fora da realidade. O inferno caseiro parou de me perturbar e nada do mundo real parecia importar. A questão de ter perdido tudo, da família estar desmoronando, dos meus irmãos me infernizarem, da vontade de voltar aos estudos... tudo parecia secundário, irrelevante. Meus dias acordavam Urs e terminavam Urs, como se ele estivesse sempre por ali, o tempo todo a me espreitar. Aquilo não era normal, e eu bem sabia não ser. Assustava-me ter, de repente, deixado tudo para lá e ter focado meus esforços de sobrevivência em apenas uma coisa: Il Divo. Fanatismo não combinava comigo. Não fazia meu gênero de menina descolada. Se eu pudesse ser considerada uma menina...

Três dias depois de ter recebido a fatídica mensagem de Urs, eu ainda não estava no meu juízo perfeito quando finalmente consegui um emprego. Fui chamada para trabalhar em uma grande empresa, em uma área que não tinha nada a ver comigo. Mas era dinheiro, e dinheiro naquele momento era praticamente tudo que eu precisava. Saí de casa depois de desempoeirar tailleurs antigos, e fui me apresentar ao trabalho no primeiro dia. Mal sabia eu que o primeiro dia seria tão interessante quanto eu sequer imaginava. Me colocaram em uma sala minúscula, com muitos papéis, e nem tanta coisa para fazer. Talvez eu não soubesse bem o que era para fazer... mas o dia praticamente acabou às 15h. Não conseguia mais nenhum papel para arquivar, ou carimbo para bater, ou formulário para preencher.

Escondi-me atrás da pilha que se amontoava sobre a mesa, sem destinação específica, e fiquei imaginando o que mais precisava de intervenção naquela ausência de espaço. E minha concentração estava prejudicada. Meu telefone celular não quis colaborar. Por mais silencioso que ele estivesse na última semana, resolveu atacar e tocou uma vez. Não atendi, tocou de novo. E então tocou pela terceira vez. Olhei no visor, número privado. Oras... e eu lá ia atender número privado? Mas quando o celular tocou pela quinta vez, cansei de ouvir o nokia tune padrão e resolvi atender.

_Alô. – Disse, meio irritada com a insistência da pessoa.
_Hi... is this Maria Fernanda phone, please?
Meu queixo caiu, junto do telephone. Reconheci a voz, e não consegui me segurar. Não consegui segurar nada... abaixei para pegar o telefone e derrubei pelo menos metade dos papéis que estavam na minha frente. Peguei o telefone, ele caiu outra vez, e quando finalmente o segurei firme, segurei do lado errado. Ao tentar virar para o lado certo, o celular deu uma pirueta no ar como se fosse um sabonete, e totalmente liso rolou pelo chão para baixo da mesa.

Estiquei-me para pegá-lo, e desabei da cadeira.
Embaixo da mesa, junto com teias de aranha e poeira, finalmente encontrei-me com o celular e consegui responder à pergunta que me tinham feito um minuto atrás.
_Yeah... that’s me. Urs? – Eu tinha que arriscar.
_Good eve. That’s me, right. So, what happened? I’ve heard some noises...
_It was a small problem here. I’m at work… so, what’s up? – Eu não podia acreditar que conseguia falar. Na primeira vez, ele era um chato que me tinha atropelado. Lindo, mas um chato. Na segunda vez, ele iluminaria um planeta, mas continuava sendo alguém que eu desconhecia. Daquela vez, ele era Urs Bühler... eu tinha lido tudo sobre ele, escutava sua voz por horas a fio e desejava deitar ao seu lado de madrugada.
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rayssapop
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:blink: :blink: :blink: :blink: :huh: :huh: :huh: :huh: :o :o :o :o

Tá cada dia mais emocionante! Q Belíssima o q, prefiro acompanhar aqui!!!!!!!!!!!!!!!!!!! nossa senhora... e eu estou mergulhando na história, é como se eu estivesse lendo o q aconteceu de verdade com vc....sua história, entende?! :ph43r: nem parece ficção... e, ao mesmo tempo, me imagino no lugar da Maria Fernanda..é inacreditável o desenrolar disso...WOW!!!! Amanhã me vorto aqui! :P bjãoooo!
:)
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