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| Lágrimas do Céu; Uma lamechiche que escrevi... | |
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| Tweet Topic Started: Aug 25 2006, 04:37 PM (681 Views) | |
| Yangsmoth | Aug 25 2006, 04:37 PM Post #1 |
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Dactilógrafo Profissional
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Atenção, aviso já que isto é realmente lamechas. Eu tava triste e a ouvir música celta quando escrevi isto xD. Mas pronto, aqui vai, muha. São duas páginas Word. ______________________________________ O vento uivou, roubando sem remorsos as pétalas cor-de-rosa do ramo de uma árvore, liderando-as para longe da mãe, soltando-as na imensidão profunda das planícies que se estendiam até onde a vis alcançava, uma gloriosa extensão de erva branca. As pétalas dispersaram-se, cada uma seguindo o seu caminho. Uma águia anunciou a sua chegada com um estridente pio, e sem perder tempo, tentou debicar uma das pétalas. Essa pétala ondeou para fora de alcance, e foi desviada por outro sopro de vento em direcção ao solo. Roçou a vegetação nívea e voltou a subir, alcançando a eterna névoa que cobria o dia. A gravidade ajoelhou Ezequiel contra a rocha dura, inclemente, sem dar margem de resistência. As belas faces do ser encontravam-se desfiguradas por lágrimas de mágoa, a boca entreaberta e os olhos luzentes. Os longos cabelos brancos eram fustigados pela tempestade. Parecia que a própria natureza lutava. Os trovões digladiavam-se com o vento, a chuva combatia o sol, e as próprias nuvens enfrentavam o globo de fogo que era o Sol, numa desesperada tentativa de barrar passagem à vital luz e apenas conseguindo até certo ponto, pois insistentes raios dourados atravessavam as adversidades, banhando a encosta da montanha em todo o seu esplendor maculado. O alto mas pequeno cume da montanha onde Ezequiel jazia posicionava-se como coração da batalha, tendo como espectadores as colossais forças que moviam o mundo. — Ezequiel… — Foi o débil murmúrio que se forçou para fora dos doces lábios vermelhos de Aeris. O receptor da palavra segurou-lhe a mão. — Estou aqui. — Confirmou, a voz divina suavizada por sentimentos. O próprio timbre transbordava bondade e brandura. Uma língua de fogo desfeou a cortina de nuvens, marcando o seu trajecto em chamas nas planícies. Como protesto, a terra tremeu, vibrando os alicerces das montanhas. Ezequel pressionou o corpo magro de Aeris contra o seu peito e curvou o queixo sobre a sua cabeça, pretendendo resguardá-la do perigo do conflito. — Ezequiel… Eles lutam por nós. — Lamentou-se Aeris, cerrando o par de esferas cor de mel com força. — Há causas pelas quais vale a pena lutar, meu amor. — Confortou o anjo, ao mesmo tempo que afagava os finos cabelos castanhos da sua amante. Um colossal trovão surgiu, resplandecendo os céus. — Sinto-me tão egoísta… — Confessou Aeris, uma mera humana nos braços de um ser divino. — Enfrentaria as marés por um sorriso teu, Aeris. E tu sabes, melhor do que ninguém. — Declarou Ezequiel, a voz resoluta mesmo no seu estado cândido. E os olhares fixaram-se, espelhando o que palavras já não conseguiam transmitir. Dezenas de milhares de homens presenciavam o embate das forças naturais, fitando o topo da montanha com alarmante expectativa. Os olhos de pouco ou nada lhes serviam. A escuridão era demasiada. Mas todos eles sentiam uma chama no peito, que aumentava de intensidade. Muitos repousavam, silenciosos e conformados no abrigo da morte. Alguns haviam sido atirados aos ares por tornados, apenas para caírem e serem salvos pela intervenção da Mãe Terra, que abria macios mantos de relva. Outros não tinham tanta sorte, e eram consumidos por chicotes de fogo vindos do firmamento. Mas a maior causa de morte fora exterminada. Tinha a forma de milhares de inimigos fortes, que envergavam pesadas armaduras brancas, com o símbolo de um sol raiado nos peitos ou escudos. Paladinos sagrados, fanáticos religiosos, padres devotos. Era basicamente uma multidão de combatentes, prontos a enfrentar os seus congéneres, cegos pela fé. Todos esses irreflectidos prostravam-se, defuntos, sobre o próprio sangue que pintara a erva, ignorados pelos seus carrascos. Esses mesmos continuavam a observar o colosso de pedra natural, a montanha. Armas rústicas, exóticas, afiadas e enferrujadas, pendiam ao lado do corpo. Mãos apoiavam-se nos escudos e os elmos debaixo do braço. — General! Eu sinto-o! Acha que eles vão… — Falou um jovem soldado, a quem faltava dois dedos, para o homem alto e de barba por fazer em cima do cavalo ao seu lado. — Acho. — Cortou o oficial, antecipando a pergunta. Os dois orbes cinzentos incidiam no mesmo alvo do exército. A mesma emoção, talvez toldada pela idade, patente. A sua boca abriu-se de espanto para acompanhar a gutural exclamação de espanto que irrompera nas abundantes fileiras. Uma pétala cor-de-rosa roçou a face de Aeris durante um segundo, até partir de novo. Os lábios do anjo e da amante uniram-se, e ocorreu o beijo que mudaria o mundo terreno e divino. Gesto tão simples foi recebido com uma explosão de eventos. O primeiro fora o uníssono brado triunfante do exército de homens, que se prolongou pela duração do beijo, fortalecido pela labareda emotiva na alma dos soldados. O próximo acontecimento fora tão evidente que até os animais se aperceberam. O céu escurecera com um rugido e avermelhara-se, podendo ser comparado a uma gota de sangue diluindo-se numa lágrima. O terceiro facto viera em forma de milhares de anjos indignados descendo dos céus, armados e sedentos de sangue humano. — Ezequiel, eles vão matar-nos! — Lacrimejou Aeris o anjo renegado. — Não, Aeris. Seremos livres, eu juro. — Prometera ele, encarando os invasores que desciam de encontro aos homens, sendo recebidos por flechas e regados pelas mesmas. — Eu não vou conseguir fugir… Não consigo voar… Vai, meu anjo. Parte. — Suplicou ela. Ezequiel acenou negativamente e ergueu-se, levantando-a pelas mãos. Abriu as asas, soltando penas brancas que esvoaçaram para longe. — Liberta as asas que tens mas não vês, pulsar dos meus sonhos. Partiremos juntos, como está destinado. Aeris pesou as palavras dele com o característico ar doce. Lágrimas lamberam o seu caminho até ao queixo, onde se libertaram. Das suas omoplatas surgiu um par de asas, o que não surpreendeu nenhum dos amantes. De mão dada, levantaram voo, partindo para o horizonte. Os anjos haviam-se abatido sobre os humanos com fúria vingativa, mas estes últimos, inspirados, ripostaram com igual ferocidade. Homens eram esquartejados por lâminas celestes, penas brancas choravam dos divinos feridos, flechas eram entregadas a alvos e lanças alojavam-se em corações. A dança sangrenta sincronizava-se com uma cacofonia de vozes e impactos. Algures no seio da disputa, Aazaad combatia pelo que acreditava. Os seus caracóis negros dançavam ao ritmo dos golpes da sua espada longa e enferrujada. Reflectidos nos olhos castanho-esverdeados estava uma coragem e força de vontade que o ajudavam a prevalecer. Verteu o primeiro sangue ao cravar a arma no peito de um surpreso algoz, libertou-se com a ajuda de um pontapé no corpo e atacou outro inimigo. Este, um ser tão belo como os restantes, aparou o golpe com facilidade e ripostou com outro, que foi desviado. Aazaad recuou um passo, aço celeste embateu contra a espada que empunhava, cuspindo faíscas e rangendo os dentes do rapaz. Quase nem teve tempo de se defender da próxima investida, que visou o seu abdómen e foi detida por um golpe de ancas instintivo. Levando a lâmina acima, afastou o atacante, e aproveitando a temporária situação favorável quando o anjo recuou, avançou um passo e estucou transversalmente. O anjo sentiu frio nas suas entranhas, e o seu último pensamento antes de o objecto espetado em si lhe terminar a vida, foi de surpresa. Como conseguia um jovem humano derrotar um enviado dos céus? Pois de facto, antes de a visão escurecer, o anjo moribundo mirara o redor e vira os seus companheiros alados a cair mortos. — Não! — Revoltou-se outro anjo, vindo do nada — Eu sou um filho de Deus, eu sou divino, eu sou perfeito! MORRE TRAIDOR! O antebraço do irado deitou Aazaad ao chão, e uma partizana espetou-se no ventre do caído. Fora o último momento do anjo, pois uma solitária flecha alojou-se no seu crânio, tomando-lhe a vida e suposta imortalidade. Aazaad expeliu o ar para fora dos pulmões ao embater com as costas. Virado para o céu, assistiu ao voo de mais anjos. Estes não podiam ser as criaturas divinas que conhecia de histórias. A sua visão escureceu, o que o jovem tomou como um sinal de morte. Enfiou a mão no bolso e retirou um lenço sujo, que encostou à face. Memórias abateram-se sobre ele, e um murmúrio proclamou: — Deixa-me morder-te docemente… — Grunhiu de dor. — E banhar-me… na tua inocência. Cândida e doce inocência… que preenche os meus sonhos. Adormeceu, confortado pela citação. |
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"Death looks down at the corpse of the Lover, then turns to the Woman" - Your husband died, do you wish to carry on your life with painful memories? Or do you want to forget him? "The woman sobs" - I'll live with his memory, even if it's painful. "The woman goes, the Warrior turns to Death". - I'm curious, Death. You gave this choice to many people, right? "Yes..." "How many of these lovers chose to forget?" "None, not one." | |
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