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Coisas...; Se quiserem ler...
Topic Started: Aug 28 2006, 11:27 PM (766 Views)
Becky Smyt
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Inspirada pelo Caracol, lembrei-me de postar aqui os meus textos mais pequeninos. Alguns de voces ja os leram, mas va, se alguem tiver interessado. Vou postar 3, com duas paginas casa um, separados por posts :)

Ah, quem ler diga alguma coisa. Se encontrarem algum erro ou alguma coisa de que gostem menos, digam.
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I once knew a girl who would just stand there and stare.
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She'd stare at the ground, she'd stare at the sky.
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Becky Smyt
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Eu tive um sonho

Eu tive um sonho. Deitei-me apenas por segundos, sem pensar que aquele breve momento em que me deixei levar poderia provocar tantas consequências. Nunca esperei estar tão cansada do mundo, tão acabada, tão repleta de problemas, que apenas uns segundos me fariam mergulhar num mundo de fantasias. Bastava um vislumbre daquele lugar ideal para começar imediatamente a sonhar.
Não sei quanto tempo lá fiquei, mas lembro-me de cada pormenor, de cada detalhe. Lembro-me de ti. Enquanto todos os outros era apenas borrões indistintos, gotas num grande oceano, tu apareceste-me nítido e verdadeiro. Nunca duvidei das tuas palavras, nem daquele sorriso triste que tu guardavas para mim. Não te preocupes, sei que não mentias quando dizias que gostarias que eu ficasse ali para sempre. Mas também sei que isso nunca poderia ter acontecido. Estávamos condenados e não havia escapatória possível. Não havia escolhas, não havia um caminho certo ou errado. Tudo aquilo era um sonho, bem sabes, e eu não podia dormir eternamente. Nem tu. E a única maneira de nos libertarmos de um sonho, meu querido, é acordar.
Foram tempos felizes. Tivemos os nossos pequenos dramas, as nossas angustias, mas nunca foram grandes problemas. Nunca deixámos que as coisas chegassem tão longe. Estavas sempre presente quando eu precisava, e isso era tudo que eu te podia pedir. Quanto a mim, fazia os possíveis para me iludir, para esquecer que um dia toda aquela felicidade acabaria. Talvez seja essa a razão pela qual nunca retribui toda a tua amizade e carinho. Queria acreditar que podia esperar, que havia tempo para essas coisas, que tínhamos um futuro inteiro à nossa frente.
Costumávamos deitar-nos juntos lá fora, ora olhando as formas estranhas das nuvens, de dia, ora as das estrelas, de noite, em silêncio. Para nós, o silêncio não era intimidante. Pelo contrário, era até em silêncio que a nossa imaginação se estendia e as nossas esperanças ganhavam asas. Era assim que nos entendíamos. Não precisámos de trocar palavras, bastava olharmos nos olhos um do outro. Nesses momentos, éramos cúmplices, conheciamo-nos como ninguém. Os melhores amigos, sempre presentes um para o outro.
Depois veio o choque do acordar. As pessoas podem ser tão cruéis às vezes… Normalmente nem notam, têm os seus próprios problemas. Porque haveriam de se preocupar com a vida dos outros, se têm a sua? Mas eu precisava tanto de um abraço nessa altura... Tu tinhas partido, tinhas-te desvanecido com os primeiros raios da manhã. Os meus olhos tinham seguido todo o teu caminho enquanto partias, a mágoa espelhada neles, a angústia aumentando à medida que te distanciavas mais e mais…Uma necessidade quase insuportável de voltar a ter junto a mim aquele ombro amigo, que estava sempre a meu lado. Mas já não havia nada a fazer. Nunca houve nada que pudesse ser feito.
As pessoas falam-me de amor. Amor! Soa-me tão estranho. Para mim sempre foste o meu melhor amigo, a minha outra metade. Sim, amei-te, e desejei passar o resto da minha vida contigo. Mas nunca te encarei como algo mais do que aquele amigo para todas as horas, para toda a vida. Talvez, se tivéssemos tentado, pudesse ter acontecido algo mais. Mas para quê? Já éramos tão completos assim. Já estávamos tão felizes daquela forma, sendo apenas amigos…
Às vezes, pergunto-me o que teria acontecido se eu tivesse sonhado por mais um bocado. Talvez, se eu tivesse dormido só mais um pouco, as coisas pudessem ter acontecido de forma diferente. Com um pouco mais de tempo eu teria conseguido trazer-te comigo e acordar ao teu lado. Se tivéssemos tentado, talvez… Mas depois, como seria na realidade? Como sobreviveríamos, tu e eu, neste mundo, onde cada um tem a sua própria vida e não há tempo para nos deitarmos lá fora a ver as estrelas, num silêncio profundo e belo? Nesta realidade, enquanto estamos acordados, não há lugar para amor nem para sonhos. O que seria de nós, meu querido? O que seria de nós?
À noite, antes de dormir, pergunto-me onde estarás agora, se terás mudado, se pensas em mim. Estarás feliz? Terás ultrapassado aquele sonho? Sentirás tantas saudades de mim como eu sinto de ti? Não me esqueceste, disso eu sei. Sei que, à tua maneira, continuas a olhar por mim. Depois adormeço, sempre com a esperança de poder partir para aquele lugar sagrado novamente, onde tanto sonhámos e chorámos, tanto vivemos e perdemos.
Eu tive um sonho que, como acontece com tantas coisas na vida, chegou ao fim. Tu estavas lá. Podia tocar-te, abraçar-te, ver-te sorrir daquela forma triste e única. Podia beijar-te, mas acordei. Agora, já não posso…
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Becky Smyt
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De Braços Bem Abertos

Gonçalo tinha um ano quando começou a andar. Dois quando disse a sua primeira palavra, possivelmente “mamã” ou “papá”, para ânimo de algum dos dois interessados. As metas seguintes foram apertar os sapatos, tomar banho sozinho e aprender a escrever…Depois de as alcançar, decidiu que aprenderia a voar.
Aos quatro anos, subiu ao parapeito do quarto e, estendendo os braços, deu um passo em frente. Como os heróis dos desenhos animados, que via todas as manhãs, gritou algo como “Aqui vou eu” ou “Para o Infinito”. As crianças que se tinham reunido na rua, aos seus pés, aplaudiram a sua coragem. A gravidade foi menos simpática e Gonçalo viu os arbustos do jardim antes de conseguir sequer bater os braços e pôr os olhos no horizonte. A aventura concedeu-lhe um braço partido e alguns ossos fora do sítio, mas Gonçalo não desistiu. Aos cinco anos pediu umas asas para o seu aniversário, aos seis pediu um avião e aos sete a sua lista estava cheia de todos os livros sobre aves e aviões que conseguira encontrar. Assim que os recebeu lançou-se num profundo estudo sobre penas, asas e hélices.
No dia em que eu fiz 18 anos (Gonçalo tinha 11), recordo-me de um episódio que se cravou na minha memória e que certamente marcou a sua vida. A minha casa estava cheia de amigos e parentes, que chegavam a cada minuto, dando-me os parabéns pela maturidade recém conquistada. Na altura, senti-me afogada entre aquela gente, hoje agradeço-lhes por me terem feito sair para o jardim. Era um daqueles dias quase perfeitos: o sol brilhava, a relva parecia fresca e convidativa, e as crianças brincavam na rua. Sentei-me e, imediatamente, vi-o, do outro lado da estrada, a alguns metros de mim. Estava sentado na relva, tal como eu, à sombra de uma árvore, com um livro numa mão enquanto a outra se estendia para o pardal que saltitava à sua frente. Um pardal comum, que certamente pousara ali em busca de alguma migalha. Estavam de olhos fixos um no outro, cruzando os olhares, aproximando-se e voltando a recuar, tentando compreender-se. O pardal olhava Gonçalo, tentando digerir aquela atenção incomum depositada nele. Gonçalo, esse, estudava o animal com a inveja típica de uma criança que tenta perceber por que motivo é quem é. Eu? Eu também estava concentrada naquelas duas criaturas, com o fascínio de quem olha um quadro único, belo. De olhos semicerrados e um meio-sorriso nos lábios. Este episódio contribuiu, como nenhum outro, para eu entender aquele rapaz, que sempre morara a dez passos de mim e com quem eu nunca tivera um verdadeiro diálogo. Acho que me entendem quando digo que Gonçalo tinha tudo para ser feliz. Tinha uma família perfeita e estável, numa casa perfeita e cristã, numa rua segura. Era um óptimo aluno, conseguira o seu animal de estimação, fazia amigos facilmente. Nunca lhe faltara nada. E mesmo assim, era comum apanhá-lo a olhar para o céu com uma ansiedade quase desesperada e uma mágoa profunda. Com quem, porquê? Nunca o percebi até àquele dia.
Podia ter acontecido em qualquer outra altura, em qualquer outro dia em que o sol não brilhasse tão intensamente. Um dia não tão perfeito. O pardal saltou finalmente para a mão de Gonçalo e ambos sorrimos. Uns metros mais à frente, uma criança riu alto demais, perturbando o silêncio que nós conquistáramos. Como seria de esperar, o pássaro assustou-se e voou da mão de Gonçalo para a estrada. Voltou a olhar para o rapaz, e foi precisamente nesse momento que um carro se lembrou de passar por ali, entre a minha casa e a dele. Aquela mudança tão repentina de cenário fez-me levar a mão ao rosto, horrorizada. O meu quadro desaparecera. Gonçalo limitou-se a arregalar os olhos e a olhar para o pardal, morto e estendido no chão. O carro partira tão rapidamente como chegara. Baixou a cabeça, e quando a voltou a erguer, os seus olhos, cheios de lágrimas que choraria segundos depois, cruzaram-se com os meus. Vi o canto dos seus lábios tremer e foi então que entendi. O sol continuava a brilhar sobre nós, a relva continuava fresca e convidativa., como se nada se tivesse passado. Tudo perfeito, um dia perfeito. A vida perfeita, a família perfeita, a casa perfeita. Olhei também eu para o céu e, quando voltei a cruzar os olhos com Gonçalo, partilhei a mágoa que ele sentia. Uma mágoa tão profunda que em mim duraria muito tempo e que nele nunca chegaria a desaparecer. Uma mágoa com a vida e com o mundo mas, acima de tudo, uma mágoa com Deus.
Uma semana depois do meu aniversário, tudo parecia ter voltado à normalidade. Gonçalo arranjara uma caixa onde pôr o pardal e enterrara-o dentro de um vaso, que não saiu do seu parapeito por muito tempo. Eu voltei à minha rotina e ele continuou a viver a sua vida tão singular. É um tanto irónico que o maior sonho de Gonçalo tenha sido, também, a sua desgraça. Não estava aquele pardal enterrado há nem três meses quando a morte voltou a cair sobre a sua vida. O seu pai estava fora em trabalho há alguns meses, a mãe foi visitá-lo. Éramos os únicos em que ela confiava para ficarmos com o rapaz, após tantos anos como vizinhos.
Lembro-me perfeitamente de quando recebemos aquele telefonema. Gonçalo e eu tínhamos desenvolvido uma certa empatia desde aquele dia. Estávamos sentados a jantar, e o prato dele era um amontoado de um arroz vermelho. Nunca fora uma má boca, mas recusara-se terminantemente a comer as codornizes que a minha mãe cozinhara. “Também me comerias ao jantar se eu tivesse penas e voasse?”. Comecei por sorrir-lhe, levando uma garfada à boca. Mas o olhar acusador e incrédulo dele, poisado em mim, não me deixou apreciar o gosto da comida. Retirei a carne do prato, numa dura despedida, e olhei desanimada para o arroz que lá ficara. Foi nessa altura que o telefone tocou. A minha mãe levantou-se e atendeu-o na sala, enquanto eu e Gonçalo riamos e falávamos do céu, lá fora. Ouvimos, com um estrondo, o telefone cair pesadamente e, quando alcançamos a sala, já a minha mãe estava agarrada ao coração com o rosto pálido e as lágrimas a brotarem-lhe dos olhos. Ainda pensei em perguntar o que tinha acontecido, mas aquele olhar não enganava ninguém. Nem a mim nem a ele. O avião caíra, e os seus pais caíram com ele.
Nessa noite, juntei-me a ele no alpendre, e partilhámos um cobertor. O ar estava frio e aninhei Gonçalo nos meus braços. Quando a chuva chegou, ele chorou com ela, e eu chorei com ele. Naquele momento senti-me como se tivesse nas mãos o maior tesouro do mundo. Juro-vos, nem todas as codornizes do mundo teriam valido por aquele rapaz. E apesar de nunca termos sido muito próximos, eu compreendia-o, e fomos verdadeiros amigos, nessa noite. Estão a ver, é que eu estava sozinha e ele não tinha mais ninguém no mundo.
Ficámos com ele mais umas semanas, até uma tia sua se mudar para a casa onde ele morara toda a vida. Não trabalhava longe dali e, como não era casada nem tinha filhos, concordou em mudar-se para lá. Para ela, Gonçalo era uma novidade da sua vida rotineira e acarinhou-o e mimou-o até se fartar dele. Quando isso aconteceu, empenhou-se em cura-lo da sua “ridícula obsessão”. Apressou-se a pintar de um branco deslavado e monótono as suas paredes, antes cheias de nuvens e de sonhos. Substituiu os seus livros de aves e aviões por outros de carros e aventuras, em que as pessoas não tiravam os pés do chão. Em breve, a sua vida tornou-se numa sombra do que antes era. Encontrava-o sempre sozinho, com um livro nos braços, e não saía muitas vezes do seu quarto. Apesar disso, eu arranjava maneira de chegar até ele. A sua tia confiava em mim e há muito tempo que Gonçalo se tornara no meu único interesse. Amava aquele rapaz e faria tudo para o fazer feliz. Passei a oferecer-lhe vários livros, que a sua tia certamente desaprovaria, e trouxe-lhe grandes cartazes de aves que ajudei a pendurar, para substituir o céu e as nuvens. Certo dia trouxe-lhe um pequeno avião de plástico e cartão, e montámo-lo juntos. Mas nada o animava. Recebia os meus presentes com um sorriso nostálgico de quem sente saudades de uma vida passada e, apesar de apreciar a minha companhia e as minhas palavras carinhosas, era cada vez mais difícil para mim traze-lo da concha onde se fechava. Foram várias as vezes em que cheguei ao seu quarto e o encontrei sentado na cama, de olhos fixos no seu reflexo no espelho. Após o vaso com o pardal ser retirado do parapeito, não voltou a abrir as persianas. O Inverno chegara.
Finalmente, houve um dia em que o encontrei debruçado sobre umas folhas de papel com alguns dos livros que eu lhe oferecera abertos e espalhados à sua volta. Tinha um lápis na mão e os olhos concentrados como há muito tempo eu não os via. Parecia ter ganho uma nova vida. Sentei-me junto dele e, quando percebeu a minha presença, explicou-me o que fazia. Era mais um dos seus planos, mais um plano para voar. Alegre por ele ter recuperado o seu antigo sonho, ajudei-o. As persianas estavam abertas e eu fiquei ali até ao anoitecer. Lanchámos bolachas com leite quente. No final do dia, quando o chão estava cheio de papéis rasgados ou amachucados, encontramos por fim uma fórmula que nos agradava. Ele pegou na folha e sorriu. Depois, despedimo-nos com um abraço forte e longo. Afaguei-lhe os cabelos, ajoelhei-me e disse-lhe que tudo voltaria a ser como antes. Ele acenou, com os olhos a brilhar. Tinha 11 anos e uma vida inteira à sua frente.
No dia seguinte, Gonçalo atirou-se da janela mais alta da cidade. Ninguém sabe como lá chegou. Encontraram a nossa folha, o nosso plano, no seu bolso. Entregaram-ma e depois de a dobrar carinhosamente e de lágrimas nos olhos, guardei-a no bolso. Dizem que quando o encontraram tinha os olhos abertos para o céu e sorria. Eu continuo a acreditar que ele conseguiu finalmente o seu voo. O primeiro e o último. Ou talvez não. Talvez ele voe, onde quer que esteja. A folha dobrada continua segura no meu bolso. Leio-a todos os dias e pesa-me quase tanto nas mãos como o meu coração me pesa no peito. Quem sabe, um dia, talvez eu me junte a ele.
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Becky Smyt
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Tempo

O sol continuava a brilhar sobre ele, quente e abrasador, quase insuportável. À sua volta, o calor transformava o mundo num borrão confuso, misturando e unindo cores, pessoas e casas num só. Estava sozinho há já algum tempo, mas não arredara pé do alpendre da casa. Enquanto pensava no dia que tivera e ponderava ir para um lugar onde pudesse reflectir melhor, apercebera-se de que não tinha outro sítio para onde ir. Assim, sentou-se no primeiro degrau, de tronco flectido, com os cotovelos apoiados nos joelhos, apenas observando os carros e as pessoas que passavam. Por incrível que pudesse parecer, não se pôs novamente a avaliar a sua vida. Como se pensar se tivesse tornado inútil. As coisas não mudariam por ele pensar.
Enterrou a cabeça nas mãos, passado-as pelos cabelos castanhos. Muitas pessoas não acreditam em coincidências. Ele não acreditava. A sua vida fora demasiado programada para que pudesse acreditar que algumas coisas acontecem por acaso. Em contrapartida também não acreditava no destino. Cada segundo da sua vida tinha já sido discutido por alguém, antes mesmo de ele poder ponderá-la. Não por um Deus, nos céus, mas por pessoas reais e humanas, na terra. Que, como qualquer humano, cometiam erros. Por todas essas razões, por ele não acreditar em coincidências e no destino, é que não soube explicar o que se passou a seguir.
A cada segundo que passava a rua enchia mais e mais, como se estivessem na verdade no meio de Nova Iorque e não numa pequena cidade europeia. Rostos desconhecidos, que nem paravam para o olhar. Para eles, ele era apenas mais um entre muitos com quem se cruzavam na monotonia rotineira em que se tornaram as suas vidas. Tal como ele não se importava em saber quem eles eram. Talvez alguns mais atentos reparassem nele: Quem seria o pobre rapaz sentado nos degraus em frente daquela casa? Como seria a sua vida, o que o levara até ali e o pusera naquele estado de miséria? Ou, quem sabe, se limitassem a observar as suas roupas velhas, gastas e amarrotadas e revirassem os olhos, comentando a desgraça na qual aquela cidade se transformava a cada dia que passava.
Cansado, levantou-se e, de mãos nos bolsos das calças, caminhou para o passeio. Podia ter continuado a observar o carreiro de formigas que seguiam ordenadamente ao seu lado, ou mesmo ter voltado a enterrar a cabeça nas mãos. Mas não o fez. Em vez disso, pôs-se de pé e observou os rostos dos que passavam apressados. Um pequeno rapaz atravessou a rua a correr, certamente fugindo de um dos bandos, que continuavam a aterrorizar todas as crianças da cidade. Uma mulher passou no passeio à frente dele, com um regador em cada mão. Atrás dela um homem, provavelmente o marido, tentava acompanhar-lhe o passo, procurando ver além dos vários sacos de terra que transportava. Vários homens, vestidos com fatos escuros e de pastas nas mãos, passavam em passos rápidos, por vezes chocando com ele, sem pararem para pedir desculpas. Não tinham tempo. Os carros continuavam a passar rapidamente, sem sequer abrandarem. Atravessou a estrada lentamente, sem saber exactamente para onde ia. Encostou-se à parede escura atrás de si, saboreando a sensação de, ao contrário de todas aquelas pessoas, ter tempo para ver o que se passava à sua volta. Como se, por momentos, a sua vida decorresse em câmara lenta em relação ao resto do mundo.
Dizem que não há ninguém perfeito. Ele sempre concordara com essa frase. Talvez, antes de conhecer bem alguns dos seus amigos, pensasse que eles estavam lá perto. Talvez, para si, o avô o tivesse sido durante algum tempo. Mas as pessoas acabavam sempre por revelar os seus defeitos, os seus medos e as suas inseguranças, todas as coisas que os tornavam únicos. Perfeição era uma coisa que ele considerava impossível de atingir. Pelo menos até olhar para o outro lado do passeio, mesmo em frente ao lugar onde antes estivera sentado.
Era talvez a única pessoa na rua, além dele, que não a atravessava a correr. Foi isso que primeiro lhe chamou a atenção. Trazia um grande bloco aberto à sua frente e, ocasionalmente, parava para rabiscar alguma coisa no papel, observando cada pormenor à sua volta, parando para estudar cada flor dos jardins coloridos dos jardins simpáticos da cidade. Os seus cabelos balançavam livremente à sua volta, dourados e ondulantes. Usava uma roupa larga e manchada de tinta, de quem não se preocupa com o que os outros possam pensar. A sua pele era morena, mais morena do que a daquela gente, que não passava tempo suficiente fora das suas casas e dos seus escritórios para poder adquirir alguma coloração na pele. Sorria divertidamente para cada pessoa que passava correndo por ela, como se todos os outros fossem apenas maus resultados de experiências que tinham falhado. Para tudo o resto, céu, árvores, pássaros, pedras, acenava numa expressão de respeito profundo. Parecia saber que enquanto atravessasse aquela rua seria invisível. Ninguém pararia para a olhar nos olhos, tal como nunca o fariam com ele. Foi precisamente isso que o fez avançar para ela.
Qualquer pessoa teria dito que ele fora alvo do mítico e lendário “amor à primeira vista”. Talvez ele mesmo o dissesse se acreditasse em tal expressão. Por agora catalogava aquela sua reacção espontânea que aquela rapariga de cabelos loiros provocara como um fascínio. Ela deslumbrava-o, exercia sobre si um encanto inexplicável. Seria seguramente a única pessoa em toda aquela rua, tão agitada, tão cheia de gente, que algum dia olharia para ele, que abriria mão da sua vida para a partilhar com outro alguém, por uns segundos.
As pessoas dizem que quando encontramos a nossa cara metade, o mundo para. Só a vemos a ela e ela é a única que conseguimos ouvir, como se controlasse os nossos sentidos a partir do momento em que a vemos pela primeira vez. Não foi bem isso que aconteceu. O mundo não parou, nunca pararia para duas pessoas como eles. Parecia até decorrer ainda mais depressa, numa velocidade que eles nunca alcançariam. Os homens de negócios continuavam a chocar com qualquer coisa que se cruzasse no seu caminho, sem sequer pedirem desculpa. Os rapazitos continuavam a correr entre a multidão, tentando em vão esconder-se dos seus perseguidores. As pessoas continuavam a passar, gritando ferozmente para os telemóveis, ou deixando umas últimas instruções aos filhos, também eles tentando desenvencilhar-se nas suas próprias vidas. Eles, ele nas suas roupas amarrotadas e velhas e ela com os seus cabelos loiros a baloiçar ao vento, continuavam ali, sem terem para onde ir, para onde correr, com quem discutir. De olhares presos um no outro, saboreando a sensação de, ao contrário de todos os que passavam por eles a correr, poderem sentir cada momento das suas vidas. Talvez isso nem sempre fosse bom, talvez nem sempre fosse bom sentir. Mas era bom ter tempo para isso, era bom ter tempo para viver.
Teve de fazer um esforço para chegar junto dela, entre a confusão que se formara na rua. Sabia que não tinha importância quanto tempo demoraria. Ela continuaria lá, esperando por ele. Onde poderia ir? O mundo não parou, as pessoas não pararam e eles também não se esforçaram em correr para tentar acompanhar os seus passos. Gostavam do modo câmara lenta, até porque assim seria muito mais fácil passar para o modo repetição e reviver aquele momento, tal como se lembravam.
Talvez devessem tentar acompanhar o ritmo da multidão. Talvez devessem acordar sempre à mesma hora, ir para o trabalho ou para a escola, voltar para casa, dormir e repetir essa rotina todos os dias, até esqueceram o que era ter tempo, o que era a diversão, a vida. Mas em que é que isso os tornaria mais felizes? Fazer parte daquelas rotinas, daquele mundo aparentemente perfeito deles…Sentir-se-iam realizados depois disso? Como? Estava-se tão bem ali, a apreciar o tempo.
Quando ele a alcançou finalmente, abraçaram-se. Nenhum deles falou. Ninguém parou para os olhar, continuavam invisíveis. Pelo menos para os outros…Podiam ver-se bem um ao outro. As pessoas poderiam continuar a acelerar à sua volta que eles continuariam abraçados, mantendo os seus ritmos. Juntos, vivendo.
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Bubbles
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Velha Guarda
[ *  *  *  *  *  *  *  *  * ]
Bem, eu já os conhecia e já os li bastantes vezes, mas pediste uma crítica decente e vou tentar fazê-la x)

Gosto mais do primeiro, é o meu preferido de todos. Acho que descreves perfeitamente bem as sensações, esse tipo de sentimentos... A cumplicidade que não necessita de palavras e que, por muito impossível que pareça, existe. É sem dúvida o meu favorito :D

O segundo é o que gosto menos destes três. Acho a ideia engraçada, acho que tem alguns momentos bons, mas parece que lhe falta algo. Se fosse maior (do género um romance xD) e muito mais desenvolvido, ficaria melhor. Como conto acho que não funciona tão bem, acho que sentimos necessidade de conhecer melhor as personagens e isso não acontece. Mas acho a ideia muito gira e tem partes mesmo bem escritas.

O último acho difícil de classificar, talvez porque nunca estive na pele do protagonista. Eu faço parte das pessoas que correm. E apesar de muitas vezes odiar a rotina, não consigo sair dela. Por outro lado, também nunca fui vítima de 'amor à primeira vista' x).
No entanto, acho o texto muito bom e faz-nos reflectir sobre aquele tema batido e gasto, mas ainda importantíssimo: não temos tempo para nada e devíamos tê-lo para as coisas verdadeiramente importantes, o que na maior parte do tempo não acontece.

Done ^_^
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'...la vie lui paraît alors si simple et si limpide qu'un élan d'amour...'
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Sil
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Velha Guarda
[ *  *  *  *  *  *  *  *  * ]
Wow, Becky tu escreves mesmo bem. Uma coisa que aprecio muito na tua escrita é que tu não enrolas demasiado, não tentas "enfeitar" demasiado o discurso com palavras caras e coisas desnecessárias. Por outro lado, parece que sabes do que estás a falar quando escreves, que sentes realmente tudo aquilo e isso espelha-se nas tuas palavras, emprestando-lhes uma sinceridade muito bonita. Cada um dos textos tem uma beleza diferente, com um estilo de escrita semelhante, mas com uma ideia de fundo muito forte e que acaba por se complementar em tudo o que escreves. Simplesmente adorei o segundo texto, de uma doçura, beleza e, principalmente, simplicidade mesmo tocantes. Parabéns :crying:
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Shenyga
Caserneiro
[ *  *  *  *  *  *  * ]
Olha Becky, nao li os textos de uma ponta a outra, mas deu uma vista de olhos, e posso dizer te que tao espetaculares. Continua a postar textos assim, que faz bem á saude. Escreves de uma forma que ao mesmo tempo que é suave é subjectiva, numa linguagem muito rica e elaborada. Que notas tiras a Portugues? xD
http://www.anime-france.info/images/ffviiac-thumb.jpg
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Becky Smyt
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16, 17...

e é porque copio pela bubs...x)
ainda bem que gostaram, sil e shenyga ^_^
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Yangsmoth
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Dactilógrafo Profissional
[ *  *  *  *  *  *  *  * ]
Confesso que ainda não li todos mas adorei o " De Braços Bem Abertos" .
*Sniff* Este comoveu-me.

Eu acho que há dois tipos de escrita, Abstracta e Visual (ou lá como se chama.) Eu tendo para a Visual, descrever os cenários, as personagens, etc. É por isso que para mim é mais fácil escrever fantasia.

Tu tens um tipo de escrita Abstracta, com mais facilidade a exprimir sentimentos e o catano.

Normalmente prefiro tipos de escrita "visual", mas quando tou naquelas alturas lamechas ou simplesmente com vontade de ler algo mais profundo, gosto ainda mais das tuas histórias :D .

Muha.
"Death looks down at the corpse of the Lover, then turns to the Woman" - Your husband died, do you wish to carry on your life with painful memories? Or do you want to forget him?
"The woman sobs" - I'll live with his memory, even if it's painful.
"The woman goes, the Warrior turns to Death". - I'm curious, Death. You gave this choice to many people, right?
"Yes..."
"How many of these lovers chose to forget?"
"None, not one."
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MissGranger
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Caserneiro
[ *  *  *  *  *  *  * ]
Li agora os três de seguida e bem...gostei mesmo.
O segunda está lindissimo. Eu imaginei logo o Gonçalo apesar de não teres feito descrição e até fiquei um bocado tocada com a história porque é de uma sensibilidade e ternura...e ao mesmo, tem aquela parte mais trágica, mas da qual gostei igualmente. O final está absolutamente sublime. É mesmo o género de história que me comove e é-me dificil explicar porquê.
Tu escreves muito bem, mas o melhor da tua escrita é a sinceridade. Falas sobres coisas reais com personagens bastante humanas e abordas temas que nos são muito próximos, o que faz com que as tuas histórias sejam de facto comoventes. Eu acho que quando a escrita é sentida isso passa para quem lê e isso é o mais importante...transmitir qualquer coisa e tu fazes isso bastante bem. Não usas um palavreado muito elaborado, nem te perdes em descrições maçadoras, mas chegas às pessoas com o que escreves e isso é fantástico.
Sempre quis ler uma fic tua, mas como eram grandes nunca cheguei a começar. Só li uma songfic e lembro-me que o shipper era Ginny/Draco e eu na altura, torci o nariz, porque "ah e tal, não gosto deste casal", mas agora num registo completamente diferente gostei bastante. Do último gostei menos porque me parece um bocado irreal...não acredito muito no amor à primeira vista e então não mexeu tanto comigo como os anteriores.


I'm one of those...blessed with lucky 7's. I am. I am! I am! I'm telling...
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Isair
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Dactilógrafo Profissional
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Gostei bastante dos textos. A escrita é óptima, simples e fácil de entender, as mensagens são claras. E depois senti-me caracterizado em praticamente todas elas.
Nem sempre os mais sábios são os que têm maior experiência de vida e/ou conhecimento. São sim os que vêm bem a realidade e se adaptam a esta sem irem contra os seus príncipios.
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Becky Smyt
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Escrevi uma coisinha nova ontem à noite. Na altura nao achei que estivesse muito giro, mas duas pessoas disseram-me que adoraram :silence: portanto resolvi postar aqui.

Estados de Espírito

És feliz. Sempre foste feliz, sempre foi tudo perfeito. Talvez seja por isso que mesmo uma quebra tão pequena e tão ligeira dessa felicidade, te afecte tanto. Te magoe tanto… Um dia, alguém te vê de olhar perdido e preocupa-se. “Estás bem?”, perguntam-te. “Estás feliz?”. Respondes que sim, porque não podes dizer outra coisa. Não podes não estar feliz, não tens motivos para isso. A vida é tão boa como era há cinco ou há dez anos. Por algum motivo que tu não compreendes, já não te sabe tão bem. Já não tem o mesmo gosto. Para onde foram os teus sonhos? Onde é que se perderam? Onde é que te perdeste?

Começas a reparar bem no mundo à tua volta, nas pessoas que te rodeiam. Os amigos, que sempre foram tantos e tão bons, começam a desvanecer-se. Estando perto de ti, não estão ao teu lado. Não conseguem, tu não deixas. Criaste um abismo entre vocês. Ninguém chega perto de ti, enterraste-te demasiado fundo. Se antes te sentias amada, agora sentes um vazio no sítio de onde esse amor partiu. Para onde foi? Porque não volta? As pessoas abandonam-te. Aprendem a amar outros, com tanta ou mais paixão do que te amaram a ti. Porquê? No início não compreendes. O que se passa? O que é que fizeste? És a mesma pessoa, não mudaste. Antes elas desceriam o abismo por ti. Então, pouco a pouco, percebes que o problema é teu. Só pode ser teu. Os teus amigos ainda lá estão, mas agora já te deixaram partir. Deixaram-te passar a partir do momento em que os deixaste passar a eles. Cansaram-se de esperar. Devias ter mudado enquanto podias, o problema é teu. Os defeitos são teus. Ninguém consegue viver com eles para sempre. As pessoas cansam-se.

Então odeias-te. Repudias-te, por seres quem és. Adormeces todas as noites, de lágrimas nos olhos por saberes que não podes mudar isso, e odeias-te ainda mais. Não serves, há alguém melhor. És quem és, mas não és boa assim, não és boa o suficiente. Demasiados defeitos, as pessoas cansam-se. E acordas todas as manhãs, já com um destino traçado. Não importa o que fazes nesse dia, até te deitares novamente. Quando adormeceres, vai ser sempre igual. Vazio.

Sonhas. Um dia, foste brilhante. Vês-te lá, envolta em pessoas. Não estavas sempre feliz, mas na altura as coisas eram diferentes. Estavas completa, tinhas esperança. Ainda não tinha começado, eles ainda estavam todos lá. Gostavam de ti. Sopras uma vela e as pessoas aplaudem. Que idade terias? Olhas para ti nesse tempo atrás, quando sorrias mais, brincavas mais, te amavas mais. E perguntas a ti própria o que aconteceu: Para onde é que foste, pequenina, minha rapariguinha brilhante? Onde te perdeste, quando te perdeste? Quantas pessoas deixaste pelo caminho? E quantas ainda deixas, agora que não existes? Não há resposta e só o eco se despede. O sonho acaba. E agora, quem és? Onde vais? Perguntas para o escuro, na solidão da noite. Mas não há respostas. Eles deixaram-te. Desistiram. As pessoas cansam-se.

Lutas contigo mesma. Talvez se fizesses as coisas de maneira diferente, se esquecesses os medos que te assaltam e vivesses a vida em vez de a lamentar. Mas o teu coração desapareceu. Como ele era, pelo menos. As pessoas ainda vislumbram o sorriso e a menina brilhante. Por trás, resta o vazio.

Estás sozinha, anoiteceu. Estás escuro lá fora e o teu quarto está tal e qual como em todas as outras noites. Também como acontece em todas as outras, nesta noite precisarias de um abraço. Mas eles não podem adivinhar. Nem podem estar de guarda para sempre, cansam-se. Então, esta noite como todas as noites, vai ser passada assim. O teu quarto está vazio, tal como o teu coração. Não há ninguém para te confortar e será assim todas as noites até voltares a deixar que te amem. Para isso, precisas de voltar a gostar de ti, precisas de voltar a encontrar a menina brilhante. Mas como? Ela parece ter desaparecido há tanto tempo.
Continua a procurar. Volta para a cama, volta a chorar esta noite e a acordar na manhã seguinte já sabendo que a próxima noite vai ser vazia. Ainda deves ter uma pequena esperança de a encontrar. Portanto procura-a e tenta viver como podes. Sem sorrisos, talvez, mas com alguma esperança. Talvez se ela voltar tu te vás embora e os sorrisos e o amor voltem. Procura-a, volta a amar-te. Depois volta a deixa-los amar. Faz isso, ou desiste.

Estás no escuro novamente, mas desta vez alguém te estende a mão. Há aqueles que nunca se cansam. Obrigado.
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I once knew a girl who would just stand there and stare.
At anyone or anything, she seemed not to care.
She'd stare at the ground, she'd stare at the sky.
She'd stare at you for hours, and you'd never know why.
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Sil
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Velha Guarda
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*Engole em seco* Este texto tocou-me como talvez nenhum dos outros...simplesmente porque é a definição de algo que me é muito muito próximo, torna o texto quase "meu" também. Pela dureza, realismo, simplicidade das palavras...muitos parabéns. Apetece-me pegar no teu texto e agitá-lo ao mundo, pois explicaste e definiste coisas que eu tanto luto por exprimir e nunca consegui. Obrigado.
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